sexta-feira, fevereiro 17, 2017
quarta-feira, fevereiro 15, 2017
Running everywhere at such a speed
"A bee is never as busy as it seems; it's just that it can't buzz any slower." (Kin Hubbard)
terça-feira, fevereiro 14, 2017
sábado, fevereiro 04, 2017
Agoridade
Para Olgária Matos:
As nuvens e a garoa comovem
esta manhã. De longe escuto aos
adestradores de desejos, não importa, vivemos num ruído continuo e
intermitente, não importa, caminho, para onde? Não sei, não importa, o corpo
foi feito pra movimentar-se, caminhar e sonhar novos e antigos espaços, o corpo foi feito
para ser consumido pelos sonhos de liberdade.
Tateando numa noite qualquer
retinta, percebo a vida breve e vislumbro suas metáforas, suas figuras de
linguagem, num eterno pasmo pueril, sempre atento, porém é difícil estar sempre
atento, tão fácil baixar a guarda nesses tempos de medos, violência, ignorância
e preconceitos, tempos de cientificismo, de ciência em si, de técnicas
despoetizadoras, tempos de espetáculo e ruído,
de ética do consumo, tempos do Capital como religião, tempos de trabalho
alienado e urbanização alienante, tempos de urbanismo da alienação em nome da (i)lógica
do mercado.
“Si el bien no existe, hay que inventarlo.” Caminho como muitos
de minhas irmãs e irmãos, como meus pais, como meus mortos. Para onde? Não sei,
não importa. O importante é tentar perceber melhor o presente, tentar enxergar
melhor as coisas e seus fantasmas. Aproveitar a paisagem. Elaborar e amar até o
fim. Projetar-se.
O entardecer parece sempre a
parte mais bela e melancólica desta viagem.
(Alchelas )
(Alchelas )
terça-feira, janeiro 31, 2017
Ser su trovador:
entiendo a Calipso mientras la escucho tan lejos
entiendo las nubes
percibo el clima de la vida breve
aunque me gustaría tocar Calipso como se tocan las nubes,
como se toca el charango:
como se toca el charango:
tocar su sonrisa y sus heridas
además de escucharla me encanta saberla
segunda-feira, dezembro 19, 2016
Triste de chuva:
(Imagem by Ronim)
Em
minha solidão, triste de chuva, penso em Carlos Antonio López, Francisco Solano, el Coronel Aureliano
Buendía, el Comandante Fidel Castro, penso em Che Guevara. Penso em todas as
Úrsulas, mães de nosso continente. Penso na solidão e na cumplicidade
fraternal. Penso na cumplicidade e na solidão
da sororidade. Penso nos feminicídios. Penso na mãe África. Penso nos
analfabetos de nossa América Latina. Penso no abismo incolor do nada e na
espiral luminosa do possível. Penso na matéria da memória, em seu tempo e em sua consciência. Penso na legitimação da
violência e na legitimação da barbárie promovida pelo Estado. Penso no
conservadorismo da indústria cultural e penso na reificação do ser humano
provocada por essa mesma indústria. Penso nos filmes de ação norte-americanos e
em débeis heróis inverossímeis, penso na épica distorcida e anacrônica de um
mundo artificialmente maniqueísta. Penso nos vídeo games de hoje e no sadismo
latente e patente desses jogos além do gozo também sádico de seus jogadores
cultivado pelo comportamento de massas. Penso em Cem anos de solidão, penso nas
Veias abertas da América Latina e também penso e rumino a Literatura, violência
e melancolia. Penso em aprender a recontar essas histórias e outras
tantas. Penso na paixão dos suicidas e
na paixão dos que lutam pela terra, na paixão dos que lutam pela educação, dos que lutam por condições
mais dignas de trabalho, penso nos que lutam por condições dignas e liberdade
de se amarem. Penso no papel da mídia e de seus deformadores de opinião. Penso
em ilusões e desejos. Penso em quem cozinha o banquete da vitória. Penso em
Brecht. Penso: entre el deseo y la
palabra, un puente insalvable. Penso no consumo no lugar da felicidade.
Penso em Esperanza Araiza. Penso em Malinche. Penso em aproveitar melhor a
caminhada, penso em mirar, beber e absorver a paisagem, suas cores, seus
sabores e seus odores. Penso no Tempo. Penso na estética e na ética. Penso em
escrever e ler todos os dias. Penso na competição que gera a falta de solidariedade.
Penso nas ilhas de Cuba e do Haití. Penso em fantasias e ficções. Penso em
Paula C. Penso em Beatriz, Benjamin,
penso nas crianças desamparadas nas ruas e penso nos órfãos. Penso nas chacinas
de negros e pobres nas periferias. Penso em Buenos Aires e leio Alejandra
Pizarnik. Penso no México, em meus bons amigos, carnalitos, régios, tapatíos,
companheiros de aventuras e de leituras, penso no México todo tempo, em seus
heróis e suas canções. Penso em meu pai e penso em minha irmã. Penso em escrever
no ar e em recitar poemas. Penso em levantar defuntos e em salvar nossos
mortos. Penso em Walter Benjamin. Penso em meus irmãos, penso nos vencidos, e
nos que resistem às intempéries das ruas, sobretudo penso em nós, subalternos. Penso
no acriançamento das palavras. Penso
em Remedios
en la clepsidra secreta de las polillas. Penso em recordar
Margarida suas histórias, sua dor e morte, penso em Antonio, Dona Francisca,
Manoel e Dona Nazaré. Sinto e penso. Penso que há golpes tão fortes na vida.
Penso: seria a solidão um artifício, uma invenção?
terça-feira, dezembro 13, 2016
sábado, novembro 26, 2016
El Comandante se fue
"Quando perguntei a um influente jornalista cubano se lá existe liberdade de imprensa, ele deu uma gargalhada e respondeu: "Claro que não". E completou, com naturalidade: "Liberdade de imprensa é apenas um eufemismo burguês. Só um idiota não é capaz de ver que a imprensa está sempre a serviço de que detém o poder. E aqui em Cuba quem detém o poder é o proletariado. Estamos todos os jornalistas cubanos, portanto, a serviço do proletariado".
A ilha - Fernado Moraes
terça-feira, novembro 22, 2016
Do tempo real ao imaginário
"O que é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém me perguntar eu o sei; se eu quiser explicá-lo a quem me fizer essa pergunta, já não saberei dizê-lo."
Sto. Agostinho
"Que coisa mais veloz, mais fugitiva, e mais instável que o tempo? Tão instável, que nenhum poder, nem ainda o divino o pode parar."
Pde. Antonio Vieira
Tempo é plural e polissêmico, é movimento e mudança:
Tempo, estrutura de possibilidades
Tempo, tecido da vida
Tempo intuído porém nunca medido
Tempo preenchido por conteúdo e contado por meio de músicas e histórias
domingo, novembro 20, 2016
Coronel Aureliano Buendía
El coronel Aureliano Buendía peleaba por Remédios
peleaba por orgullo
peleaba por la soledad
peleaba contra la soledad
peleaba con presagios
peleaba y seguía escribiendo
peleba y escrebía poemas inspirados en Remédios
quinta-feira, novembro 17, 2016
Sonhando com Calvino
Por que ler os clássicos?
Porque ler os clássicos é melhor que não lê-los.
(Da revista Beleléu, R.J.)
terça-feira, novembro 08, 2016
Entre o desejo e a palavra, mil fragmentos.
Tempo... quanto tempo, pois é... quanto tempo... Tomar de volta nosso tempo! Se o tempo é o tecido de nossas vidas, o que fazemos com ele? Ou ele é tecido de nossas vidas e compositor de destinos ao mesmo tempo?
Tomar nosso tempo com os amores e com as dores.
Tomar nosso tempo com os silêncios e ruídos da cidade, de nosso caos meridional. Andar e se perder para conhecer a organização do caos, para perceber a cidade e suas ruas, seus prédios e sua periferia.
Tomar o tempo com os pés, com os olhos, com a pele e as papilas.
Tomar o tempo com as imagens e metáforas da cidade.
Tomar o tempo com as ilusões e alucinações da cidade.
Tomar nosso tempo inaugurando novos sujeitos.
Tomar nosso tempo ouvindo e imaginando transformações.
Tomar nosso tempo suportando o tempo vazio.
Tomar nosso tempo através dos pés.
Tomar nosso tempo pelo meio da ação e da intervenção. Redimir e revolucionar.
Vivências subjetivas e objetivas.
Tomar o tempo subjetivo e social.
Acima de tudo perceber o tempo e viver a experiência temporal. Sem idealização, talvez.
Redenção e revolução, coletiva e subjetiva? Ou perdemos a experiência mas ganhamos velocidade. Tudo mais limpo e prático. Sem tempo pra mim e sem tempo pra vocês? Sem tempo pra nós?
Tomar o tempo e ouvir uma música sonhada pelo vento, sonhada nas ruas e vielas, escrever uma poesia que diga o indizível.
segunda-feira, novembro 07, 2016
3 de enero [1959]
"He dejado el psicoanálisis. No sé por cuánto tiempo. Estoy muy mal. No sé si neurótica, no me importa. Me siento muy pequeña, muy niña. Y me van abandonando todos. Absolutamente todos. Mi soledad, ahora, está hecha de quimeras amorosas, de alucinaciones... Sueño con una infancia que no tuve, y me reveo feliz ―yo, que jamás lo fui―. Cuando salgo de estos ensueños estoy anulada para la realidad externa y actual. Jamás hubo tanta distancia entre mi sueño y mi acción. No salgo, no llamo a nadie. Cumplo una extraña penitencia. Y me duele funestamente el corazón. Tanta soledad. Tanto deseo. Y la familia rondándome, pesándome con su horrible carga de problemas cotidianos. Pero no los veo. Es como si no existieran. Siento, cuando se me acercan, una aproximación de sombras fastidiosas. En verdad, casi todos los seres me fastidian. Quiero llorar. Lo hago. Lloro porque no hay seres mágicos. Mi ser no tiembla ante ningún nombre ni ninguna mirada. Todo es pobre y sin sentido. No digamos que yo soy culpable de ello. No hablemos de culpables.
He pensado en la locura. He llorado rogando al cielo que me permitan enloquecer. No salir nunca de los ensueños. Ésta es mi imagen del paraíso. Por lo demás, no escribo casi nada.
Hay sin embargo, un anhelo de equilibrio. Un anhelo de hacer algo con mi soledad. Una soledad orgullosa, industriosa y fuerte. Es decir: estudiar, escribir y distraerme. Todo esto sola. Indiferente a todo y a todos."
Benjamin
Minhas asas estão prontas para o vôo,
Se pudesse, eu retrocederia.
Se ficasse no tempo vivo,
Eu teria menos sorte.
(Gerhard Scholem, Saudação do Anjo)
Mein Flügel ist zum bereit de Schwung,
ich kehrte gern zurück,
denn blieb ich auch lebendige Zeit,
wenig de hätte de ich Glück.
(Gerhard Scholem, ‘VOM DE GRUSS ANGELUS ')
domingo, novembro 06, 2016
Entre fragmentos, entre lamentos.
Entre el deseo y la palabra,
um puente insalvable – penso em todos, inspirado principalmente por Pizarnik e
Barthes.
O ser cuja essência é
compreender é feito de carência e sede? É feito de falta? É ser faltante?
Entre um chorinho e outro, lamentos
bem menores que do Valongo.
sexta-feira, novembro 04, 2016
La máquina de la memoria:
Talvez
seja difícil escrever sobre o ocorrido na minha língua materna. Talvez esse
seja o motivo do título. Fazendo meu caminho de volta pra casa estava pensando
no que ocorreu hoje e quando sentei pra escrever sobre os fatos me sai o título
em espanhol e juro que também pensei em escrever em inglês pois afinal já havia
treinado pela tarde contar essa história sem inibições mas questões na língua ‘global’
que não é a minha materna. Enfim contar ou não contar eis a questão.
Questões
não me faltam nesses dias e hoje não foi diferente. Havia saído de uma aula,
caminhava até a escola onde normalmente dou aulas de Inglês e fui almoçar pelo
caminho onde almoço de costume nesse dia. Fica perto de um grande terminal de
ônibus da região. Logo, pelas redondezas há muitos botecos escuros e
restaurantes de comida barata. Almoço num desses lugares simples de refeições fartas
e preço razoável. Havia pedido algo e já começava a comer a pequena salada de
entrada quando vi um senhor negro, maltrapilho e sujo entrar cambaleante pelo
salão.
Ele
pediu algo no balcão, eu achei que era pinga ou qualquer coisa alcoólica e forte
pra beber, que foi negado e logo ele voltou em minha direção. Esse homem parou
ao meu lado e me pediu algo que eu imaginava que fosse comida, mas não sei se
eu não queria dar minha pequena salada, ou achava absurdo alguém passando fome
pedir uma salada de alface com tomate, ou achei que aquele tipo não estivesse
com fome, ou realmente não entendia o que pedia. O fato é que eu fiz com que
ele repetisse três vezes de uma maneira esdrúxula seu pedido por comida. Em
seguida chegou o rapaz das mesas e lhe perguntou mais uma vez o que ele queria
e ele disse que lhe traria uma salada num pão.
Enquanto
o empregado de mesa buscava seu humilde lanche ele passou pelas minhas costas
em direção a mesa de duas mulheres que apenas terminavam seu almoço.
Insistentemente e de maneira abrupta, com tom de voz alto, e locução alterada
pelo tempo ou pelo álcool começou a pedir os pedaços de carnes que restavam nos
pratos das comensais. Uma das clientes se irritou porque enquanto pedia ele
quase tocava seu prato que ela ainda tentava comer. Enquanto a outra amiga lhe
entregava o pedaço de carne. A mulher um pouco desconcertada mas ao mesmo tempo
calma dizia que lhe entregaria um pedaço mas pedia que ele esperasse o garçom
que também lhe entregaria algo. Por fim ela também cedeu um pedaço mínimo de seu
almoço ao agressivo senhor pedinte.
Eu
confesso que fiquei mal, tive dó e ao mesmo tempo raiva daquele homem. No final
o garçom lhe entregou seu parco lanche e
pediu que ele se retirasse. Eu como bom hipócrita fui conferir se o
hostil mendigo havia pedido mesmo o que eu achava que houvera. Sim.
Talvez
não se possa esperar de alguém que vive, ou sobrevive, ou resiste nas ruas, às
intempéries, à sorte e ao léu um pouco de boas maneiras. Gentileza talvez seja
somente pra quem tem o que comer ou um lugar razoavelmente seguro pra dormir.
quinta-feira, novembro 03, 2016
Para Luis Villar
Sampa de gente
Sampa de imagens
Sampa de memórias e de histórias
São tantas cores e dores numa só cidade
No maior organizado caos meridional
Sampa dos pesadelos e sonhos do dia a dia
(Foto by Paula Kz)
quinta-feira, outubro 27, 2016
Variações de um mesmo tema
Preciso enxergar como as crianças
preciso sentir como as mulheres sentem
e ler como um poeta
por que há tanta gente dormindo na rua?
por que tanto pedinte chorando?
por que as pessoas fingem não vê-los?
eles 'moram' na rua mesmo? por que?
sexta-feira, outubro 21, 2016
somos o universo e um grão de areia
a gente é tudo,
a gente é emoção, desespero, sensibilidade, angústia e ódio e o alienígena sem remédio
também somos aquele que está inspecionado pela medicação, domesticado pela família, dominado pelos amigos, vigilado pela sociedade
somos resignados
somos tudo isso e talvez muito mais
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