quarta-feira, junho 17, 2009

Leminsky (Walter Benjamin e todos outros poetas)


das coisas
que eu fiz a metro
todos saberao
quantos quilometros
sao


aquelas
em centimetros
sentimentos minimos
impetos infimos
nao?

quinta-feira, junho 04, 2009

segunda-feira, junho 01, 2009

A comilança


Tenho medo de cachorros, gatos e crianças. São imprevisíveis, dizia consigo mesmo. A vida parecia uma sucessão de equívocos e cada vez que parava para pensar sentia o vazio. Tenho feito promessas que não irei cumprir. E o mundo girava enquanto se tenta saltar, ou algo que o valha. Tenho medo de esquecer as coisas que ainda fazem sentido pra mim. A noite começava a devorar o sol da tarde para vomitá-lo sobre a terra na aurora. E eu nunca disse uma única palavra verdadeira pra você em toda minha vida. Pensou que aquela hora não haveria problema em caminhar pelo bairro, não haveria nem cacchorros nem gatos nem crianças na rua. Queria passar o tempo e resolveu caminhar até o cemitério, o problema é que há sempre gatos em cemitérios. Imaginava qual seria a causa dessa estranha combinação. Será que era por conta dos ratos ou insetos que roiam os defuntos. Foi assim mesmo. Pensava em Mastroiani, Moreau e naquela moça que contracenava com eles em la Notte, será que Moreau estva morta? e a moça? não importava. Sorriu.

sexta-feira, maio 29, 2009

La Notte


Reflexos de uma cidade. Ruídos urbanos. Concreto e vidro se misturam por meio de uma trilha sonora feita do ronco dos automóveis, dos helicópteros e aviões que circundam o céu de uma cidade que não pára. A mesma Milão dos anos sessenta será reconhecida mais tarde em São Paulo S/A. E Mastroiani torna-se Walmor Chagas e Jeanne Moreau, Eva Vilma. E esta mulher...

Cais





"Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar"

quarta-feira, maio 27, 2009

O último leitor


El cariño que te tengo
Yo no lo puedo negar
Se me sale la babita
Yo no lo puedo evitar



Tristeza rima com beleza, Tenho duas palavras que não saem da minha cabeça, são nomes que ouvi e li recentemente e ficaram no meu subconsciente, ou melhor, meu consciente. Quero contar uma história mas os nomes e as coisas já me narram outra história. As palavras me encantam e me confundem. Os nomes das coisas às vezes me fascinam, digo, nem sempre, mas às vezes, e parecem conter neles mesmos outros tempos, histórias fantásticas.


Tento narrar mas os detalhes me atrapalham, ao mesmo tempo sem eles não consigo contar nem apreender a experiência. Decidi contar a história desse caderno, mas me esqueci de descrever a foto contida em sua página de rosto, pois meu achado se parece mais com um livro a ser escrito do que um caderno.

A foto é estranha, em vez de descrevê-la penso em qual seria sua história. Será que a mulher na foto é a dona do caderno? Ou ela seria o motivo pelo qual o caderninho existia? Tinha um nome ao lado da foto, Stella, era o nome da fulana, ou da fotógrafa? Nome da fã que escreveria sobre inspiração da atriz? Era uma atriz sem dúvida naquela foto, pois estava sobre um palco de fundo negro.

Meu atual escritor favorito sempre começa suas histórias com um cadáver, eu começo com um caderno.

terça-feira, maio 26, 2009

Suíte (Bachianas)




Gostaria de pensar nas diferenças, uma vez a viu no restaurante, os lábios estavam roxos do frio, hoje, estavam vermelhos do calor, daquela vez não podia ver seu cabelo por causa do chapéu, agora, entendia suas curvas, percebia seu comprimento, sentia sua textura. O sorriso nos olhos, diferente da fome e do frio que eles passavam antes. Certamente, um minueto.
para Fabio e Ana Oshiro, que gostam de música.

quinta-feira, maio 21, 2009

Do medo de ficar só

Come um doce antes de dormir. Acorda e ainda tem fome, o frio deixa as coisas mais difíceis, cabeças abaixadas, solidão e medo, aliás acho que o ambiente não tem muito que ver com o estado dela. Queria cumprimentá-la, convidá-la prum café ou uma cerveja, adoro cerveja no frio, mas ela só toma àgua. Já disse tudo que sentia, mas ela se afastou, eu a abracei, mas ela acha que havia más intenções, não, o que havia era carinho, agora, só mágoa e frio e fome.

terça-feira, maio 12, 2009

CANÇÃO ( Canzo - de Guilhem de Peitieu) trad.Augusto de Campos


Fiz um poema sobre o nada:
Não é de amor nem é de amada,
Não tem saída nem entrada,
Ao encontrá-lo,
Ia dormindo pela estrada
No meu cavalo.

Eu não sei quando fui gerado:
Não sou alegre nem irado,
Não sou falante nem calado,
Nem faço caso,
Aceito tudo que me é dado
Como um acaso.

Não sei quando é que adormeci,
Quando acordei também não vi,
Meu coração quase parti
Com o meu mal,
Mas eu não ligo nem a ti,
Por São Marcial.

Estou doente e vou morrer,
Não sei de quê, ouvi dizer,
A um médico vou recorrer,
Mas não sei qual,
Será bom se me socorrer
E se não, mau.

Tenho uma amiga, mas quem é
Não sei nem ela sabe e até
Nem quero ver, por minha fé,
Pouco me importa
Se há normando ou francês ao pé
Da minha porta.

Eu não a vi e amo a ninguém
Que não me fez nem mal nem bem
E nem me viu. Isso, porém,
Tanto me faz,
Que eu sei de outra, entre cem,
Que vale mais.

Finda a canção, não sei de quem,
Irei passá-la agora a alguém
Que a passará ainda além
A amigo algum,
Que logo a passará também
A qualquer um.

sexta-feira, maio 08, 2009

"Eu queria um castelo sangrento", dissera o comensal gordo

estvas na zona ou te sonhei? meus amigos partem rindo, nós nos encontraremos outra vez e falaremos sobre Londres, sobre Boniface Perteuil, da Cidade. mas tu, Hélène, terás sido mais uma vez um nome que eu ergo contra o nada, o simulacro que eu invento com palavras enquanto Frau Marta, enquanto a condessa se aproximam e me olham?

quarta-feira, abril 29, 2009

"Cuidado" Marcabru (tradução Augusto de Campos)

Direi logo sem tardança,
Para doer na lembrança,
Meu verso que não se cansa:
-Cuidado!-
Quem diante do Amor balança
Cansará de andar errado.

A velhice enruga o rosto,
Mas o Amor, sempre disposto,
A todos cobra o seu gosto:
-Cuidado-
Todos pagam esse imposto
Que nunca será quitado.

Amor é como a fagulha
Adormecida na hulha,
Que o fogo desembrulha:
-Cuidado-
Não pode fugir o pulha
Que pelo fogo é fisgado.

Direi do Amor como isca,
Que ora olha e ora pisca,
Ora beija, ora mordisca:
-Cuidado-
Será mais reto que risca
Se eu estiver ao seu lado.

Outrora o Amor era honesto,
Agora é torto e funesto,
É como um gato molesto:
-Cuidado!-
Ou te morde ou lambe, lesto,
Com língua de lixa armado.

Sua lei é traiçoeira,
Toma o mel e deixa a cera,
Só para si pela a pêra:
-Cuidado-
Para tê-lo na coleira
Melhor é vê-lo castrado.






Quem ao falso Amor se ata,
Com o diabo contrata,
Da o dorso à chibata;
-Cuidado!-
Quem muito se esgaravata
Acaba sendo escorchado.

O Amor nada tem de belo,
Mata a gente sem cutelo,
Deus não fez pior flagelo;
-Cuidado!-
Ao fero fará farelo
O Amor, se não for domado.

Amor faz ao modo de égua:
Todo o dia te carrega
E nunca mais te dá trégua;
-Cuidado!-
Que lá vai de légua em légua
Correndo desenfreado.

Eis como o Amor se aparelha:
Ele é cego e olha de esguelha,
Leve língua, atenta orelha;
-Cuidado!-
Morde mais doce que abelha,
Porém custa a ser curado.

Quem de mulheres é amigo
Com razão sofre castigo,
A Escritura diz comigo:
-Cuidado!-
Ficarás ao desabrigo
Se não fores avisado.

Marcabru, de Marcabru’a,
Foi engendrado em tal lua
Que sabe o Amor como atua:
-Cuidado!-
Ainda que do Amor não frua,
Não ame nem seja amado.

segunda-feira, abril 06, 2009

Fourth time around


DYLAN/ YO LA TENGO
"When she said,
"Don't waste your words, they're just lies,"
I cried she was deaf.
And she worked on my face until breaking my eyes,
Then said, "What else you got left?"
It was then that I got up to leave
But she said, "Don't forget,
Everybody must give something back
For something they get."

I stood there and hummed,
I tapped on her drum and asked her how come.
And she buttoned her boot,
And straightened her suit,
Then she said, "Don't get cute."
So I forced my hands in my pockets
And felt with my thumbs,
And gallantly handed her
My very last piece of gum.

She threw me outside,
I stood in the dirt where ev'ryone walked.
And after finding I'd
Forgotten my shirt,
I went back and knocked.
I waited in the hallway, she went to get it,
And I tried to make sense
Out of that picture of you in your wheelchair
That leaned up against . . .

Her Jamaican rum
And when she did come, I asked her for some.
She said, "No, dear."
I said, "Your words aren't clear,
You'd better spit out your gum."
She screamed till her face got so red,
Then she fell on the floor,
And I covered her up and then
Thought I'd go look through her drawer.

And when I was through,
I filled up my shoe, and brought it to you.
And you, you took me in,
You loved me then,
You never wasted time.
And I, I never took much,
I never asked for your crutch,
Now don't ask for mine".

Indie rockers or sugar stalkers?

Alfa


Hoje decidi sair. Devia me divertir, fugir do trabalho, da rotina, do mesmo homem e da mesma foda no fim do dia. Acho que não sei o que quero, mas certamente não é isso. Enquanto ela pensa, penteia o cabelo, toma o café e em seguida escova os dentes. Quero fugir, mas antes de sair verifica se o gás está fechado, se há comida suficiente pra Adorno e se sua caixinha ainda é transitável. O sol esquenta a calçada quando ela põe o pé pra fora. Não sente pois o salto é alto. Nunca mais voltar, como se estivesse pegando fogo, queimar até o fim. Adorno se viraria se o idiota não conseguisse tomar conta nem de um gato.

Existe algo que não se define em uma palavra, e uma vontade de me sentir só. Foi muito tempo dedicado aos outros, ou melhor, ao outro, não importa. Agora quero correr, ver o mar ou o mato, mas só, sem ninguém pra me dizer o que sente por mim. Estou longe, e sabe que está longe das respostas. Apesar de não estar mais de uma quadra longe de casa me pergunto se vale a pena. Três quadras depois, se pergunta, se é mais fácil pegar um ônibus na rodoviária, ou um táxi até o aeroporto. Era a única que procurou por ele, e agora se arrepende.

Tanto tempo perdido. Enquanto paga o bilhete se arrepende do que passou. A mulher pergunta se vai pagar a volta, digo que não tem volta.

segunda-feira, março 30, 2009

Tom Courtenay (BY yo la tengo)


Julie Christie, the rumors are true
As the pages turn, my eyes are glued
To the movie star and his sordid life
Mr. X and his old-suffering wife
I spent so much time dreaming about Eleanor Bron
In my room with the curtains drawn
See her in the arms of Paul
Say it, I can say no more
As the music swells somehow stronger from adversity
Our hero finds his inner peace
So now I'm looking for a lucky charm
With a needle hanging out of its arm

As time goes by I know it's gonna happen
I know it's going away
Gonna take its toll, gonna take its toll
Gonna take my time
And I'm thinking about the way things are
And I'm thinking about the way things were
Thinking about Eleanor Bron
And I'm thinking about a lucky charm
And I'm thinking about the needle
Oh, I'm thinking about the needle
And I'm thinking about...

terça-feira, março 24, 2009

segunda-feira, março 23, 2009

sábado, março 21, 2009

sábado, março 07, 2009

Austin Tv (echar de menos)


TE extrañaré y muchas gracias por los consejos, Chaparrita (dicas de filme e música)

quarta-feira, março 04, 2009

Assisti hoje, deveria ter assistido muito antes


Una película basada en "La voz" de Jean Cocteau. Es estupenda. No lo digo más porque hablo con las patas.

Noite dos palhaços mudos

(...) estes seres ignóbeis, com sua obstinada e teimosa mudez ameaçam as bases de nossa sociedade, nossa religião e nossas famílias!! (...)
O festival ibero americano de teatro no Memorial está muito legal, a abertura foi com Laerte e hoje tem Nelson Rodrigues

Na USP

A melhor coisa que existe na usp depois da tapioca vegetariana é a videoteca da eca - mas a videoteca podia ser melhor.


Epitaph for my heart

Caution: to prevent electric shock do not remove cover

No user-serviceable parts inside Refer servicing to qualified

service personnel"

Let this be the epitaph for my heart Cupid put too much poison in the dart

This is the epitaph for my heart because it's gone, gone gone

and life goes on and on a non and death goes on, world without end

and you're not my friend Who will mourn the passing of my heart

Will its little droppings climb the pop chart Who'll take its ashes and,

singing, fling them from the top of the Brill Building And life goes on,

and dawn, and dawn and death goes on, world without end and you're

not my friend

quinta-feira, janeiro 22, 2009

History?



VI

To articulate what is past does not mean to recognize “how it really was.” It means to take control of a memory, as it flashes in a moment of danger. For historical materialism it is a question of holding fast to a picture of the past, just as if it had unexpectedly thrust itself, in a moment of danger, on the historical subject. The danger threatens the stock of tradition as much as its recipients. For both it is one and the same: handing itself over as the tool of the ruling classes. In every epoch, the attempt must be made to deliver tradition anew from the conformism which is on the point of overwhelming it. For the Messiah arrives not merely as the Redeemer; he also arrives as the vanquisher of the Anti-Christ. The only writer of history with the gift of setting alight the sparks of hope in the past, is the one who is convinced of this: that not even the dead will be safe from the enemy, if he is victorious. And this enemy has not ceased to be victorious.

WALTER BENJAMIN

Cool kids II



The ocean breathes salty, won't you carry it in?
In your head, in your mouth, in your soul.
And maybe we'll get lucky and we'll both grow old.
Well I don't know. I don't know. I don't know. I hope so.

Well that is that and this is this.
You tell me what you want and I'll tell you what you get.
You get away from me. (You get away from me) You get away from me.
Collected my belongings and I left the jail.
Well thanks for the time, I needed to think a spell.
I had to think awhile. (I had to think awhile) I had to think awhile.

Well that is that and this is this.
Will you tell me what you saw and I'll tell you what you missed,
when the ocean met the sky. (You missed, you missed)
You missed when time and life shook hands and said goodbye. (You missed)
When the earth folded in on itself. (You missed)
And said "Good luck, for your sake I hope heaven and hell (You missed, you missed)
are really there, but I wouldn't hold my breath." (You missed, you missed)
You wasted life, why wouldn't you waste death? (You missed, you missed)
You wasted life, why wouldn't you waste death?

Cool kids doing pretty things (they ain't no suburban kids with biblical names)

for those who wanna play for sad sappy suckers

for those who wanna play for sad sappy suckers

http://br.youtube.com/watch?v=sajGMpouyik

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Surplus

I've watched this movie a couple of times (literally), first, it seems that it is in favor of some politics that people still think is a legitimate left (specially in Latin America, of couse due to historical reasons), but I was mislead like there has been some misunderstandings on this movie, in fact tons of it. To begin with, is not a documentary but a sort of pseudo-docunentary, if you will, a movie-thesis (my favorite type of documetary, where/when the author doesn't pretend to be neutral, such as, Societé d'espetacle or Nós que aqui estamos por vós esperamos or Columbine), (un)fortunately, this very one, Surplus is even better because the author show his point of view, which is none of the characters of the so call left, have a solution because they're ahistorical, Fidel is shown, as well as, the CEO of microsoft, as dictator and the American Anarchist (blame for the events in Seattle) just wants what Rosseau, Proudohn and all the idealists wanted, or if you wiil , wants. The beauty of it isthat only one aspect of this struggle is undebatable, that is the crelty of capitalism. Last but not least, what annoys people, which is its form is clearly (at least to my mind) a critique on mass media, as well, because that techinique/ language is the same that is displayed 24X7 over and over, on and on and turn ourselves into plainly consumers - it seems like nobody paid attention to the subtitle of the movie.

Have you ever watched "SURPLUS" (THE MOVIE)

This is war too, isn't?

Eagleton speak out on war p2

Eagleton speak out on war

by Terry Eagleton

Art as a production

I have spoken so far of literature in terms of form, politics, ideology, consciousness. But all this overlooks a simple fact which is obvious to everyone, and not least to a Marxist. Literature may be an artefact, a product of social consciousness, a world vision; but it is also an industry. Books are not just structures of meaning, they are also commodities produced by publishers and sold on the market at a profit. Drama is not just a collection of literary texts; it is a capitalist business which employ certain men (authors, directors, actors, stagehands) to produce a commodity to be consumed by an audience at a profit. Critics are not just analysts of texts; they are also (usually) academics hired by the state to prepare students ideologically for their functions within capitalist society. Writers are not just transposers of trans-individual mental structures, they are also workers hired by publishing houses to produce commodities which will sell. ‘A writer’, Marx comments in Theories of Surplus Value, ‘is a worker not in so far as he produces ideas, but in so far as he enriches the publisher, in so far as he is working for a wage.’
TERRY EAGLETON

terça-feira, dezembro 30, 2008

http://www.youtube.com/watch?v=UHABYo14fdM

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Goela de dragão


Piquenique à beira de estrada

Morte sépia cinza negra ruínas fracasso atraso. Escreve palavras sem nenhuma ligação. É tudo mentira. Vinte anos nenhum problema resolvido sequer posto. Deus é uma mentira como os ovinis, outra vida além dessa, triângulo das bermudas, conspiração dos astros, um gracioso engodo. Stella adora ler os russos e os alemães, melhor que Sarney ou Lacerda. Obsessão lixo entulho ferro velho solar e lunar Ashley Alice Diana Samanta Sara Suzette Mariana e Babi, mais nomes e nenhuma relação. Vida. Não existe sequer a Zona de Tarkovsky, nada que virá nos redimir. Na tevê, vende-se mantra pra ficar mais rico o ano que vem. Cheio de minha mesmice mas pensando em que escreveria Stella neste caderno.

Ia caindo a tarde, parei diante de um cartaz que anuciava a apresentação que daria Berma no primeiro dia do ano. Corria um vento suave e úmido. Aquele tempo me era bastante conhecido; tive a sensação e o pressentimento de que aquele dia do ano novo não era diferente dos demais, não era o primeiro dia de um mundo novo em que eu poderia, tentado a minha sorte ainda não explorada refazer minha amizaade com Gilberte, como no tempo da Criação, como se ainda não existisse o passado”... Stella sentia-se mais nova lendo esse tipo de literatura, não que ela fosse velha. Sentia que sua geração havia perdido alguns interessses, então sentia-se meio deslocada, por exemplo, tinha simpatia por Jango e Allende e não sabia como mas começou a estudar por conta própria, começou pela greve dos metalúrgicos, vidreiros e gráficos em São Paulo, em 1953.

Tinha perversões como o narrador que gostava de ajudar e guiar deficietes visuais, não só por altruísmo pois como Stella não acreditava em tal coisa, mas pelo prazer de se sentir útil, guiar alguém ao seu deestino, além do mais, gostava de ser tocado, como Stella, pois achava que as mãos deles eram mais macias além disso eram mais sensíveis, disso não tinham dúvida. Preferiam as mulheres mas o contato com os homens era mais frequente, parecia haver mais deficientes do sexo masculino na cidade.

O único medo de Stella era que as pequenas convulsões voltassem. Perto do aniversário de morte de sua mãe sua imaginação era mais útil, enxergava as coisas como elas realmente eram, sua mente era muito mais esperta e quase não dormia nesses dias, bebia para domesticar a imaginação. Não tinha medo de morrer nesses dias mas tinha medo das convulsões. Pensou em ligar pra Babi, conversar, tomar um café.


domingo, dezembro 21, 2008

terça-feira, dezembro 16, 2008

El Violin - quando a música (não) acaba

Lavorare Stanca

Sobre goela de dragão - queria beber as cinzas dos pinguins


Queria beber as cinzas dos pinguins

Tenho duas palavras que não saem da minha cabeça, marajoara e di Capri, são nomes que ouvi e li recentemente e ficaram no meu subconsciente, ou melhor, meu consciente.Quero contar uma história mas os nomes e as coisas já me narram outra história. As palavras me encantam e me confundem. Os nomes das coisas às vezes me fascinam, digo, nem sempre, mas às vezes, e parecem conter neles mesmos outros tempos, histórias fantásticas.

Tento narrar mas os detalhes me atrapalham, ao mesmo tempo sem eles não consigo contar nem apreender a experiência. Decidi contar a história desse caderno, mas me esqueci de descrever a foto contida em sua página de rosto, pois meu achado se parece mais com um livro a ser escrito do que um caderno.

A foto é estranha, em vez de descrevê-la penso em qual seria sua história. Será que a mulher na foto é a dona do caderno? Ou ela seria o motivo pelo qual o caderninho existia? Tinha um nome ao lado da foto, Stella, era o nome da fulana, ou da fotógrafa? Nome do fã que escreveria sobre inspiração da atriz? Era uma atriz sem dúvida naquela foto, pois posava sobre um palco de fundo negro.

Meu atual escritor favorito sempre começa suas histórias com um cadáver, eu começo com um caderno.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Os pingos nos is - Goela de dragão


O diabo está nos detalhes. Fui sempre muito ruim para contar histórias. Nunca conseguia prender a atenção dos ouvintes ou me esquecia dos detalhes. Talvez seja por causa da minha eterna falta de organização ou minha indisposição para se programar. Ela fica saliente na escrita.

Essa história não me redime. Odeio colocar os pingos nos is, tenho dificuldades em concatenar as idéias. Devo começar pelos lapsos, pois eles também contam uma história. Assim, começo pelo omitido, na manhã da descoberta Dona Mariana não estava lá. D. Mariana é geralmente a mulher que toma conta dos recicláveis, ela os organiza, já que os politicamente corretos como eu, são muito preguiçosos pra separar os diferentes tipos de materiais.

Todas as manhãs, especialmente as de Sábado, temos algum tempo pra conversar, digo, eu e D. Mariana. Nesse dia ela não estava e os tambores da coleta já encontravam-se abarroados, fora o monte de sacolas espalhadas pelo chão. Tinha uma casca de laranja embolorada na minha sacola, misturada com recicláveis e eu não tive coragem de pegá-la e jogá-la em outro lugar, ficou lá junto com os recicláveis.

Caminhei até uma lanchonete que fica em frente a um ponto de onibus, tomei um café e li “In Society”. Ginsberg reflete sobre a dependência da voz do autor, ou seja, a não-autonomia do autor, quero dizer, o autor como produtor, que necessita do outro e faz parte de uma classe. Estava meio sonolento, meio timido ou atordoado com o achado artesanal, as folhas do caderno pareciam costuradas com muita atenção. Pedi um café e em vez de receber um café puro ele veio com leite. Reclamei mas aceitei e tomei num copo americano devagar enquanto lia o poema de Ginsberg. Li e o reli, paguei, e saí. Fui a uma loja de 1,99 e comprei uma caneta pra começar a escrever no caderno. Paguei 1,70 pela caneta preta que custava 1,75. escrevi um bocado numa galeria. Dava uma postagem longa o suficiente, então me dirigi para uma lan-house. Não tenho internet em casa, nem computador pra arquivar o texto sobre o achado. No caminho tomei outro café, agora, um expresso, numa outra galeria. Tinha muito tempo pois era cedo e acreditava que a lan-house não estaria aberta. Tomei o café e li “The brick layer's lunch hour”, Ginsberg vê poesia no pedreiro sem camisa, eu admiro o graffit em frente ao café, do outro lado da rua, na mesma avenida da outra galeria em que há pouco eu sentara. Há muita poesia nos graffits, ou essa maneira de se expressar supera a poesia? E eu sem referente a altura tento domesticá-los, reduzí-los ao já conhecido que está morto nas estantes das livrarias, no comécio, nos museus.

sábado, dezembro 13, 2008

Goela de dragão - non attainment - o caminho do poço


“O caminho do poço”

Era mais um Sábado. Acordei, levei o lixo pra fora, fui tomar um café mas passei antes num posto de coleta seletiva. Tento ser politicamente correto em tempos de aquecimento global e crise econômica. Deixei alguns recicláveis lá e encontrei um caderno, “Goela de dragão”, primeiro li João da bíblia em caneta vermelha e alguns signos musicais desenhados a lápis sobre uma folha branca, havia algo de insólito no meu achado. Mais tarde descobri que antes dessas paginas haviam outras e uma foto ded Stella, uma atriz performática? E um excerpto de um tal Jean Chavalier.

Meu referente, por enquanto, é a data, tanto na capa preta de papelão onde se diz em letras gordas “Goela de dragão”, quanto ao lado da foto de Stella marca-se 1999. O ano em que morava em outro país.

O Sábado não era distinto só por causa do achado. Quando saí também levava Ginsberg’s “Selected poems” mas não ia jogá-lo fora como já fiz com tantos outros livros. Queria, com preguiça, ler o meu velho amigo, tomar um café. Achei no meio dos recicláveis aquele caderno e no mesmo momento me lembrei do “Zero não é vazio”. A pequena dedscoberta parecia um objeto feito por alguém consideerado louco, um tipo que cria muito mais do que os normais.

Vou chamar este texto de “non-attainment” ou fica como subtítulo, pois “Goela de dragão” também é interessante. Talvez, fique como o nome de todos os futuros textos deste caderninho. Pra não se perder posto na net.

É muito cedo e o comércio ainda não abriu, faz frio, eu escrevo no conforto de uma galeria, sentado em frente um sebo, coincidência? Um dos livros ou revistas dispostos na vitrine se chama “Spitfire”, sobre aviões ou algun tipo de arma da “Segunda guerra mundial”

sábado, novembro 29, 2008

sexta-feira, novembro 28, 2008

Carlos


"Zé-com-fome deitou olho na patroa do ``seu'' Lima Que não faz xodó na moça mas também não sai de cima Juca largou a sanfona e, abandonando o salão Foi prevaricar com a dona que vendia quentão E foi doente com doutora, indigente e protetora Foi aluna com professor E o perigoso bandoleiro, Zé Durango ``El Justicero'' Fez beicinho pro promotor Mas, faça o favor! Mas, faça o favor!"

Carlos queria aprender a amar Tânia, amiga de Diana – que também era amiga de Carlos - e namorava Túlio. Tânia ficou com Diego, esse caso era antigo, e contou pra Carlos que tinha mania de inventar que Diana gostava dele, esse caso também era antigo. Tânia continuou triste, assim como Túlio, Diana e Carlos que nunca se conheceram.

terça-feira, novembro 25, 2008

nenhuma informação é confiável


Rudolf Hermann Lotze (21 May 1817 – 1 July 1881), was a German philosopher and logician. He also had a medical degree and was unusually well versed in biology. He argued that if the physical world is governed by mechanical laws, relations and developments in the universe could be explained as the functioning of a world mind. His medical studies were pioneering works in scientific psychology.
INFORMAÇÃO TIRADA DO WIKIPEDIA

terça-feira, novembro 11, 2008

Sobre o conceito de História (XVIII)


"Comparados com a história da vida orgânica na Terra", diz um biólogo contemporâneo, "os míseros 50 000 anos do Homo sapiens representam algo como dois segundos ao fim de um dia de 24 horas, por essa escala, toda a história da humanidade civilizada preencheria um quinto do último segundo da última hora. O "agora", que como modelo do messiânico abrevia num resumo incomensurável a história de toda a humanidade, coincide rigorosamente com o lugar ocupado no universo pela história humana.

Benjamin

quarta-feira, novembro 05, 2008

terça-feira, novembro 04, 2008

Miss ya all a bunch


Because it's been evening all day long
Seth Meredith Clau Doug Rob Beth Joe Bill Bob Mark Shean Mike David Berman and Isaac

Troubles, no troubles, on the line,

& I can't standto see you,

I can't stand to see you

when you'recrying at home.

Scotch & penicillin, please try
Carlton,

a cold black maple hanger

& husbandson the run

I just got back from a dream
attack

that took me by surprise & in there
I met a lady,

her name was Shady Sides

& shesaid, "It's been evening all day long, evening
all day long & how can something so old be so
wrong".

Sin and gravity drag me down to sleep
to dream of trains across the sea,

trains acrossthe sea.

Half hours on earth, what arethey worth, I don't know.

In 27 years
I've drunk fifty thousand beers & they just
wash against me like the sea into a pier.

Silver Jews

INCESTO


"I can see little twinkly stars,
like Christmas tree lights in faraway windows.
Rings of brightly coloured rocks
floating around orange and mustard planets.
I can see huge tiger striped fishes
chasing tiny blue and yellow dashes,
all tails and fins and bubbles".

mas também olhava pra ela, parecia menor, muito mais baixa do que Claudia, mas o esperava ali onde haviam combinado de se encontrar, como poderia ser, não era, foi então que ela se aproximou e disse, sou eu sim disfarçada de outra pessoa que você ainda não conhece, como se o ainda fosse uma barreira transponível, ainda não servia de consolo, era um despropósito, resmungou, ela encostou seu rosto no dele sentindo os poucos pelos de uma barba escassa, vamos ao cinema saiu ao pé do ouvido



River man

Why not Obama?


Eventhough Republicans and Democrats are all the same (e.g "Operation Enduring Freedom" in Afghanistan)


segunda-feira, novembro 03, 2008

sábado, novembro 01, 2008

Cidade Limpa



As invasões bárbaras

Não é preciso dizer que uma civilização que deixa insatisfeito um número tão grande de seus participantes e os impulsiona à revolta, não tem nem merece a perspectiva de uma existência duradoura”.

A bienal de São Paulo tinha um espaço vazio, até que uns vândalos, invadiram o local e colocaram stickers, depois outros vieram e picharam paredes e parapeitois. Poderiam ser considerados vândalos ou barbáros esses grupos que expressaram suas idéias num espaço aberto à exposição e celebração das artes plásticas?

Difícil discutir estética, arte ou política hoje, sem pensar nas relações de propriedade. Assim a manifestação de um grupo de jovens diante do vazio da bienal seria autenticamente o que a tradição e o academicismo já chamou de arte? Esse mesmo tipo de manifestação ocorre todos os dias de maneira subreptícia por toda cidade de São Paulo.

A arte é só aquilo que está domesticado pelos museus?

Interessante é notar que essas pichações polulam os pontos mais movimentados, estão em avenidas e ruas das ilhas financeiras, geralmente aparecem em imóveis abandonados, ou seja, prédios cercados de especulação financeira por todos os lados.

Segundo uma velha perspectiva a propriedade privada é roubo, o que seria então uma propriedade privada e improdutiva?

Porém, a perspectiva hegemônica a trata como algo sagrado,ou melhor, principio do estado de direito. Logo, sua invasão constitui crime. Assim os garotos teriam cometido um grave crime, considerado como invasão e destruição de propriedade. Embora o prédio em questão promova a arte. Embora esse mesmo lugar que celebra a arte reserve um espaço vazio com uma proposta de nos fazer refletir sobre a arte.

Acho que a arte se tornou protocolar, ou light como disse Frederick Jameson, em todos os âmbitos, inclusive no campo das artes plásticas. Sobre a citação acima, não foi Marx, tampouco Engels, não foi Bakunin, nem Lenin ou Trotsky, muito menos Che , mas Freud

O cinismo da nossa sociedade pós moderana, pós capital, pós humana, não diz que o problema é de tolerância, por que não toleram a arte desses grupos, seria porque certos pricípios seraim invioláveis mesmo perante a arte?



sexta-feira, outubro 31, 2008

mais História


A tradição dos oprimidos nos ensina. que o "estado de exceção" em que vivemos é na verdade a regra geral. BENJAMIN

quinta-feira, outubro 30, 2008

quarta-feira, outubro 29, 2008

tindersticks

Tindersticks My Sister lyrics

"Do you remember my sister?

How many mistakes did she make with those never
blinking eyes?

I couldn't work it out.

I swear she could read your mind, your
life, the depths of your soul at one glance.

Maybe she was stripping herself
away, saying
Here I am, this is me
I am yours and everything about me, everything you see...
If only you look hard enough
I never could.

Our life was a pillow-fight.We'd stand there on the quilt, our hands clenched
ready.

Her with her milky teeth, so late for her age, and a Stanley knife in
her hand. She sliced the tyres on my bike and I couldn't forgive her.

She went blind at the age of five. We'd stand at the bedroom window and she'd
get me to tell her what I saw.

I'd describe the houses opposite, the little
patch of grass next to the path, the gate with its rotten hinges forever wedged
open that Dad was always going to fix. She'd stand there quiet for a moment.

Ithought she was trying to develop the images in her own head. Then she'd say:


I can see little twinkly stars,
like Christmas tree lights in faraway windows.
Rings of brightly coloured rocks
floating around orange and mustard planets.
I can see huge tiger striped fishes
chasing tiny blue and yellow dashes,
all tails and fins and bubbles.

I'd look at the grey house opposite, and close the curtains.
She burned down the house when she was ten.

I was away camping with the scouts.
The fireman said she'd been smoking in bed - the old story, I thought.

The cat
and our mum died in the flames, so Dad took us to stay with our Aunt in the
country. He went back to London to find us a new house. We never saw him again.

On her thirteenth birthday she fell down the well in our Aunt's garden and
broke her head. She'd been drinking heavily.

On her recovery her sight
returned, a fluke of nature everyone said. That's when she said she'd never
blink again. I would tell her when she started at me, with her eyes wide and
watery, that they reminded me of the well she fell into. She liked this, it
made her laugh.

She moved in with a gym teacher when she was fifteen, all muscles he was. He
lost his job when it all came out, and couldn't get another one.

Not in that
kind of small town.

Everybody knew everyone else's business.

My sister would
hold her head high, though. She said she was in love. They were together for
five years until one day he lost his temper. He hit over the back of the neck
with his bullworker. She lost the use of the right side of her body. He got
three years and was out in fifteen months. We saw him a while later, he was
coaching a non-league football team in a Cornwall seaside town. I don't think
he recognized her.

My sister had put on a lot of weight from being in a chair
all the time. She'd get me to stick pins and stub out cigarettes in her right
hand. She'd laugh like mad because it didn't hurt. Her left hand was pretty
good though. We'd have arm wrestling matches, I'd have to use both arms and
she'd still beat me.

We buried her when she was 32. Me and my Aunt, the vicar, and the man who dug
the hole. She said she didn't want to be cremated and wanted a cheap coffin so
the worms could get to her quickly. She said she liked the idea of it, though

I
thought it was because of what happened to the cat, and our mum".

Tindersticks My Sister lyrics

quinta-feira, outubro 23, 2008

Prazer em conhecer


" Não consigo entender muito bem porque alguém deva escrever o que quer que seja. O vasto mundo se basta, não tem nenhuma necessidade de nossas palavras" SIMONE DE BEAUVOIR

"NÓS É QUE RECONTRUÍMOS AS NOSSAS LEMBRAÇAS. LEMBRAR É FUNDAMENTALMENTE RECONSTRUIR" Cleusa Rios

Em español a irregularidade do verbo sentir é a mesma do mentir, assim como a irregularidade do verbo dormir é a mesma do morir. Coincidências?

quarta-feira, outubro 22, 2008

terça-feira, outubro 21, 2008

Benjamin (ADRIANA)


"O passado traz consigo um índice misterioso, que nos impele à redenção. Pois não somos tocados por um sopro do ar que foi respirado antes? Não existem nas vozes que escutamos, ecos de vozes que emudeceram? Não têm as mulheres que cortejamos irmãs que elas não chegaram a conhecer? Se assim é, existe um encontro secreto, marcado entre as gerações precedentes e a nossa. Alguém na terra está a nossa espera. Nesse caso, como a cada geração foi nos concedida uma frágil força messiânica para qual o passado dirige um apelo. Esse apelo não pode ser rejeitado impunimente. O materialista histórico sabe disso." BENJAMIN

"leite, leitura,

letras, literatura,


tudo o que passa,


tudo o que dura


tudo o que duramente passa


tudo o que passageiramente dura

tudo, tudo, tudo,


não passa de caricatura


de você, minha amargura


de ver que viver não tem cura"

LEMINSKY

http://cariricult.blogspot.com/2007/08/blowup-leminsky.html

quinta-feira, outubro 16, 2008

Do que temos em comum


"Quem sabe a que escuridão de amor pode chegar o carinho" LISPECTOR

Somos sujeitos com capacidades de construir narrativas racionais ou de delírio e algumas vezes uma, outra, em que ambas se relacionam. Muitas vezes, por se tornarem tão orgânicas elas se tornam, outros, seres suplementares a nós mesmos como diz o narrador em À sombra das raparigas em flor

Cemetry gates

"A dreaded sunny day
So I meet you at the cemetry gates
Keats and Yeats are on your side
A dreaded sunny day

So I meet you at the cemetry gates
Keats and Yeats are on your side
While Wilde is on mine

So we go inside and we gravely read the stones

All those people, all those lives

Where are they now ?

With loves, and hates

And passions just like mine

They were born

And then they lived
And then they died
It seems so unfair
I want to cry
You say : "'Ere thrice the sun done salutation to the dawn"
And you claim these words as your own
But I've read well, and I've heard them said
A hundred times (maybe less, maybe more)

If you must write prose/poems

The words you use should be your own
Don't plagiarise or take "on loan"
'Cause there's always someone, somewhere

With a big nose, who knows

And who trips you up and laughs
When you fall Who'll trip you up and laugh
When you fall You say : "'Ere long done do does did"
Words which could only be your own
And then produce the text
From whence was ripped (Some dizzy whore, 1804)
A dreaded sunny day
So let's go where we're happy
And I meet you at the cemetry gates
Oh, Keats and Yeats are on your side

A dreaded sunny day

So let's go where we're wanted
And I meet you at the cemetry gates
Keats and Yeats are on your side

But you lose
'Cause weird lover Wilde is on mine
Sure !"

SMITHS

quarta-feira, outubro 15, 2008

SOBRE AS ESCOLHAS


"Indubitávelmente, raríssimas pessoas compreendem o caráter puramente subjetivo desse fenômeno em que consiste o amor e como é o amor uma espécie de criação de um indivíduo suplementar, distinto daquele que usa no mundo o mesmo nome, e que formamos com elementos na maioria tirados de nós mesmos. Por isso, poucos são os que podem achar naturais as proporções enormes que acaba assumindo para nós uma criatura que não é a mesma que eles vêem".

mais além

(...) "Os elos que nos unem a uma criatura se santificam quando ela se coloca no mesmo ponto de vista que nós para julgar algum de nossos defeitos".

terça-feira, outubro 14, 2008

Trecho de "O autor como produtor"


"Para maior clareza, coloco em primeiro plano a forma fotográfica dessa técnica. O que for válido para ela pode ser transposto para a forma literária. Ambas devem seu ímpeto excepcional à técnica da publicação: o rádio e a imprensa ilustrada. Pense-se no dadaísmo. A força revolucionária do dadaísmo estava em sua capacidade de submeter a arte à prova da autenticidade. Os autores compunham naturezas mortas com auxilio de bilhetes, carretéis e pontas de cigarro aos quais se associavam elementos pictórios. O conjunto era posto numa moldura. O objeto era então mostrado ao público: vejam, a moldura faz explodir o tempo; o menor fragmento da vida diária diz mais que a pintura. Do mesmo modo a impressão digital ensangüentada de um assassino, na pagina de um livro diz mais que o texto. A fotomontagem preservou muitos desses conteúdos revolucionários. Basta pensar nos trabalhos de John Heartfield, cuja técnicatransformou as capasa dos livros em instrumentos políticos. Mas acompanhemos um pouco mais longe a trajetória da fotografia. Que vemos? Ela se torna cada vez mais matizada, cada vez mais moderna, e o resultado é que ela não pode maisfotografar cortiços ou montes de lixo sem transfigurá-los. Ela não pode dizer, de uma barragem ou de uma fábrica de cabos, outra coisa senão: o mundo é belo.este é o título do conhecido livro de imagens de Renger-Patsch, que representa a fotografia da 'Nova Objetividade' em seu apogeu. Em outras palavras ela conseguiu transformar a própria miséria em objeto de fruição, ao captá-la segundo os modismos amis aperfeiçoados. Por que se uma das funções econômicas da fotografia é alimentar as massas com certos conteúdos que antes ela estava proibida de consumir – a primavera, personalidades eminentes, países estrangeiros – através de uma elaboração baseada na moda, uma das suas funções políticas é a de renovar, de dentro, o mundo como ele é – em outras palavras, segundo os critérios da moda".

BENJAMIN

segunda-feira, outubro 13, 2008

Amanhã tem marxista com formação em psicanálise


Slavoj Zizek no Sesc Vila Mariana, é amanhã, imperdível, tem um trecho do wikepedia esse é sobre um de seus "conceitos", idéias que vão contra o discurso hegemônico?

A travessia do Fantasma – Comummente julga-se que a psicanálise tem como pressuposto libertar-nos dos nossos fantasmas, permitindo-nos confrontar com a realidade tal qual ela é. Nada mais errado: Lacan pretendia, pelo contrário, dar a ver como, na nossa existência quotidiana, nos encontramos imersos na realidade, estruturada e sustentada pelo fantasma, sendo esta imersão perturbada pelos sintomas que testemunham o facto de um outro nível da nossa psique, reprimido, resistir a essa imersão. Atravessar o fantasma significa, então, paradoxalmente, identificar-se completamente com ele, isto é, com esse fantasma que estrutura o excesso que resiste à nossa plena imersão na realidade quotidiana, distinguir claramente o que é realidade do que é a nossa ficção, o nosso fantasma. Temos de conseguir distinguir, naquilo que apreendemos como ficção, o núcleo sólido do Real, que só podemos enfrentar se o ficcionarmos. Em suma, temos de distinguir como uma parte da realidade é transfuncionalizada pelo fantasma, de modo que, apesar de constituir parte da realidade, é apreendida no modo da ficção. A exposição do próprio Fantasma é um acto demasiado traumático para ser dito numa conversa. Daí que na psicanálise a figura do terapeuta tende à invisibilidade, ou então como, n’A Pianista, a professora dá a conhecer o seu Fantasma ao aluno apenas por escrito. O Fantasma exposto constitui o núcleo do seu ser, que está mais nela do que ela própria.

bom tem mais um montão de coisa interessante, inclusive sobre o que ele chama de Real, bom dar uma olhada
http://pt.wikipedia.org/wiki/Slavoj_%C5%BDi%C5%BEek

Souvenir


"a usually small and relatively inexpensive article given, kept, or purchased as a reminder of a place visited, an occasion, etc.; memento".

Todos estavam mortos. Um passarinho ou uma flor, não importa, assim como todos indo mais um dia pro trabalho, mortos. Lembrou-se de que ela também estaria morta. Aquela dorzinha na têmpora, do lado esquerdo, uma dor tão banal, havia se tornado epitáfio, sentença de morte, condenação, etc. Encarava seu reflexo no espelho do ônibus, morta sem ao menos ter vivido, amou Douglas, conheceu a Índia e o México, mas isso não contava mais.

Lembrava-se também de Ulysses, da pergunta, você acredita em Deus, agora é que ela não acreditava mesmo. Sempre quis ter um filho, se chamaria Felipe ou Frederico, e se fosse menina o parceiro escolheria. E deus não fazia nenhum sentido numa vida sem sentido algum. Um passarinho ou uma flor, mortos, sem valor algum, sem valor nenhum, etc.

Não tinha mais nenhuma vontade em continuar, nenhum desejo, gostava de conversar com Silvia, talvez seu único desejo fosse ver Silvia, sua única vontade era encontar Silvia e lhe falar da sensação do diagnóstico, quando o médico lhe disse que morria, num tom protocolar, um hálito quente e agradável, pensou em Frederico ou Felipe, não iria mais conhecê-los e chorou.

"pero ellos ni siquiera saben
que mientras ruedan en su amarga arena
hay una pausa en la obra de la nada,
el tigre es un jardín que juega".


CORTÁZAR






sexta-feira, outubro 10, 2008

Brazil


Song by Xavier Cugat

Brazil, where hearts were entertaining June,
We stood beneath an amber moon
And softly murmured "someday soon."
We kissed and clung together,
Then, tomorrow was another day
The morning found me miles away
With still a million things to say;
Now, when twilight dims the sky above
Recalling thrills of our love,
There's one thing I'm certain of
Return I will to old Brazil.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Bleu


"Como a chuva de caju, que cai de repente no calor mais duro de novembro."

O menino olhou pra menina, você é a garota mais encantadora que já vi, a menina ficou encabulada, o menino, eu queria escrever um poema pra você, a menina achou que era um exagero, eles não se conhecem mas se divertem muito juntos, as risadas dela são engraçadíssimas, seu sorriso encanta, a menina, eu morro, o menino, eu napo

crise de superprodução (logocracia)


O grande problema dos escritores, de acordo com Benjamin, tal como dos intelectuais, é não se sentirem como membros de uma profissão, não possuem nenhum sentimento de classe, quando muito se sentem entre classes ou à margem delas. Assim como o esccritor de literatura light (cf. Jameson ou Adorno) acredita em sua autonomia e não percebe que sua escrita compactua com certos interesses, o escritor mais progressista é cerceado nos jornais, por exemplo, porque essas empresas pertencem ao capital.

O maior problema é que ao se imaginarem distintos e autonomos criam a fantasia da logocracia.

Quando Benjamin escreveu esse texto ele era dirigido aos escritores da esquerda burguesa, ou seja, os progressistas ou algo que o valha.

segunda-feira, outubro 06, 2008

as tardes cinzas


As tardes cinzas
às tardes cinzas

sexta-feira, outubro 03, 2008

Iluminuras?



Disse aos dois moleques que ali não era o lugar deles. Não deviam brincar num supermercado. Domingo, definitivamente, era dia de parque, bola, pega-pega. No entanto, sabia que os dois pediam, queriam comer, não estavam ali para brincadeiras.

Injustiça, paradoxo, chamem como queiram, o fato é que os dois homenzinhos diante de tantos produtos, tantas opções, não tinham como matar a fome. Não havia o essencial pra tirar dali qualquer coisa que os satisfizessem.

Todo mercado pressupõe troca, e os meninos não tinham o que trocar. O segurança ficou feliz em ter aprendido isso na aula de sociologia do supletivo que fazia à noite. Expulsou os meninos e os ameaçou por uma possível volta.

quarta-feira, outubro 01, 2008

LEndo (joie énivrant)


Museu e mausoléu
uma simples conhecidência fonética? Pergunta Adorno em espanhol ( verdadeira torre de babel). estou lendo um texto do Adorno chamado Museu Valéry- Proust. O autor reflete sobre visões diferentes dos autores sobre a arte no museu. o que para Valéry significa causa de luto para Proust, motivo de comtemplação.

também estou lendo Benjamin, em inglês, (heh) sobre Proust, memória involuntária e crítica ao snobbery