quinta-feira, maio 25, 2017

Farrapos de ideias



Um dia uma grande mulher juntou essas duas palavras acima  pra escrever sobre os descasos, as mazelas e injustiças que então eram recorrentes em 1920 e que fluem até hoje em nossa sociedade. Gostaria de usar estas palavras suas pra juntar ideias e organizar saídas, ou pelo menos tentar entender e perceber o atual estado das coisas aqui no Brasil do golpe. Hoje também mostrei na escola onde trabalho pra um punhado de gente jovem que há grandes heróis brasileiros e nosso trabalho é ressuscitar e falar sobre eles nas escolas, fábricas, nos escritórios e no comércio, nos bares e campinhos, igrejas e bibliotecas, na tevê e nos cinemas, nos cafés e nos botecos. Salve mestra Antonieta de Barros.

terça-feira, maio 23, 2017

Desde el fin del mundo hasta el rio Bravo


Soy el recuerdo de mi madre
        el continente absurdo

Soy la lontananza
       la añoranza de la región más transparente

Soy las niñas y los niños en las calles
       los invisibles rucos y rucas callejer@s

Soy los que no tenían voz hasta ayer

Soy los que no sabían escribir hasta ayer

Soy los muertos olvidados
     
El desierto, los desiertos, los cerros, las selvas y los animales más débiles y feroces

Soy el más grande genocidio olvidado

Soy la sangre y sus huellas en la historia de los vencidos

Soy la madre de la poesia mexicana

Soy la ultima noche del mundo





terça-feira, maio 16, 2017

Yuyos ruines


O narrador propõe outros tipos de relações entre o eu e o outro nas quais​ a linguagem e o espaço tecem tramas inimagináveis, e onde quase tudo está conectado embora as conexões seguem muito além da razão e lógicas clássicas ou greco-romanas ou judaica-cristãs.
Ontem ouvia poemas, ou seja, os recitava mentalmente enquanto lia uma página de Los detectives salvajes. Em tempos de tanto ruído, foi interessante a experiência. Vou tentar novamente, desta vez por mais páginas e por mais tempo. Tive a impressão que meus olhos paravam atentamente em muitos substantivos.
Hoje assisti Paterson de novo e às vezes fechava os olhos para alguns diálogos já previstos e alguns poemas. Fiz isto para perceber outras imagens e outras cores, enfim, outros sons. Anotei algo sobre poemas e autores que devo ler.

domingo, maio 14, 2017

Punks poetas

La dificultad de leer está en la dificultad de establecer prioridades. Además, la necesidad de compartir fotos y lecturas en las redes sociales, o algo por el estilo, me desconecta de las lecturas y sus imágenes. Qué chingaderas!

sábado, maio 06, 2017

Festina Lente


"Entre as múltiplas virtudes de Chuang-Tsê estava a habilidade para desenhar. O rei pediu-lhe que desenhasse um caranguejo. Chuang-Tsê disse que para fazê-lo precisaria de cinco anos e uma casa com doze empregados. Passados cinco anos, não havia sequer começado o desenho. “Preciso de outros cinco anos”, disse Chuang-Tsê. O rei concordou. Ao completar-se o décimo ano, Chuang-Tsê pegou o pincel e num instante, com um único gesto, desenhou um caranguejo, o mais perfeito caranguejo que jamais se viu."
(Italo Calvino)

"Un giorno il re chiede a Chuang-Tzu – il più bravo pittore della Cina – il disegno di un granchio. Chuang-Tzu risponde: “Ho bisogno di cinque anni di tempo e di una villa con dodici servitori!”. Il re acconsente. Dopo cinque anni il re va nella villa per vedere l’opera di Chuang-Tzu, ma scopre che il disegno non è ancora cominciato. “Ho bisogno di altri cinque anni per finire il mio lavoro” dice Chuang-Tzu. E il re acconsente di nuovo. Dopo altri cinque anni torna nella villa per vedere se il disegno è pronto. Chuang-Tzu allora prende in mano un pennello e in un momento, con un solo gesto, disegna un granchio, il più perfetto granchio mai visto."

(Italo Calvino)

terça-feira, maio 02, 2017

Tudo que se pode dizer é mentira:



Cúmplices e culpados em versos tristes
Saudades que morrem ou são mortas
Mas então veem outras

Chega Maio e eu nunca estive À Sombra do Vulcão

Culpados e cúmplices, me entrego e nos entrego a outros versos, outras linhas, outras canções
Mas não ligo nada com coisa alguma, nem ponto A tampouco B
Escondendo minha tristeza pra cuidar da vida
E minha saudade, o amor à Flor de Cactos

sábado, abril 29, 2017

O real perturbado e contaminado pela ficção

"Nem tudo é ficção mas tudo pode ser lido como ficção. Ser borgeano é ter a capacidade de ler tudo como ficção e de acreditar no poder da  ficção. A ficção como uma teoria da leitura." (Piglia)

quinta-feira, abril 27, 2017

Baderna

Amanhã vai ter baderna? Diz um coração sem muita informação, sem esperança e colonizado. Um coração que mistura assuntos mas não bate mais, não se move e tampouco sente que faz parte dá massa.

segunda-feira, abril 24, 2017

Abandono e desmemoria




Nas florestas ou nas cidades onde Dallana e curimins morrem de espanto e gripe; Onde Mercedes e muitas outras mulheres resistem, sofrem e morrem... e seguem contando suas histórias e resitem e morrem...
Cuales son los límites de lo literario que articulan lo político y las narrativas que no siguen lo de la ilusión y el fetichismo del progreso. 
Cómo enlazar el poético, el estético y lo político?

sexta-feira, abril 21, 2017

Shuar

Nankints es un un mundo muy lejos en la Amazonia Andina

Tierra de vallentes mujeres y hombres que resistieron a los incas

Donde hoy se muere de espanto y gripe

segunda-feira, abril 17, 2017

Alegria, tempo e memória




(Foto: Anka Zhuravleva)

Seu Paulo, em seu universo racionalista, me diz que a vida é uma ilusão e que o mundo todo está encantado. Concordo em partes, talvez o mundo esteja coberto por mercadorias e fetiches, talvez a vida seja uma ilusão ou várias ilusões, ficções, narrativas que inventamos pra poder dar sentido a um mundo sem sentido. Embora acredite que seu Paulo tenha razão, em um ponto sou inflexível: o mundo, a natureza e seus sujeitos, ou seja, nós mesmos estamos desencantados. Há muito tempo não há magia tampouco deuses existem mais. Justamente por confiarmos tanto na razão e nos seus próceres, cientistas, filósofos e idólatras. Talvez a razão e o discurso hegemônico estejam ganhando corações e mentes há pelo menos uns 200 anos.

Me faço estas perguntas lendo uma filósofa que me tira da zona de conforto, que me faz pensar e me angustia e paro em frases como estas:
(...)
“A história do Ocidente é a da dominação violenta da natureza e de nossa natureza, é obscurecimento das feridas que lhe infligimos e dos sofrimentos a que nos submetemos”

(...)

“A natureza é sujeito e o sujeito uma outra natureza”

(...)

“Pela imaginação torna-se possível obter a harmonia, a reconciliação do desejo e da realidade, da felicidade e da razão de Eros e Logos”

(...)

Frases de Olgária Matos refletindo sobre políticas do desejo e refletindo sobre: “A preguiça como paixão política: luxo, calma e volúpia”

Portanto, se podemos preencher de subjetividade a vida de nossos gatos e cachorros, por exemplo, por que não preencher de subjetividade a vida de outros seres, outros animais, da fauna em geral e da flora? Por que não preencher de subjetividade a vida e o tempo das rochas, pedras, abismos e montanhas, rios e mares? Por que não colocar uma pitada de subjetividade na vida, fluxos e contrafluxos das cidades vivas e selvagens? Há muitos dias no dia disse o poeta que também escreveu que há muitas noites na noite. Por que não resistir a um discurso hegemônico do fetiche e das mercadorias e da reificação de nós mesmos?

(Se eu tiver muitas certezas ou não tiver várias perguntas isso é sinal de que eu não estou entendendo nada?)



@leiamulheres

sábado, abril 15, 2017

Yuyos ruines:


(Henri Carter's Photo)

O narrador propõe outros tipos de relações entre o eu e o outro nas quais​ a linguagem e o espaço tecem tramas inimagináveis, e onde quase tudo está conectado embora as conexões seguem muito além da razão e lógicas clássicas, isto é, greco-romanas ou judaica-cristãs.

domingo, março 05, 2017

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Running everywhere at such a speed

"A bee is never as busy as it seems; it's just that it can't buzz any slower." (Kin Hubbard)

sábado, fevereiro 04, 2017

Agoridade

Para Olgária Matos:

As nuvens e a garoa comovem esta  manhã. De longe escuto aos adestradores de desejos, não importa, vivemos num ruído continuo e intermitente, não importa, caminho, para onde? Não sei, não importa, o corpo foi feito pra movimentar-se, caminhar e sonhar novos e antigos espaços, o corpo foi feito para ser consumido pelos sonhos de liberdade.
Tateando numa noite qualquer retinta, percebo a vida breve e vislumbro suas metáforas, suas figuras de linguagem, num eterno pasmo pueril, sempre atento, porém é difícil estar sempre atento, tão fácil baixar a guarda nesses tempos de medos, violência, ignorância e preconceitos, tempos de cientificismo, de ciência em si, de técnicas despoetizadoras,  tempos de espetáculo e ruído, de ética do consumo, tempos do Capital como religião, tempos de trabalho alienado e urbanização alienante, tempos de urbanismo da alienação em nome da (i)lógica do mercado.
“Si el bien no existe, hay que inventarlo.” Caminho como muitos de minhas irmãs e irmãos, como meus pais, como meus mortos. Para onde? Não sei, não importa. O importante é tentar perceber melhor o presente, tentar enxergar melhor as coisas e seus fantasmas. Aproveitar a paisagem. Elaborar e amar até o fim. Projetar-se.

O entardecer parece sempre a parte mais bela e melancólica desta viagem.

(Alchelas )

terça-feira, janeiro 31, 2017

Ser su trovador:



entiendo a Calipso mientras la escucho tan lejos
entiendo las nubes 
percibo  el clima de  la vida breve
aunque me gustaría tocar Calipso como se tocan las nubes, 
como se toca el charango:
tocar su sonrisa y sus heridas 
además de escucharla me encanta saberla 

segunda-feira, dezembro 19, 2016

Triste de chuva:

(Imagem by Ronim)

Em minha solidão, triste de chuva, penso em Carlos Antonio López,  Francisco Solano, el Coronel Aureliano Buendía, el Comandante Fidel Castro, penso em Che Guevara. Penso em todas as Úrsulas, mães de nosso continente. Penso na solidão e na cumplicidade fraternal. Penso na cumplicidade e na solidão  da sororidade. Penso nos feminicídios. Penso na mãe África. Penso nos analfabetos de nossa América Latina. Penso no abismo incolor do nada e na espiral luminosa do possível. Penso na matéria da memória, em seu tempo  e em sua consciência. Penso na legitimação da violência e na legitimação da barbárie promovida pelo Estado. Penso no conservadorismo da indústria cultural e penso na reificação do ser humano provocada por essa mesma indústria. Penso nos filmes de ação norte-americanos e em débeis heróis inverossímeis, penso na épica distorcida e anacrônica de um mundo artificialmente maniqueísta. Penso nos vídeo games de hoje e no sadismo latente e patente desses jogos além do gozo também sádico de seus jogadores cultivado pelo comportamento de massas. Penso em Cem anos de solidão, penso nas Veias abertas da América Latina e também penso e rumino a Literatura, violência e melancolia. Penso em aprender a recontar essas histórias e outras tantas.   Penso na paixão dos suicidas e na paixão dos que lutam pela terra, na paixão dos que  lutam pela educação, dos que lutam por condições mais dignas de trabalho, penso nos que lutam por condições dignas e liberdade de se amarem. Penso no papel da mídia e de seus deformadores de opinião. Penso em ilusões e desejos. Penso em quem cozinha o banquete da vitória. Penso em Brecht. Penso: entre el deseo y la palabra, un puente insalvable. Penso no consumo no lugar da felicidade. Penso em Esperanza Araiza. Penso em Malinche. Penso em aproveitar melhor a caminhada, penso em mirar, beber e absorver a paisagem, suas cores, seus sabores e seus odores. Penso no Tempo. Penso na estética e na ética. Penso em escrever e ler todos os dias. Penso na competição que gera a falta de solidariedade. Penso nas ilhas de Cuba e do Haití. Penso em fantasias e ficções. Penso em Paula C. Penso em Beatriz,  Benjamin, penso nas crianças desamparadas nas ruas e penso nos órfãos. Penso nas chacinas de negros e pobres nas periferias. Penso em Buenos Aires e leio Alejandra Pizarnik. Penso no México, em meus bons amigos, carnalitos, régios, tapatíos, companheiros de aventuras e de leituras, penso no México todo tempo, em seus heróis e suas canções. Penso em meu pai e penso em minha irmã. Penso em escrever no ar e em recitar poemas. Penso em levantar defuntos e em salvar nossos mortos. Penso em Walter Benjamin. Penso em meus irmãos, penso nos vencidos, e nos que resistem às intempéries das ruas, sobretudo penso em nós, subalternos. Penso no acriançamento das palavras. Penso em  Remedios en la clepsidra secreta de las polillas. Penso em recordar Margarida suas histórias, sua dor e morte, penso em Antonio, Dona Francisca, Manoel e Dona Nazaré. Sinto e penso. Penso que há golpes tão fortes na vida. Penso: seria a solidão um artifício, uma invenção? 

sábado, novembro 26, 2016

El Comandante se fue


"Quando perguntei a um influente jornalista cubano se lá existe liberdade de imprensa, ele deu uma gargalhada e respondeu: "Claro que não". E completou, com naturalidade: "Liberdade de imprensa é apenas um eufemismo burguês. Só um idiota não é capaz de ver que a imprensa está sempre a serviço de que detém o poder. E aqui em Cuba quem detém o poder é o proletariado. Estamos todos os jornalistas cubanos, portanto, a serviço do proletariado".

A ilha - Fernado Moraes

terça-feira, novembro 22, 2016

Do tempo real ao imaginário




"O que é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém me perguntar eu o sei; se eu quiser explicá-lo a quem me fizer essa pergunta, já não saberei dizê-lo."
Sto. Agostinho 



"Que coisa mais veloz, mais fugitiva, e mais instável que o tempo? Tão instável, que nenhum poder, nem ainda o divino o pode parar."
Pde. Antonio Vieira

Tempo é plural e polissêmico, é movimento e mudança:
Tempo, estrutura de possibilidades
Tempo, tecido da vida
Tempo intuído porém nunca medido
Tempo preenchido por conteúdo e contado por meio de músicas e histórias 




domingo, novembro 20, 2016

Coronel Aureliano Buendía



El coronel Aureliano Buendía peleaba por Remédios
peleaba por orgullo
peleaba por la soledad
peleaba contra la soledad
peleaba con presagios
peleaba y seguía escribiendo
peleba y escrebía poemas inspirados en Remédios


quinta-feira, novembro 17, 2016

Sonhando com Calvino



Por que ler os clássicos?

Porque ler os clássicos é melhor que não lê-los.

(Da revista Beleléu, R.J.)

terça-feira, novembro 08, 2016

Entre o desejo e a palavra, mil fragmentos.






Tempo... quanto tempo, pois é... quanto tempo... Tomar de volta nosso tempo! Se o tempo é o tecido de nossas vidas, o que fazemos com ele? Ou ele é tecido de nossas vidas e compositor de destinos ao mesmo tempo?
Tomar nosso tempo com os amores e com as dores.
Tomar nosso tempo com os silêncios e ruídos da cidade, de nosso caos meridional. Andar e se perder para conhecer a organização do caos, para perceber a cidade e suas ruas, seus prédios e sua periferia.
Tomar o tempo com os pés, com os olhos, com a pele e as papilas.
Tomar o tempo com as imagens e metáforas da cidade.
Tomar o tempo com as ilusões e alucinações da cidade.
Tomar nosso tempo inaugurando novos sujeitos.
Tomar nosso tempo ouvindo e imaginando transformações.
Tomar nosso tempo suportando o tempo vazio.
Tomar nosso tempo através dos pés.
Tomar nosso tempo pelo meio da ação e da intervenção. Redimir e revolucionar.
Vivências subjetivas e objetivas.
Tomar o tempo subjetivo e social.
Acima de tudo perceber o tempo e viver a experiência temporal. Sem idealização, talvez.

Redenção e revolução, coletiva e subjetiva? Ou perdemos a experiência mas ganhamos velocidade. Tudo mais limpo e prático. Sem tempo pra mim e sem tempo pra vocês? Sem tempo pra nós?

Tomar o tempo e ouvir uma música sonhada pelo vento, sonhada nas ruas e vielas, escrever uma poesia que diga o indizível.

segunda-feira, novembro 07, 2016

3 de enero [1959]



"He dejado el psicoanálisis. No sé por cuánto tiempo. Estoy muy mal. No sé si neurótica, no me importa. Me siento muy pequeña, muy niña. Y me van abandonando todos. Absolutamente todos. Mi soledad, ahora, está hecha de quimeras amorosas, de alucinaciones... Sueño con una infancia que no tuve, y me reveo feliz ―yo, que jamás lo fui―. Cuando salgo de estos ensueños estoy anulada para la realidad externa y actual. Jamás hubo tanta distancia entre mi sueño y mi acción. No salgo, no llamo a nadie. Cumplo una extraña penitencia. Y me duele funestamente el corazón. Tanta soledad. Tanto deseo. Y la familia rondándome, pesándome con su horrible carga de problemas cotidianos. Pero no los veo. Es como si no existieran. Siento, cuando se me acercan, una aproximación de sombras fastidiosas. En verdad, casi todos los seres me fastidian. Quiero llorar. Lo hago. Lloro porque no hay seres mágicos. Mi ser no tiembla ante ningún nombre ni ninguna mirada. Todo es pobre y sin sentido. No digamos que yo soy culpable de ello. No hablemos de culpables.

He pensado en la locura. He llorado rogando al cielo que me permitan enloquecer. No salir nunca de los ensueños. Ésta es mi imagen del paraíso. Por lo demás, no escribo casi nada.



Hay sin embargo, un anhelo de equilibrio. Un anhelo de hacer algo con mi soledad. Una soledad orgullosa, industriosa y fuerte. Es decir: estudiar, escribir y distraerme. Todo esto sola. Indiferente a todo y a todos."

(Alejandra Pizarnik)

Benjamin


Minhas asas estão prontas para o vôo,

Se pudesse, eu retrocederia.

Se ficasse no tempo vivo,

Eu teria menos sorte.

(Gerhard Scholem, Saudação do Anjo)


Mein Flügel ist zum bereit de Schwung,

ich kehrte gern zurück,

denn blieb ich auch lebendige Zeit,

wenig de hätte de ich Glück.

(Gerhard Scholem, ‘VOM DE GRUSS ANGELUS ')

domingo, novembro 06, 2016

Entre fragmentos, entre lamentos.



Entre el deseo y la palabra, um puente insalvable – penso em todos, inspirado principalmente por Pizarnik e Barthes.
O ser cuja essência é compreender é feito de carência e sede? É feito de falta? É ser faltante?
Entre um chorinho e outro, lamentos bem menores que do Valongo.


sexta-feira, novembro 04, 2016

La máquina de la memoria:



Talvez seja difícil escrever sobre o ocorrido na minha língua materna. Talvez esse seja o motivo do título. Fazendo meu caminho de volta pra casa estava pensando no que ocorreu hoje e quando sentei pra escrever sobre os fatos me sai o título em espanhol e juro que também pensei em escrever em inglês pois afinal já havia treinado pela tarde contar essa história sem inibições mas questões na língua ‘global’ que não é a minha materna. Enfim contar ou não contar eis a questão.
Questões não me faltam nesses dias e hoje não foi diferente. Havia saído de uma aula, caminhava até a escola onde normalmente dou aulas de Inglês e fui almoçar pelo caminho onde almoço de costume nesse dia. Fica perto de um grande terminal de ônibus da região. Logo, pelas redondezas há muitos botecos escuros e restaurantes de comida barata. Almoço num desses lugares simples de refeições fartas e preço razoável. Havia pedido algo e já começava a comer a pequena salada de entrada quando vi um senhor negro, maltrapilho e sujo entrar cambaleante pelo salão.
Ele pediu algo no balcão, eu achei que era pinga ou qualquer coisa alcoólica e forte pra beber, que foi negado e logo ele voltou em minha direção. Esse homem parou ao meu lado e me pediu algo que eu imaginava que fosse comida, mas não sei se eu não queria dar minha pequena salada, ou achava absurdo alguém passando fome pedir uma salada de alface com tomate, ou achei que aquele tipo não estivesse com fome, ou realmente não entendia o que pedia. O fato é que eu fiz com que ele repetisse três vezes de uma maneira esdrúxula seu pedido por comida. Em seguida chegou o rapaz das mesas e lhe perguntou mais uma vez o que ele queria e ele disse que lhe traria uma salada num pão.
Enquanto o empregado de mesa buscava seu humilde lanche ele passou pelas minhas costas em direção a mesa de duas mulheres que apenas terminavam seu almoço. Insistentemente e de maneira abrupta, com tom de voz alto, e locução alterada pelo tempo ou pelo álcool começou a pedir os pedaços de carnes que restavam nos pratos das comensais. Uma das clientes se irritou porque enquanto pedia ele quase tocava seu prato que ela ainda tentava comer. Enquanto a outra amiga lhe entregava o pedaço de carne. A mulher um pouco desconcertada mas ao mesmo tempo calma dizia que lhe entregaria um pedaço mas pedia que ele esperasse o garçom que também lhe entregaria algo. Por fim ela também cedeu um pedaço mínimo de seu almoço ao  agressivo senhor pedinte.
Eu confesso que fiquei mal, tive dó e ao mesmo tempo raiva daquele homem. No final o garçom lhe entregou seu parco lanche e  pediu que ele se retirasse. Eu como bom hipócrita fui conferir se o hostil mendigo havia pedido mesmo o que eu achava que houvera. Sim.

Talvez não se possa esperar de alguém que vive, ou sobrevive, ou resiste nas ruas, às intempéries, à sorte e ao léu um pouco de boas maneiras. Gentileza talvez seja somente pra quem tem o que comer ou um lugar razoavelmente seguro pra dormir. 

quinta-feira, novembro 03, 2016

Para Luis Villar



Sampa de gente
Sampa de imagens
Sampa de memórias e de histórias
São tantas cores e dores numa só cidade
No maior organizado caos meridional
Sampa dos pesadelos e sonhos do dia a dia

(Foto by Paula Kz)


quinta-feira, outubro 27, 2016

Variações de um mesmo tema



Preciso enxergar como as crianças

preciso sentir como as mulheres sentem

e ler como um poeta

por que há tanta gente dormindo na rua?

por que tanto pedinte chorando?

por que as pessoas fingem não vê-los?

eles 'moram' na rua mesmo? por que?

sexta-feira, outubro 21, 2016

somos o universo e um grão de areia




a gente é tudo,
a gente é emoção, desespero, sensibilidade, angústia e ódio e o alienígena sem remédio
também somos aquele que está  inspecionado pela medicação, domesticado pela família, dominado pelos amigos, vigilado pela sociedade
somos resignados
somos tudo isso e talvez muito mais


quinta-feira, outubro 20, 2016

Possibilidades


preferimos correr a passear
preferimos discutir a dialogar
preferimos nos mirarmos numa tela a mirar nos olhos
ou fomos doutrinados assim, fomos ensinados assim?
agora nosso dever é desaprender tudo isso
 (A. F.)


"Pensar é estar doente dos olhos"


Como seria dormir e nunca mais acordar?

memórias meridionais de um coração setentrional
tenho ambições
enxergar como as crianças
sentir como uma mulher, ler como um poeta
e sonhar
dormir e nunca mais acordar

quarta-feira, outubro 12, 2016

O que se mistura e o que não existe



Silêncio e reflexão
leitura e escritura

só há agressividade contida
jogos
televisão
e redes sociais

poesia e música
sombra
tristeza
e
amor

quinta-feira, outubro 06, 2016

Blue Nigella ( Nigella Blues)



viver numa bolha? viver numa ilha?
Ou se importar? Se importar com o próximo? Com os próximos?
Com seus arredores e outras redondezas? Por que?

Dias de se animar
dias de se entusiasmar
pequenas epifanias ao pé da Virgem de Guadalupe
histórias passadas e futuras
amigos que se foram
amigos que veem
céu nublado
conexões e conjugações

quarta-feira, outubro 05, 2016

Song of Myself (1892 version)



BY WALT WHITMAN

1
I celebrate myself, and sing myself,
And what I assume you shall assume,
For every atom belonging to me as good belongs to you.

I loafe and invite my soul,
I lean and loafe at my ease observing a spear of summer grass.

My tongue, every atom of my blood, form’d from this soil, this air,
Born here of parents born here from parents the same, and their parents the same,
I, now thirty-seven years old in perfect health begin,
Hoping to cease not till death.

Creeds and schools in abeyance,
Retiring back a while sufficed at what they are, but never forgotten,
I harbor for good or bad, I permit to speak at every hazard,
Nature without check with original energy.

domingo, outubro 02, 2016

quinta-feira, setembro 22, 2016

quarta-feira, setembro 21, 2016

Parcos recursos para uma longa viagem



Gasto o dinheiro que não tenho com comida. Gasto o tempo que não tenho com facebook. Gasto a imaginação que não tenho com o álcool.

terça-feira, setembro 06, 2016

Se melhorar, não aguento



Aprendendo a enxergar, se melhorar não aguento
Sentindo sempre algo estranho e familiar
subindo lombas
Caminhando
Ouvindo
Conversando
O amor é uma larga e longa conversa:
O amor é uma educação contínua que nunca dá certificado ou tem fim
Onde Freud chegou sempre houve um poeta que tinha chegado antes

quinta-feira, agosto 25, 2016

Aliviar as feridas


No cinema
na literatura
na arquitetura
nos museus

Na janela
no facebook
no whatsapp
nas fotos
no instagram

No teatro
nas igrejas
no cemitério

domingo, agosto 14, 2016

Habana?



Se nós somos  cidades e não ilhas
em nossa complexidade  e dependência dos outros,
que cidade sou eu?

Quais são minhas ruas e avenidas
que me levam a becos sem saída?

Onde ficam os parques,
cinemas bons e museus?


Por onde corre meu metrô?

Onde vão parar as avenidas principais?

Onde fica a periferia que batalha e sofre? Que ri e chora e sobrevive?

Onde ficam as baladas?
Onde ficam as bibliotecas?

Onde ficam os teatros?
Onde ficam as melhores feiras livres?

Onde ficam os motéis?
Onde fica o sambódromo?

terça-feira, agosto 09, 2016

Angústias de agosto



Não se ouve o silêncio,
Olhar pela janela já não pode.
(Otimizar o tempo pois tempo é dinheiro)

Já domesticaram nossa maneira de olhar
e nossa maneira de sentir,

colonizaram nossos sonhos,

e treinaram nosso toque.

Só nos resta caminhar
caminhar conforme as regras

e dançar conforme o ruído.

Metaforas



P.

Perderme y encontrarme
en tu geografía
 Perderme y encontrarme
en tus textos
Navegar
por tus historias y periplos

A.

domingo, agosto 07, 2016

Pacto honrado com a solidão


Consuma
Beba
Compartilhe
Estude
Trabalhe
Vença
Malhe
Faça Inglês
Seja feliz
Lute
Faça muito sexo
Cace Pokemons
Mas não fume!

LOS PRIVILEGIOS DE LA SOLEDAD


La soledad que selecciona recuerdos,
cambios, calamidades y nostalgia.
La soledad es una burla inaudita
una máquina de ilusión
es o quizás son fingidas desventuras de nuestros seres imaginarios
vicisitudes de personajes hermeticos
en un teatro donde todos quieren hablar
incluso la audiencia
donde nadie se escucha

quarta-feira, julho 27, 2016

Tenho pensado demais?



Será que é culpa da terapia?
Culpa do surto?
Culpa dos anti-psicóticos e dos anti-depressivos?
Será que é culpa da minha solidão?
Dos livros que li? Do livro que estou lendo?
Das canções que escuto?
Controlo sempre minha agressividade
Controlo minha baixa estima
E assim caminho... para onde?
Será que é culpa de meu trabalho?
Será que é culpa da facu?
Será que é apenas minha culpa?

Angústia e Ansiedade em módulos moderáveis mas que incomodam.
Me atrapalham? Ou ainda não sei o que elas são, significam ou se são só rótulos para sentimentos que não sabemos explicar ainda, ou pelo menos, eu não sei explicar ainda? Facebook? Digital world? Internet?


"Há uma coisa que me preocupa, e já o disse muitas vezes. Que, enquanto o vocabulário de uma área particular, de um campo profissional técnico, de um ambiente específico, na agricultura, por exemplo, ou na pecuária — enquanto esses vocabulários específicos possuem uma riqueza enorme, tudo o que um homem pode sentir por outra pessoa resume-se — em todas as línguas que conheço — a meia dúzia de palavras. Algumas positivas, como "amizade", "amor", "ternura", "simpatia", "carinho", e outras tantas negativas. Parece-me muito restrito. Eu tenho quatro filhos, já adultos, e os amo de quatro maneiras diferentes. Há uma variedade imensa do amor, e a língua não reflete essa variedade. É uma limitação esquisita. Talvez devida a uma certa desatenção pelos sentimentos, pelos conteúdos anímicos, em contraste com a refinada atenção dedicada às técnicas da agricultura, da medicina... E às mil maneiras de dar um chute numa bola! E isso porque há um interesse especial. Muitas pessoas gostam de futebol e precisam distinguir os diferentes matizes dessa atividade. E, em contraste, o que uma pessoa sente por outra — e é algo mais difícil, sem dúvida — não desperta tanto interesse. Eu fico muito perplexo com este fato."
Julián Marías

terça-feira, julho 19, 2016

sexta-feira, julho 15, 2016

Miramar (Versos robados)




Mi corazón se me abrió
en un delírio sin pudor

La soledad que yo llevaba desde hace mucho
en un estanco inviolable de mi pecho
ahora tiene pareja

(Alcides + Gabo)

segunda-feira, julho 11, 2016

Coração batendo


Qual é a coisa mais importante do mundo? Qual é a coisa mais importante para a pessoa como indivíduo? E o que é o amor?


A coisa mais importante do mundo é o eu e o Outro ao mesmo tempo, ou seja, voltarei a este tema nas próximas semanas mas acredito que a coisa mais importante no mundo e que resolveria muitos de nossos problemas atuais e crônicos seria amarmos ao próximo como a nós mesmos. O mais importante para a pessoa como indivíduo é crescer e desenvolver-se em seus valores humanos. Por fim, o amor é uma das invenções mais importantes ou talvez uma das habilidades mais cruciais da humanidade, quiça seja uma utopia, um verbo impossível de realizar-se? sei lá...
Soa muito cristão mas creio que seja assim. 

domingo, julho 10, 2016

Busca:



Onde se esconde a poesia?

Se esconde no corpo de Paula,
nos olhos curiosos de Cacá.
Se esconde na janela de meu quarto.
A poesia se esconde num passeio de bici
nas tardes de outono,
no Ibirapuera sobre a sombra de uma árvore.

Se esconde em Cien años de soledad.

quinta-feira, junho 30, 2016

Os quereres.


Queria ter uma máquina da memória para me lembrar de todos os momentos em que você esteve sobre mim, nua, crua, estonteante.

Queria ter te conhecido antes. Queria ter te levado pra Tenochtitlán antes dos espanhóis chegarem.

Queria ter visto Modigliani te pintando e te coberto com meu corpo ao final de cada sessão.




"Em arte só os preguiçosos são capazes de fazer alguma coisa"




Se a linguagem for órfã da verdade
Quem elabora nossas narrativas?
Quem a elabora na biblioteca?
Quem a elabora na sala de terapia?
Quem a elabora na sala de aula?
Quem a elabora no manicômio?
Quem a reescreve nos muros?



Vazio de ser:

Faltante
desejante
a vida toda em três linhas.


Percurso

Humildemente vaidoso
a vaidade de um asceta
a vaidade de um abstêmio.  

(Alcides Ferreira)

sábado, junho 04, 2016

Só palavras


P. na palma das minhas mãos, na minha boca, nos meus dedos, no meu peito e sobre mim. Quantos cheiros, quantos abraços, quantas pernas, meu Deus: para que tanta perna, meu Deus? -  pergunta o meu coração, mas meus olhos, meus olhos não perguntam nada.

sexta-feira, maio 27, 2016

segunda-feira, maio 23, 2016

domingo, maio 22, 2016

MASP - Modigliani


“Rome is not outside me, but inside me.. Her feverish sweetness, her tragic countryside, her own beauty and harmony, all these are mine, for my thought and my work.”

sexta-feira, maio 20, 2016

Empezar por Buenos Aires?


Ando medio Manzanero...



"Cuando camino por la calle
y del brazo vas conmigo,
me vuelves loco,
y cuando siento el sonido de tu risa
que me vende tu alegría,
me vuelves loco."

quarta-feira, maio 18, 2016

Self reflection? (I'm really not against technology)

What for?

We are customizing our lives. No time for having a good time and real conversations with our firends and our beloved ones.

Angústia



"El desierto crece: ¡ay de aquel que dentro de sí cobija desiertos!"
Nietzsche

Ser faltante. Um projeto infinito enquanto duro. "Um ser cujo ser consiste em compreender?" Um ser criativo ou curioso? Um sonhador generoso e atencioso, porém sempre ansioso e desajeitado. Idealista logo pouco prático. Frívolo  e leviano em relação a alguns assuntos.

terça-feira, maio 17, 2016

Why pleasure makes me feel guilty?



Because I'm too old for that. I was suppose to have more duties and headaches. I'm supposed to have more bills to pay and children to feed, to raise, and care. Learning more about human nature? Or not having anytime to learn about anything?
Why we go on?
Is this whole thing just a game?
Is it just a trip?
Are we living under pressure of social constructions, only?
Cronópio? Ou Fama? Blending Famas e Cronópios?
Is it just a bunch of stories?

segunda-feira, maio 16, 2016

Know yourself

... what we want, how we feel and why we react as we do...
(Tina en la azotea - Edward Weston)

segunda-feira, maio 09, 2016

Paula C.

Queria escrever a canção mais bonita pra vc, pro seu corpo, sua alma, sua inteligência, pro seu sorriso pra tuas coxas, pra sua risada, pro teus seios... mas nasci numa nação que fala português...então vai ser mais difícil...

domingo, maio 01, 2016

Constantly talking isn't necessarily communicating, is it?



Why do I fall in love with every woman I see who shows me the least bit of attention?


I dreamt about you last night but...

Constantly facebooking isn't necessarily communicating. I feel isolated: Connected, but alone? I share therefore I am, really? No one is listening to me, isn't it? We are losing our touch, building a desert, perhaps. Love and sex must not belong together: Keep up smilling cause when you're smilling the whole world smiles with you.