terça-feira, setembro 14, 2010

Sangue num sábado qualquer


Tudo sempre igual. As unhas cresciam, cortava-se. Os pelos cresciam, aparava-se. O cabelo crescia e ele ia ao barbeiro. Mas chega o dia em que os óculos afrouxam-se. Pois ele segue em direção a Quintino Bocaiúva na esperança de resolver tudo. Chega na ótica mas o atendente não é o mesmo que sempre esteve lá. Aquele do cabelo preto encaracolado que tem uma tatuagem no braço esquerdo, o mesmo que lhe vendeu os óculos há um ano, o dos olhos azuis. Ele entrega seus óculos. O rapaz estranho e todo educado, depois de uns minutos, pede desculpas e os devolve. Tudo muda. O mundo, torto. Ele tenta fugir mas o cinema mais próximo na Quitanda está mudado. As imagens não saõ as mesmas. Ele havia assistido aquele filme com Nino, Vicente e Clara mas o filme já não era o mesmo. O filme é uma porcaria mas ele gosta de porcos então não faria juz ao animal chamar aquilo de porcaria. Afinal se Clara é tão bem-feita pra que discutir a falta de qualidade de um filme. O mundo continuará torto como as pernas de Clara, como a porta do inferno.

And now I know how Joan of Arc felt
Now I know how Joan of Arc felt
As the flames rose to her Roman nose
And her Walkman started to melt

(Johnny Marr / Morrissey)

domingo, setembro 12, 2010

Dime mujer dónde escondes (Segovia)


(Para Luci Fernández de Alba, que se sorprendió)

Dime mujer dónde escondes tu misterio
mujer agua pesada volumen transparente
más secreta cuanto más te desnudas
cuál es la fuerza de tu esplendor inerme
tu deslumbrante armadura de belleza
dime no puedo ya con tantas armas
mujer sentada acostada abandonada
enséñame el reposo el sueño y el olvido
enséñame la lentitud del tiempo
mujer tú que convives con tu ominosa carne
como junto a un animal bueno y tranquilo
mujer desnuda frente al hombre armado
quita de mi cabeza este casco de ira
cálmame cúrame tiéndeme sobre la fresca tierra
quítame este ropaje de fiebre que me asfixia
húndeme debilítame envenena mi perezosa sangre
mujer roca de la tribu desbandada
descíñeme estas mallas y cinturones de rigidez y miedo
con que me aterro y te aterro y nos separo
mujer oscura y húmeda pantano edénico
quiero tu ancha olorosa robusta sabiduría
quiero volver a la tierra y sus zumos nutricios
que corren por tu vientre y tus pechos y que riegan tu carne
quiero recuperar el peso y la rotundidad
quiero que me humedezcas me ablandes me afemines
para entender la feminidad la blandura húmeda del mundo
quiero apoyada la frente en tu regazo materno
traicionar al acerado ejército de los hombres
mujer cómplice única terrible hermana
dame la mano volvamos a inventar el mundo los dos solos
quiero no apartar nunca de ti los ojos
mujer estatua hecha de frutas paloma crecida
déjame siempre ver tu misteriosa presencia
tu mirada de ala y de seda y de lago negro
tu cuerpo tenebroso y radiante plasmado de una vez sin titubeos
tu cuerpo infinitamente más tuyo que para mí el mío
y que entregas de una vez sin titubeos sin guardar nada
tu cuerpo pleno y uno todo iluminado de generosidad
mujer mendiga pródiga puerto del loco Ulises
no me dejes olvidar nunca tu voz de ave memoriosa
tu palabra imantada que en tu interior pronuncias siempre desnuda
tu palabra certera de fulgurante ignorancia
la salvaje pureza de tu amor insensato
desvariado sin freno brutalizado enviciado
el gemido limpísimo de la ternura
la pensativa mirada de la prostitución
la clara verdad cruda
del amor que sorbe y devora y se alimenta
el invisible zarpazo de la adivinación
la aceptación la comprensión la sabiduría sin caminos
la esponjosa maternidad terreno de raíces
mujer casa del doloroso vagabundo
dame a morder la fruta de la vida
la firme fruta de luz de tu cuerpo habitado
déjame recostar mi frente aciaga
en tu grave regazo de paraíso boscoso
desnúdame apacíguame cúrame de esta culpa ácida
de no ser siempre armado sino sólo yo mismo.

http://www.vanguardia.com.mx/editharoneldificildestinodeserlamagadecortazar-513168.html

Viaje infinito - Cortázar





para el que con su incendio te ilumina,
cósmico caracol de azul sonoro,
blanco que vibra un címbalo de oro,
último trecho de la jabalina,

la mano que te busca en la penumbra
se detiene en la tibia encrucijada
donde musgo y coral velan la entrada
y un río de luciérnagas alumbra.

si, portulano, fuego de esmeralda,
sirte y fanal en una misma empresa
cuando la boca navegante besa
la poza más profunda de tu espalda,

suave canibalismo que devora
su presa que lo danza hacia el abismo,
oh laberinto exacto de sí mismo
donde el pavor de la delicia mora

agua para la sed del que te viaja
mientras la luz que junto al lecho vela
baja a tus muslos su húmeda gacela
y al fin la estremecida flor desgaja.


(Viaje Infinito - Último round - CORTÁZAR)

insomnio de puerco





"enséñame el reposo el sueño y el olvido
enséñame la lentitud del tiempo"



TOMÁS SEGOVIA (1927)

sábado, setembro 11, 2010

Sábado


Menino-porco está cansado. Não quer mais sonhar. Se houver outra chance quer nascer gato preto OU jacaré.

"Esa noche volvieron a sucederse los sueños. ?Por que ese recordar intenso de tantas cosas? ?Por que no simplemente la muerte y no esa musica tierna del pasado?" RULFO

sexta-feira, setembro 10, 2010

Bricolagem


"Este otro es el que condensa toda la verdad de la historia" PIGLIA

?Has oído alguna vez el quejido de un muerto? me preguntó a mí.
- No, doña Eduviges.
- Más te vale.
(...)

-Pero ella se suicidó. Obró contra la mano de Dios.
-No le quedaba otro camino. Se resolvió a eso también por bondad.
-Falló a última hora - eso es lo que le dije -. En el ultimo momento. !Tantos bienes acumulados para su salvación, y perdelos así de pronto!
- Pero si no los perdió. Murió con muchos dolores. Y el dolor...

Pedro Páramo (RULFO)


"Between pain and nothingness, I choose pain"
William Faulkner

quinta-feira, setembro 09, 2010

párpados del muerto


Linterna sorda

Los ausentes soplan y la noche es densa. La noche
tiene el color de los párpados del muerto.
Toda la noche hago la noche. Toda la noche escribo.
Palabra por palabra yo escribo la noche.





ALEJANDRA PIZARNIK

http://www.lexia.com.ar/PIZARNIK.htm

quarta-feira, setembro 08, 2010

Canto de Ossanha (Vinicius de Moraes / Baden Powell)


O homem que diz "dou" não dá
Porque quem dá mesmo não diz
O homem que diz "vou" não vai
Porque quando foi já não quis
O homem que diz "sou" não é
Porque quem é mesmo é "não sou"
O homem que diz "estou" não está
Porque ninguém está quando quer
Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha, traidor
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor

Vai, não vou
Vai, não vou
Vai, não vou
Vai, não vou
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor

Amigo sinhô
Saravá
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha, não vá
Que muito vai se arrepender
Pergunte pro seu Orixá
Amor só é bom se doer

Vai, vai, amar
Vai, vai, sofrer
Vai, vai, chorar
Vai, vai, dizer
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou


-"O canto da mais difícil
E mais misteriosa das deusas
Do candomblé baiano
Aquela que sabe tudo
Sobre as ervas
Sobre a alquimia do amor"

domingo, setembro 05, 2010

XXY (2007)



Escrito e dirigido por Lucía Puenzo

La niña santa (2004)



Dirigido por Lucrecia Martel

Historias minimas (2002)



Dirigido por Carlos Sorin
Escrito por Pablo Solarz

Familia rodante (2004)



Escrtito e dirigido por Pablo Trapero

Direito de resposta


BUENOS AIRES 100 KM
Sei que ninguém vai ler mas...
Quando eu disse aos meus amigos que El secreto de sus ojos era o filme menos argentino, ou seja, o filme argentino mais americano que eu já havia visto, todo mundo disse que eu era chato. Eu fiquei desesperado pois além do enredo eu não havia como provar nada. Mas ontem assisti uma entrevista de Felix Monti (Dir. de fotografia do filme) que confirmou minha suspeita, ou melhor, ele disse que buscava a fotografia do cinema americano dos anos 50. Pois então, a coisa toda está no conteúdo e na forma mas eu não sabia ser mais chato e dizer isso.

Filmes argentinos que me impressionam vão como dica:

Buenos Aires 100 KM

Familia rodante

Hitorias Mínimas

La niña santa


XXY

sábado, setembro 04, 2010

Feliz aniversário Senhora D



?muere alguien?



Escuridão, intimidade e solidão. Tudo começava no seu quarto. Tinha aquela vontade de aniquilação, você se lembra? Como na primeira vez, no primeiro surto. O sonho era o mesmo ou pelo menos era o que você me contava. Eu me sentia ridículo tal qual um piano de pernas pro ar. Na verdade, estava cansado de suas idéias principalmente da história das máscaras. Só eu sabia que suas cores preferidas eram o verde e o vermelho mas já não me fazia falta a exclusividade. Lembra? a América toda vermelha, idiota. Qualquer um podia decifrar esses seus sonhos, diriam AIDS, comunismo ou qualquer outra coisa, febre porcina, e você acreditaria, o que você busca é sentido pro absurdo da vida. Seu sonho era ser profeta. Mas aí apareceu a Francine e você achou que ela falava a mesma língua sua. Mas você nunca contou pra ela seus planos.

Um gato talvez salvasse sua pele, sua carne. Você gostava de gatos. Tínhamos um que por sua culpa tivemos que deixá-lo. Lembra do Bandeira? É a carne que sente seu imbecil. Mas agora vou contar pra Francine suas idéias: de entupir os bueiros da cidade com jornal picado só pra ver a merda subir, lembra? Todo mundo sabe que ela existe mas ninguém se importa pra onde ela vai, só você e os idiotas verdes. Vou contar aquela história de deserto, do seu medo, da sua impotência e também a história do umbigo do mundo. Você quer ir pra Cuzco com segundas intenções? Vai dar um fim nessa história toda lá? Seria genial, patético como você, sua última grande metáfora. Realmente, você... A máscara também é o rosto, faz sentido? Você quer dar o salto no escuro? Foi o Marcos quem te disse isso? O Marcos não sabe de nada. A mãe dele se matou como a sua, por causa do marido. Dá o salto logo... mas você tem medo, vai atrapalhar a vida cotidiana do seu pai? Então vai se perder no deserto e morrer de sede que é isso que você merece. Você não disse que todo mundo tinha medo do diabo? Acho que desse todo você nunca se excluiu.

Acho que você gostava de ouvir aquelas vozes.O surto era seu momento de lucidez, lembra? Sentia-se possuído, lembra? Jesus Cristo? Babaca! Você queria ser Rimbaud, né? O papo das cores que estupidez ( Sua grande teoria). Conta pra Francine que um dia você disse que o umbigo do mundo era em Cuzco e que o cu do mundo era o seu. Taí, a grande piada, ou metáfora como você preferir. Você não vira cinza, no fim você vira merda ou barro se preferir.

Vou guardar isso numa pasta e não vou mostrar pra ninguém, fica tranqüilo, fica só entre eu e você - desabafo. Angústia? Você não sabe nada de angústia.

"...e o que foi a vida? uma aventura obscena, de tão lúcida" Senhora D.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Coversando com a Senhora D.


o que é estar morto?

amanhã eu te conto

?muere alguien?

"Livrai-me, Senhor, dos abestados e dos atoleimados"
Senhora D.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Sobre bem-te-vis e sabiás

"compreender o quê?
isso de vida e morte, esses porquês"(...)
Senhora D.

O bem-te-vi canta mais alto mas eu prefiro a sabiá, jajajajaja.



Fabulações, fracasso, erotismo, jogo, leitura e morte.

ter que começar sempre, isso é contrário aos valores dominantes de prospectiva, de desenvolvimento, de alvo, de performance, de velocidade, de contrato, de execução, de gozo

de ne faire que commencer toujours, cela est contraire aux valeurs ambiantes de prospective, de développement, de ciblage, de performance, de vitesse, de contrat, d’exécution, de jouissance”

(« Le Postmoderne Expliqué aux Enfants », Galilée, 1986, Paris, pp. 158/159)

LYOTARD

terça-feira, agosto 31, 2010

Derrelição ( o ano do porco )


"compreender o quê?
isso de vida e morte, esses porquês"(...)

(...)"Porco-Menino, menino-porco, tu alhures algures acolá lá longe no alto aliors, no fundo cavucando, inventando sofisticadas maquinarias de carne, gozando o teu lazer: que o homem tenha um cérebro sim, mas que nunca alcance, que sinta amor sim mas nunca fique pleno, que intua sim meu existir mas que jamais conheça a raiz do meu ínfimo gesto, que sinta paroxismo de ódio e de pavor a tal ponto que se consuma e assim me liberte, que aos poucos deseje nunca mais procriar e coma o cu dos outros, que rasteje faminto de todos os sentidos, que apodreça, homem, que apodreças, e decomposto, corpo vivo de vermes, depois urna de cinza, que os teus pares te esqueçam, que eu me esqueça e focinhe a eternidade à procura de uma melhor idéia, de uma nova desengonçada geometria, mais êxtase para a minha plenitude de matéria, licores e ostras...”

Senhora D.


Gespenst eines Genies (O fantasma de um gênio) PAUL KLEE

segunda-feira, agosto 30, 2010

Sobre a Pedra (João Cabral de Melo Neto)


A Educação pela Pedra

Uma educação pela pedra: por lições;
Para aprender da pedra, freqüentá-la;
Captar sua voz inenfática, impessoal
[pela de dicção ela começa as aulas].
A lição de moral, sua resistência fria
Ao que flui e a fluir, a ser maleada;
A de poética, sua carnadura concreta;
A de economia, seu adensar-se compacta:
Lições da pedra [de fora para dentro,
Cartilha muda], para quem soletrá-la.

Outra educação pela pedra: no Sertão
[de dentro para fora, e pré-didática].
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
E se lecionasse, não ensinaria nada;
Lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
Uma pedra de nascença, entranha a alma.

JCMN

Paul Klee - Rocky landscape

O engenheiro (João Cabral de Melo Neto)

domingo, agosto 29, 2010

El interrogatorio




¿El principal rasgo de su carácter?

¿La cualidad que desea en un hombre?

¿La cualidad que prefiere en una mujer?

¿Lo qué más aprecia en sus amigos?

¿Su principal defecto?

¿Su ocupación preferida?

¿Su sueño de dicha?

¿Cuál sería su mayor desdicha?

¿Qué quisiera ser?

¿Dónde desearía vivir?

¿El color que prefiere?

¿La flor que prefiere?

¿El pájaro que prefiere?

¿Sus autores preferidos?

¿Sus poetas preferidos?

¿Sus héroes de ficción?

¿Sus héroinas favoritas de ficción?

¿Sus compositores preferidos?

¿Sus pintores predilectos?

¿Sus héroes de la vida real?

¿Sus héroinas de la vida real? —

¿Su nombre preferido?

¿Que detesta más que nada? .

¿Qué caracteres históricos desprecia más?

¿Qué hecho militar admira más?

¿Qué reforma admira más?

¿Qué dones naturales quisiera tener?

¿Cómo le gustaría morir?

¿Estado presente de espíritu?

¿Hechos que le inspiran más indulgencia?

¿Su lema?

Los puentes de Königsberg


"Allá las soluciones requerían lógica, números, trabajo; acá hacia falta imaginar, soñar o beber mucho alcoohol"

sexta-feira, agosto 27, 2010

Na sala de aula


"O demônio não tem voz, se ele a tivesse não seria demônio" Lilian Jacoto

"O suicídio é o fracasso da palavra" Cleusa Rios

Herberto Helder viveu a literatura como os beatniks

Resposta ao "senso comum": os olhos não são as janelas da alma mas dois buracos negros.


Sobre o Ermitão (primeira capa da edição de Os passos em volta)

"E me lembrei que a gente sempre ouvia nos sermões do pai que os olhos são a candeia do corpo, e que se eles eram bons é porque o corpo tinha luz, e se os olhos não eram limpos é que eles revelavam um corpo tenebroso"... André (Lavoura arcaica)

Devaneios dialéticos-judaico-cristão-póstudo: se tenho parte de demônio em mim e o inferno são os outros, o demônio precisa de inferno pra existir, o inferno precisa de demônio, e daí?


"Aprendi palavras novas e tornei outras mais belas": "Mise en abyme" diz o Wikipédia que o termo foi usado a primeira vez por André Gide (pinches franceses, piores que os gregos, inventaram tudo?) e quer dizer em termos literários as narrativas que contém outras narrativas.

segunda-feira, agosto 23, 2010

"Método Desviante"

Sobre o TGI,
Introduzir no corpo do texto uma ex-plicação sobre a idéia da Professora Gagnebin do modo de dar aula, ou seja, da maneira de se aproximar das idéias sobre as quais se fala, uma maneira de filosofar e de ler, uma espécie de método, todavia, não sei se a professora chamaria isso de método.

Eu encontrei a idéia numa entrevista no sítio::

http://oficinadefilosofia.wordpress.com/2007/02/21/o-metodo-desviante-por-jeanne-marie-gagnebin/


Essa foi uma observação da Gisa
Obrigado

Entreguei o texto para meus amigos:
ALex
Renata
Gisa
Nina
Natuschka
I love ya guys!

domingo, agosto 22, 2010

Liquidificador e cúmplice (sobre o filme do liquidificador )




Reflexões de um Liquidificador tritura, mói a audiência. É genial e brutal.

Direção: André Kltozel ( pelo histórico do rapaz vc presume quem salva o filme )

roteiro e argumento: José Antônio de Souza

atuações impagáveis de :

Ana Lúcia Torre

Aramis Trindade

sexta-feira, agosto 20, 2010

¿Cómo le gustaría morir? – De ninguna manera.


O silêncio quer dizer várias coisas, medo, vergonha.

livros para ler de Onetti


1939 El pozo

1950 A Vida Breve

1964 Juntacadáveres



Livros para ler de Donoso


Verano y otros cuentos (contos, 1955)

El lugar sin límites (romance, 1965)

Donde van a morir los elefantes (romance, 1995)

Sobre o que "eu" acho de David Toscana



"Tal vez nos convirtamos en sirvientes de la Cibernética. Pero sentimos que siempre sobrevivirá en algún lugar de la tierra un hombre distraído que dedique más horas al ensueño que al sueño o al trabajo y que no tenga otro remedio para no perecer como ser humano que el de inventar y contar historias. También estamos seguros de que ese hipotético y futuro antisocial encontrará un público afectado por el mismo veneno que se reúna para roderarlo y escucharlo mentir. Y será imprescindible – lo vaticinamos con la seguridad de que nunca oirémos ser desmentidos – que ese supuesto sobreviviente preferirá hablar con la mayor claridad que le sea posible de la absurda aventura que significa el paso de la gente sobre la tierra. Y que evitará, también dentro de lo posible, mortificar a sus oyentes con liteartosis."

(Onetti, "Reflexión literaria", Acción, Montevideo 13.11.1966)

terça-feira, agosto 17, 2010

devagar divagar




Telos Tropo

Pathos Ethos

Há uma profunda tristeza mesclada há um tipo de lucidez na loucura. ( pra dormir pensando nisso)

"Yo nada tengo que ver con el pase del tiempo, comentó Miguel, y resulta que me quieren aplaudir por eso."

"Pois sei que além de flores, nada mais vai no caixão" Paulinho da Viola

"Il tempo tutto toglie e tutto dá; ogni cosa si muta, nulla si annichila" Giordano Bruno

Outras palavras pra estudar: subversão, perversão, profanação.

Li um texto muito profícuo de Jeanne Marie Gagnebin sobre memória e esquecimento que cuida tanto do aspecto histórico quanto do individual da questão. Ela passa de Adorno a Nietzsche com uma sutileza e Todorov e Freud também seus cúmplices, num rico e profundo texto que é conhecido pela pergunta que se faz: O que significa elaborar o passado?
Bom pra todas as tribos, a saber, hermeneutas, marxistas, psicanalistas, pós estruturalistas, desconstrucionistas.
Viva Gagnebin! A ecumênica! ( no bom sentido )
Telos Tropo

Pathos Ethos

Há uma profunda tristeza mesclada há um tipo de lucidez na loucura. ( pra dormir pensando nisso)

"Yo nada tengo que ver con el pase del tiempo, comentó Miguel, y resulta que me quieren aplaudir por eso."

"Pois sei que além de flores, nada mais vai no caixão" Paulinho da Viola

"Il tempo tutto toglie e tutto dá; ogni cosa si muta, nulla si annichila" Giordano Bruno

Outras palavras pra estudar: subversão, perversão, profanação.

Li um texto muito profícuo de Jeanne Marie Gagnebin sobre memória e esquecimento que cuida tanto do aspecto histórico quanto do individual da questão. Ela passa de Adorno a Nietzsche com uma sutileza e Todorov e Freud também seus cúmplices, num rico e profundo texto que é conhecido pela pergunta que se faz: O que significa elaborar o passado?
Bom pra todas as tribos, a saber, hermeneutas, marxistas, psicanalistas, pós estruturalistas, desconstrucionistas.
Viva Gagnebin! A ecumênica! ( no bom sentido )

Devaneios (mais possíveis leituras)

Reler "El laberinto "
Octavio Paz, Chama dupla
Margo Glantz
Poniatowaska
Monsivais
Reler "Pedro Páramo"
Sobre Freud: Mal de arquivo
Gagnebin, Lembrar escrever esquecer

sábado, agosto 14, 2010

Prováveis leituras

A chama dupla: amor e erotismo. Octavio Paz

Profanações. Agamben

Eros e civilização. Marcuse

Precarious life. "Violence, mourning, politics". Judith Butler

"Fascinante Facismo" Susan Sontag

Acho que estas leituras vão fazer parte do meu projeto

domingo, agosto 08, 2010

O invertido (o ano do porco) Inside out (the death of god)

Starry Night painting by Van gogh

"we read because we are not self-sufficient creatures, because we acknowledge (perhaps unconsciously) the imperative of the Other, the necessity to stay open to the call of otherness".
Kuisma Korhonen

It's been an year since the nervous outbreak. The sanity of my emotional sadness, afterwards, still in my mind, not as vivid as it was, just as a vague remambrance. The tragic, pathetic feeling of loneliness, life's nonsense, the death of Priscila, my mum, the fear of my own's death... the nightmare of the suicide of my father, or/and, perhaps, my own suicide, were they all cause or consequence? unrequited desires, frustrations, scorn...

It's been about an year that I wrote:

Quando acordo penso nas pessoas que machuquei e quero ter a chance de revê-las e recomeçar ...Minha irmã por esses dias me faz exergar coisas que sempre estiveram lá mas nas quais não se presta a devida atenção, ela me faz lembrar minha mãe. E eu me refugio dentro de mim mesmo pra não perceber o meu redor. Quero voltar a falar com uma amiga de muito longe. Ela também quer, eu creio, mas vai ser difícil explicar tudo que eu passei e como magoei gente que estava ao meu lado.(...)
Acho que o que aconteceu era resultado de um acúmulo de equívocos e frustrações (não verbalizadas) que já vinham de outros carnavais mas que se misturaram com o passado recente de alguma forma. O passado dói e não é um retrato na parede mas uma cicatriz infligida às vezes.
Procurei a palavra pânico no dicionário: que assusta ou amedronta, sem motivo determinado.
Depois procurei surto psicótico que se caracteriza por uma série de fenômenos sensoriais e pensamentos perturbadores que fogem ao controle do paciente. Alucinações visuais e auditivas, e sensação de perseguição são alguns dos sintomas comuns, que impelem a tomadas de decisões estranhas ao cotidiano e que podem inclusive prejudicar fisicamente o paciente.

sexta-feira, agosto 06, 2010

"Ó glória de mandar , ó vã cobiça/ Desta vaidade a quem chamamos/ Fama! Ó fraudulento gosto, que se atiça"


..."dá-nos o ofício o pão, é verdade,porém não virá daí a fama, sim de ter alguma vez escrito, Nel mezzo del camin di nostra vita, ou, Menina e moça me levaram da casa de meus pais, ou, En un lugar de la Mancha, de cuyo nombre no quiero acordarme"....
Saramago

quinta-feira, agosto 05, 2010

"Je est un autre" My book of memory


I used to fall behind, back on those days, in primary school. My mum, even though, hadn't studied enough, used to help me with the homework, at that time I had a sloppy handwriting and she used to help me practicing calligraphy.

People say that she was very generous, friendly, besides this, she liked to gather the neighbors on weekends and provide a feast. I always thought that this hapenned because of the origin of neighbors, half italian and spanish family, but she was behind the scene making this lavish meals.

Sometimes, I tried to remember her hobbies... I don't konw... I guess besides being among her friends she din't have any... though, she did watch soaps a lot but I guess that was because of her boredom.

quarta-feira, agosto 04, 2010

leituras, lecturas, readings


" A criança no limiar do labirinto" Jeanne Marie Gagnebin
An interesting approach to some of Benjamin's writing, taht is, "Crônica Berlinense" and later "Infância am Berlim por volta de 1900"

"No se culpe a nadie" Cortázar
the vicissitudes, that is, tha ups and downs of routines and habits, life as a labirinth? life as a nightmare? Inside out is it all the same?
"The Ditcher und das phantasieren" ("The relation of the poet to the day-dreaming", Escritores criativos e devaneio") Freud
Freud and I argue a lot but at this time he might have brought up some reasonable aspects of the writing act. Somehow, unconcious work embodied in aesthetic labor entails writing fiction and this complex and unconcious endeavor shapes and makes taboos and other issues pleasant to be savored (to recall Barthes, saber, sabedoria e sabor ou qualquer coisa similar em francês)

Malditos!, pinches franceses!, diriam os mexicanos mais sabidos, sempre termino com um deles e um dia vou ter de aprender francês - talvez depois do árabe e do yidish, jajajajajaja)

I wonder what Ginsberg has to say about that!
P.S. I'm still reading "the book of memory" Auster

quarta-feira, julho 28, 2010

"O mundo é mágico. As pessoas não morrem, ficam encantadas"


Guimarães Rosa falou essa frase num discurso para ABL e depois de quatro dias morreu. Como ele mesmo disse: "a gente morre pra provar que viveu".

A s Margaridas quando morrem viram borboletas azuis. Sonhei que minha Margarida virou uma borboleta azul.

sobre o simbolismo no altar "Del Dia de Muertos"
Hallé una idea sucinta
http://mx.answers.yahoo.com/question/index?qid=20091028212432AAMkcd2

segunda-feira, julho 26, 2010

William Kentridge (About drawing)



drawing from Felix in Exile, William Kentridge
charcoal, pastel, and gouache, 120 x 160 cm


William Kentridge - What does it mean to say that something is a drawing - as opposed to a fundamentally different form, such as a photograph? First of all, arriving at the image is a process, not a frozen instant. Drawing for me is about fluidity. There may be a vague sense of what you're going to draw but things occur during the process that may modify, consolidate or shed doubts on what you know. So drawing is a testing of ideas; a slow-motion version of thought. It does not arrive instantly like a photograph. The uncertain and imprecise way of constructing a drawing is sometimes a model of how to construct meaning. What ends in clarity does not begin that way.

la Pesadilla


"Llego a la conclusión, ignoro si es científica, de que los sueños son la actividad estética más antigua".
BORGES

domingo, julho 25, 2010

O Invertido


"It was. It will never be again."
Auster "The Book of memory"

"No podemos examinar los sueños directamente. Podemos hablar de la memoria de los sueños". Borges "La pesadilla"

Sonhei. Suas pernas eram bem morenas, bronzeadas e eram belas e fortes. Depois sonhei com uma porção de gatos preto brancos.

sábado, julho 24, 2010

sonhando com palavras

para Wendy Guerra, Paul Auster e David Toscana
Harangue, entail, cringe, dabble, exacting, as palavras às vezes tem pernas. Pernas negras, brancas, tatuadas. Elas são inglesas, espanholas, portuguesas, ou talvez fossem loiras, morenas, francesas, japonesas. Me incomodam, me fascinam. São pertubadoras e insinuantes. Insistentes, ora não dizem nada ora declaram tudo. Entonces me doy cuenta: menudo, cabronas, adversa, chingonazo, santoral...Ezra Pound conhecendo W. B. Yeats, Huidobro de secretário de Rubén Darío, Fernado Pessoa tomando um vinho com Drummond e Machado discutindo com Saramago ou Bolaño e Cortázar passeando pelo cemitério da Consolação e Wendy Guerra e Clarah Averbuck tomando um café na Augusta. Elixir and antidote, Ana Cristina e Simone de Beauvoir fumando na Ana Rosa.

domingo, julho 18, 2010

Natimorto


Um filme intenso em que o principal personagem é como se contam as histórias.

sábado, julho 17, 2010

Uma vez fui ao DF... (Amuleto)


"A veces me da por pensar que tanto mis libros como mis figuritas me acompañan. ? Pero cómo me pueden acompañar? me pregunto. ?Flotan a mí alrededor? ?Flotan sobre mi cabeza? ?Los libros y las figuritas que fui perdiendo se han convertido en el aire del DF? ? se han convertido en la ceniza que recorre esta ciudad de norte a sur y de este a oeste? Puede ser. La noche oscura del alma avanza por las calles del DF barriendo todo. Ya apenas se escuchan canciones, aquí, en donde antes todo era una canción. La nulve de polvo lo pulveriza todo".
Auxilio Lacouture

Amuleto


"el amor nunca trae nada bueno. el amor siempre trae algo mejor. pero lo mejor a veces es lo peor se eres mujer, si vives en este continente que en mala hora encontraron los españoles, que en mala hora poblaron esos asiáticos despistados". Auxilio Lacouture

sexta-feira, julho 16, 2010

I've been missing the Strip club Moms (to Fabiana, Doug, Seth, Mike and Joe)



Seen enough to eye you
But I've seen to much to try you
It's always weirdness while you
Dig it much too much to fry you
The weirdness flows between us
Anyone can tell to see us
Freak scene just can't believe us
Why can't it just be cool and free us?

Seen enough to eye you
But I've seen to much to try you
It's always weirdness while you
Dig it much too much to fry you
The weirdness flows between us
Anyone can tell to see us
Freak scene just can't believe us
Why can't it just be cool and leave us?

It's so fucked I can't believe it
If there's a way I wish we'd see it
How could it work just can't conceive it
Oh what a mess it's just to leave it

Sometimes I don't thrill you
Sometimes I think I'll kill you
Just don't let me fuck up will you
'cause when I need a friend it's still you

What a mess

More lyrics: http://www.lyricsfreak.com/d/dinosaur+jr/#share

our singer (by Pavement)


I've been waiting, anticipating
Sun comes up
The skies wont sink my soul
I've dreamt of this but it never comes
But it never comes on the horizon (rising?)
The nature's dry, faux (Folks?)

I've been dreamin', traced out but dreamin'
The sun comes up
The blisters burn my soul
I'm dreamin' of something now
Of something now on the horizon (of the rising?)
The nature's dry and all the gritty (groovey?) ones

I miss the SCM a bunch!
I'm still puzzled by the way singers sing their songs I cannot figure some lyrics out

quinta-feira, julho 15, 2010

Happy birthday Doug

"In this hole"

In this hole we have fixed
We get further and further and further
From what we must do, we must do

I saw you asleep beside a hole (or wall?)
This girl inside a hole (wall?)
Your mind blackened by all the thoughts of God

One absence of truth
The One horrible thing you saw
What you truly wanted to become
And who you thought I was, who you thought I was

In this hole that we have fixed
We get further and further and further
From what
We must do
I saw you outside that hole (Wall)
This girl outside that hole (wall)
your mind finally free
from all the thoughts you thought
and all the thought of God

Troubled waters (by Cat Power)


( Michael Hurley, "Armchair Boogie" LP )

I must be
One of the devil's daughters
They look at me with scorn
I'll never hear their horn
Sometimes
It's like being in chains
Sometimes I hang my head
In shame
When people see me
They scandalize my name
I'm going down
To the devil's water
I'm gonna drown
In that troubled water
It's coming 'round my soul
It's way beyond control
I must be one
I must be one
I must be
One of the devil's daughters
They look at me with scorn
I'll never hear their horn
Sometimes it's like
Being in chains
Sometimes I hang my head
In shame
When people see me
They scandalize my name
I'm going down
To the devil's water
I'm gonna drown
In that troubled water
It's coming 'round my soul
It's way beyond control
I must be one
I must be one
I must be

quarta-feira, julho 14, 2010

Estrangeiro (Pastiche?)


Dizem que quando chove durante um enterro é um bom sinal, acho que é uma crença xintoísta. Não me lembro se no enterro de minha mãe chovia ou fazia sol, afinal faz tanto tempo. Acho que estva nublado. Não me lembro. Esta madrugada chovia e ventava muito e eu pensava que essas lembranças deviam fazer parte de minha história. É agosto e faz vinte anos que ela morreu, fez um ano que eu morri. Por esses dias quando faz frio ou chove ela é uma ausência quase sempre presente. Helena me diz que a morte tem de ser celebrada mas eu não sei o que isso quer dizer, também não pergunto, acho que ela anda lendo Deleuze. Me sinto um estrangeiro e toda vez que penso na morte de minha mãe me lembro do início daquele livro:
"Hoje, minha mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo:'Sua mãe falecida. Enterro amanhã. Sentidos pêsames.' Isto não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem". É estranho mas é disso que me lembro. Não me lembro de como ela estava vestida, a última vez que sorriu pra mim, suas últimas palavras, a única coisa que me vem na cabeça são as palavras de Meursault e sua insólita narrativa. Acho que se as coisas tivessem terminado assim eu seria mais feliz. Disse isso hoje pra Helena e depois de uma discussão eu disse que não queria saber de Deleuze e de porra nehuma e disse que as únicas coisas que me interessavam nela eram suas pernas seus seios e sua boca. Ela me deu um tapa na cara e saiu sem me dar um beijo. Malditos franceses, também quero que ela se foda.

terça-feira, julho 13, 2010

Sobre os jornais


"O que censuro aos jornais é fazer-nos prestar atenção todos os dias a coisas insignificantes, ao passo que nós lemos três ou quatro vezes na vida os livros em que há coisas essenciais" PROUST

domingo, julho 11, 2010

Los más tiernos del mundial!


Eva González e Íker Casillas! Viva la Furia!
Desculpe me o Furlán mas Casillas foi o melhor do mundial pra mim!

sexta-feira, julho 09, 2010

citação


"A maçã que Eva ofereceu a Adão era só um objecto episódico; se lhe tivesse oferecido a serpente, também a teria comido". ONETTI

quinta-feira, julho 08, 2010

Foules


"Multidão, solidão: termos iguais e convertíveis para o poeta ativo e fecundo" BAUDELAIRE

Só se for a dois (By Cazuza)

Aos gurus da Índia
Aos judeus da Palestina
Aos índios da América Latina
E aos brancos da África do Sul
O mundo é azul
Qual é a cor do amor?
O meu sangue é negro, branco
Amarelo e vermelho

Aos pernambucanos
E aos cubanos de Miami
Aos americanos russos
Armando seus planos

Ao povo da China
E ao que a história ensina
Aos jogos, aos dados
Que inventaram a humanidade

As possibilidades de felicidade
São egoístas, meu amor
Viver a liberdade, amar de verdade
Só se for a dois
(Só a dois)

Aos filhos de Ghandi
Morrendo de fome
Aos filhos de Cristo
Cada vez mais ricos

O beijo do soldado em sua namorada
Seja pra onde for
Depois da grande noite
Vai esconder a cor das flores
E mostrar a dor
(A dor)

quarta-feira, julho 07, 2010

Sonhei mais uma vez com o diabo


"este abismo é o inferno, por nossos amigos povoado" BAUDELAIRE

El diablo en el ojo (BY Tindersticks)

I wouldn't shut your eyes just yet
I wouldn't turn the lights down yet
'Cos there's things you've gotta see here
There's things you've gotta believe of me

I wouldn't turn the sound down yet
Don't even touch the dials, not yet
'Cos there's things you've gotta hear here
There's things you've gotta believe of me

I wouldn't say a word just yet
Don't even open your mouth, not yet
'Cos there's things I've gotta say here
There's things you wanna hear from me

Foto de Manuel Álvarez Bravo

segunda-feira, julho 05, 2010

sobre la muerte

"Cuando se acerca el fin, ya no quedan imágenes del recuerdo; sólo quedan palabras".
El inmortal. BORGES

O conto pode ser lido em: http://www.apocatastasis.com/el-inmortal-jorge-luis-borges-carthapilus.php#axzz0sm20ildb

domingo, julho 04, 2010

Exílio


"Sê sempre morto em Eurídice"...
"Ó Senhor, dai a cada um sua própria morte"...
RILKE
"Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro". JUNG

Todos os Dedos da Mão

(...)
Estremece-se às vezes desde o chão,
Por se ter uma navalha no bolso:
por o sexo ser sumptuoso:
por causa dos buracos luminosos na camisa,
Tem-se medo do poder
da nudez,
A finura da carne: uma unhada
no coração:
o modo de fazer rodar o quarto:
o barulho que se ouve nos canos onde
a água vive - tudo
sob a ameaça de uma riqueza
brusca
em nós, Quando um raio se desencadeia
pela coluna vertebral
abaixo, O golpe entre as madeixas
frias, Toca-se na cama:
e nunca mais se dorme, Toca-se
onde os pulmões se cosem à boca para gritar,
Às vezes tem-se o dom de fincar os pés na paisagem
em massa, Um feixe
desenfeixa-se no avesso - estala
fora, Com que vozes se encontra a gente
quando
o pavor se faz música
ordem
exercício nominal?,
Arrancamo-nos a tudo como
se arranca a unha
a um dedo: ou o dedo à mão: ou à mão
ao gesto
amassando a terra como se penteia,
Pente que reabre a chaga e a alastra,
Que a aprofunda
como o sangue aprofunda a claridade
pequena
de um lenço, se o lenço
se molha na costura que sangra
perpetuamente, A coroa irrompe da cabeça
pelo ímpeto
da realeza animal, O choque de um astro
calcinaria tudo
- o ceptro que nos crava no mundo
o manto
o escudo
os anéis como nós de dedos,
Morre-se de alta tensão,
É o relâmpago de um troço avistado,
As voragens à força de janelas,
Ou é Deus que nos olha em cheio: dentro


Herberto Helder, A Cabeça Entre as Mãos


FOTO Edward Weston (1886–1958) – Tina on the Azotea 1924




lenguas

"En el aprendizaje de una lengua extranjera existe siempre un elemento irracional que hace que el aprendiz cultive la ilusión de que a través de esa lengua penetrará en una nueva región del ser."
También Berlín se olvida, Fabio Morábito

quinta-feira, julho 01, 2010

Estudos para uma bailadora andaluza




Dir-se-ia, quando aparece

dançando por siguiriyas,

que com a imagem do fogo

inteira se identifica.

Todos os gestos do fogo

que então possui dir-se-ia:

gestos das folhas do fogo,

de seu cabelo, sua língua;

gestos do corpo do fogo,

de sua carne em agonia,

carne de fogo, só nervos,

carne toda em carne viva.


Então, o caráter do fogo

nela também se adivinha:

mesmo gosto dos extremos,

de natureza faminta,

gosto de chegar ao fim

do que dele se aproxima,

gosto de chegar-se ao fim,

de atingir a própria cinza.


Porém a imagem do fogo

é num ponto desmentida:

que o fogo não é capaz

como ela é, nas siguiriyas,

de arrancar-se de si mesmo

numa primeira faísca,

nessa que, quando ela quer,

vem e acende-a fibra a fibra,

que somente ela é capaz

de acender-se estando fria,

de incendiar-se com nada,

de incendiar-se sozinha.


Subida ao dorso da dança

(vai carregada ou a carrega?)

é impossível se dizer

se é a cavaleira ou a égua.


Ela tem na sua dança

toda a energia retesa

e todo o nervo de quando

algum cavalo se encrespa.


Isto é: tanto a tensão

de quem vai montado em sela,

de quem monta um animal

e só a custo o debela,

como a tensão do animal

dominado sob a rédea,

que ressente ser mandado

e obedecendo protesta.


Então, como declarar

se ela é égua ou cavaleira:

há uma tal conformidade

entre o que é animal e é ela,

entre a parte que domina

e a parte que se rebela,

entre o que nela cavalga

e o que é cavalgado nela,

que o melhor será dizer

de ambas, cavaleira e égua,

que são de uma mesma coisa

e que um só nervo as inerva,

e que é impossível traçar

nenhuma linha fronteira

entre ela e a montaria:

ela é a égua e a cavaleira.


Quando está taconeando

a cabeça, atenta, inclina,

como se buscasse ouvir

alguma voz indistinta.


Há nessa atenção curvada

muito de telegrafista,

atento para não perder

a mensagem transmitida.


Mas o que faz duvidar

possa ser telegrafia

aquelas respostas que

suas pernas pronunciam

é que a mensagem de quem

lá do outro lado da linha

ela responde tão séria

nos passa despercebida.


Mas depois já não há dúvida:

é mesmo telegrafia:

mesmo que não se perceba

a mensagem recebida,

se vem de um ponto no fundo

do tablado ou de sua vida,

se a linguagem do diálogo

é em código ou ostensiva,

já não cabe duvidar:

deve ser telegrafia:

basta escutar a dicção

tão morse e tão desflorida,

linear, numa só corda,

em ponto e traço, concisa,

a dicção em preto e branco


Ela não pisa na terra

como quem a propicia

para que lhe seja leve

quando se enterre, num dia.


Ela a trata com a dura

e muscular energia

do camponês que cavando

sabe que a terra amacia.


Do camponês de quem tem

sotaque andaluz caipira

e o tornozelo robusto

que mais se planta que pisa.


Assim, em vez dessa ave

assexuada e mofina,

coisa a que parece sempre

aspirar a bailarina,

esta se quer uma árvore

firme na terra, nativa,

que não quer negar a terra

nem, como ave, fugi-la.


Árvore que estima a terra

de que se sabe família

e por isso trata a terra

com tanta dureza íntima.


Mais: que ao se saber da terra

não só na terra se afinca

pelos troncos dessas pernas

fortes, terrenas, maciças,

mas se orgulha de ser terra

e dela se reafirma,

batendo-a enquanto dança,

para vencer quem duvida.


Sua dança sempre acaba

igual como começa,

tal esses livros de iguais

coberta e contra-coberta:

com a mesma posição

como que talhada em pedra:

um momento está estátua,

desafiante, à espera.


Mas se essas duas estátuas

mesma atitude observam,

aquilo que desafiam

parece coisas diversas.


A primeira das estátuas

que ela é, quando começa,

parece desafiar

alguma presença interna

que no fundo dela própria,

fluindo, informe e sem regra,

por sua vez a desafia

a ver quem é que a modela.


Enquanto a estátua final,

por igual que ela pareça,

que ela é, quando um estilo

já impôs à íntima presa,

parece mais desafio

a quem está na assistência,

como para indagar quem

a mesma façanha tenta.


O livro de sua dança

capas iguais o encerram:

com a figura desafiante

de suas estátuas acesas.


Na sua dança se assiste

como ao processo da espiga:

verde, envolvida de palha;

madura, quase despida.


Parece que sua dança

ao ser dançada, à medida

que avança, a vai despojando

da folhagem que a vestia.


Não só da vegetação

de que ela dança vestida

(saias folhudas e crespas

do que no Brasil é chita)

mas também dessa outra flora

a que seus braços dão vida,

densa floresta de gestos

a que dão vida a agonia.


Na verdade, embora tudo

aquilo que ela leva em cima,

embora, de fato, sempre,

continui nela a vesti-la,

parece que vai perdendo

a opacidade que tinha

e, como a palha que seca,

vai aos poucos entreabrindo-a.


Ou então é que essa folhagem

vai ficando impercebida:

porque terminada a dança

embora a roupa persista,

a imagem que a memória

conservará em sua vista

é a espiga, nua e espigada,

rompente e esbelta, em espiga.


(MELO NETO, João Cabral de 1986, p. 127) Foto: "En el Covadonga" Pedro Meyer

sábado, junho 26, 2010

Alteridade?


"A única coisa que torna possível a identidade é a ausência de mudança, mas ninguém acredita de fato que se seja semelhante àquilo de que se lembra".
Gertrude Stein



Foto de Manuel Álverez Bravo (MEX)