terça-feira, junho 20, 2017

"tudo que se pode imaginar é real"



porque a palavra sonho vem sendo maltratada ultimamente:
sonho, palavra maltratada
tal qual a ideia de beleza foi difamada neste torvelinho
nos sobram as belas canções de nossa Pátria Grande
que caminharão no espaço e no tempo
numa viagem até a solidão

quinta-feira, maio 25, 2017

Farrapos de ideias



Um dia uma grande mulher juntou essas duas palavras acima  pra escrever sobre os descasos, as mazelas e injustiças que então eram recorrentes em 1920 e que fluem até hoje em nossa sociedade. Gostaria de usar estas palavras suas pra juntar ideias e organizar saídas, ou pelo menos tentar entender e perceber o atual estado das coisas aqui no Brasil do golpe. Hoje também mostrei na escola onde trabalho pra um punhado de gente jovem que há grandes heróis brasileiros e nosso trabalho é ressuscitar e falar sobre eles nas escolas, fábricas, nos escritórios e no comércio, nos bares e campinhos, igrejas e bibliotecas, na tevê e nos cinemas, nos cafés e nos botecos. Salve mestra Antonieta de Barros.

terça-feira, maio 23, 2017

Desde el fin del mundo hasta el rio Bravo


Soy el recuerdo de mi madre
        el continente absurdo

Soy la lontananza
       la añoranza de la región más transparente

Soy las niñas y los niños en las calles
       los invisibles rucos y rucas callejer@s

Soy los que no tenían voz hasta ayer

Soy los que no sabían escribir hasta ayer

Soy los muertos olvidados
     
El desierto, los desiertos, los cerros, las selvas y los animales más débiles y feroces

Soy el más grande genocidio olvidado

Soy la sangre y sus huellas en la historia de los vencidos

Soy la madre de la poesia mexicana

Soy la ultima noche del mundo





terça-feira, maio 16, 2017

Yuyos ruines


O narrador propõe outros tipos de relações entre o eu e o outro nas quais​ a linguagem e o espaço tecem tramas inimagináveis, e onde quase tudo está conectado embora as conexões seguem muito além da razão e lógicas clássicas ou greco-romanas ou judaica-cristãs.
Ontem ouvia poemas, ou seja, os recitava mentalmente enquanto lia uma página de Los detectives salvajes. Em tempos de tanto ruído, foi interessante a experiência. Vou tentar novamente, desta vez por mais páginas e por mais tempo. Tive a impressão que meus olhos paravam atentamente em muitos substantivos.
Hoje assisti Paterson de novo e às vezes fechava os olhos para alguns diálogos já previstos e alguns poemas. Fiz isto para perceber outras imagens e outras cores, enfim, outros sons. Anotei algo sobre poemas e autores que devo ler.

domingo, maio 14, 2017

Punks poetas

La dificultad de leer está en la dificultad de establecer prioridades. Además, la necesidad de compartir fotos y lecturas en las redes sociales, o algo por el estilo, me desconecta de las lecturas y sus imágenes. Qué chingaderas!

sábado, maio 06, 2017

Festina Lente


"Entre as múltiplas virtudes de Chuang-Tsê estava a habilidade para desenhar. O rei pediu-lhe que desenhasse um caranguejo. Chuang-Tsê disse que para fazê-lo precisaria de cinco anos e uma casa com doze empregados. Passados cinco anos, não havia sequer começado o desenho. “Preciso de outros cinco anos”, disse Chuang-Tsê. O rei concordou. Ao completar-se o décimo ano, Chuang-Tsê pegou o pincel e num instante, com um único gesto, desenhou um caranguejo, o mais perfeito caranguejo que jamais se viu."
(Italo Calvino)

"Un giorno il re chiede a Chuang-Tzu – il più bravo pittore della Cina – il disegno di un granchio. Chuang-Tzu risponde: “Ho bisogno di cinque anni di tempo e di una villa con dodici servitori!”. Il re acconsente. Dopo cinque anni il re va nella villa per vedere l’opera di Chuang-Tzu, ma scopre che il disegno non è ancora cominciato. “Ho bisogno di altri cinque anni per finire il mio lavoro” dice Chuang-Tzu. E il re acconsente di nuovo. Dopo altri cinque anni torna nella villa per vedere se il disegno è pronto. Chuang-Tzu allora prende in mano un pennello e in un momento, con un solo gesto, disegna un granchio, il più perfetto granchio mai visto."

(Italo Calvino)

terça-feira, maio 02, 2017

Tudo que se pode dizer é mentira:



Cúmplices e culpados em versos tristes
Saudades que morrem ou são mortas
Mas então veem outras

Chega Maio e eu nunca estive À Sombra do Vulcão

Culpados e cúmplices, me entrego e nos entrego a outros versos, outras linhas, outras canções
Mas não ligo nada com coisa alguma, nem ponto A tampouco B
Escondendo minha tristeza pra cuidar da vida
E minha saudade, o amor à Flor de Cactos

sábado, abril 29, 2017

O real perturbado e contaminado pela ficção

"Nem tudo é ficção mas tudo pode ser lido como ficção. Ser borgeano é ter a capacidade de ler tudo como ficção e de acreditar no poder da  ficção. A ficção como uma teoria da leitura." (Piglia)

quinta-feira, abril 27, 2017

Baderna

Amanhã vai ter baderna? Diz um coração sem muita informação, sem esperança e colonizado. Um coração que mistura assuntos mas não bate mais, não se move e tampouco sente que faz parte dá massa.

segunda-feira, abril 24, 2017

Abandono e desmemoria




Nas florestas ou nas cidades onde Dallana e curimins morrem de espanto e gripe; Onde Mercedes e muitas outras mulheres resistem, sofrem e morrem... e seguem contando suas histórias e resitem e morrem...
Cuales son los límites de lo literario que articulan lo político y las narrativas que no siguen lo de la ilusión y el fetichismo del progreso. 
Cómo enlazar el poético, el estético y lo político?

sexta-feira, abril 21, 2017

Shuar

Nankints es un un mundo muy lejos en la Amazonia Andina

Tierra de vallentes mujeres y hombres que resistieron a los incas

Donde hoy se muere de espanto y gripe

segunda-feira, abril 17, 2017

Alegria, tempo e memória




(Foto: Anka Zhuravleva)

Seu Paulo, em seu universo racionalista, me diz que a vida é uma ilusão e que o mundo todo está encantado. Concordo em partes, talvez o mundo esteja coberto por mercadorias e fetiches, talvez a vida seja uma ilusão ou várias ilusões, ficções, narrativas que inventamos pra poder dar sentido a um mundo sem sentido. Embora acredite que seu Paulo tenha razão, em um ponto sou inflexível: o mundo, a natureza e seus sujeitos, ou seja, nós mesmos estamos desencantados. Há muito tempo não há magia tampouco deuses existem mais. Justamente por confiarmos tanto na razão e nos seus próceres, cientistas, filósofos e idólatras. Talvez a razão e o discurso hegemônico estejam ganhando corações e mentes há pelo menos uns 200 anos.

Me faço estas perguntas lendo uma filósofa que me tira da zona de conforto, que me faz pensar e me angustia e paro em frases como estas:
(...)
“A história do Ocidente é a da dominação violenta da natureza e de nossa natureza, é obscurecimento das feridas que lhe infligimos e dos sofrimentos a que nos submetemos”

(...)

“A natureza é sujeito e o sujeito uma outra natureza”

(...)

“Pela imaginação torna-se possível obter a harmonia, a reconciliação do desejo e da realidade, da felicidade e da razão de Eros e Logos”

(...)

Frases de Olgária Matos refletindo sobre políticas do desejo e refletindo sobre: “A preguiça como paixão política: luxo, calma e volúpia”

Portanto, se podemos preencher de subjetividade a vida de nossos gatos e cachorros, por exemplo, por que não preencher de subjetividade a vida de outros seres, outros animais, da fauna em geral e da flora? Por que não preencher de subjetividade a vida e o tempo das rochas, pedras, abismos e montanhas, rios e mares? Por que não colocar uma pitada de subjetividade na vida, fluxos e contrafluxos das cidades vivas e selvagens? Há muitos dias no dia disse o poeta que também escreveu que há muitas noites na noite. Por que não resistir a um discurso hegemônico do fetiche e das mercadorias e da reificação de nós mesmos?

(Se eu tiver muitas certezas ou não tiver várias perguntas isso é sinal de que eu não estou entendendo nada?)



@leiamulheres

sábado, abril 15, 2017

Yuyos ruines:


(Henri Carter's Photo)

O narrador propõe outros tipos de relações entre o eu e o outro nas quais​ a linguagem e o espaço tecem tramas inimagináveis, e onde quase tudo está conectado embora as conexões seguem muito além da razão e lógicas clássicas, isto é, greco-romanas ou judaica-cristãs.

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Running everywhere at such a speed

"A bee is never as busy as it seems; it's just that it can't buzz any slower." (Kin Hubbard)

sábado, fevereiro 04, 2017

Agoridade

Para Olgária Matos:

As nuvens e a garoa comovem esta  manhã. De longe escuto aos adestradores de desejos, não importa, vivemos num ruído continuo e intermitente, não importa, caminho, para onde? Não sei, não importa, o corpo foi feito pra movimentar-se, caminhar e sonhar novos e antigos espaços, o corpo foi feito para ser consumido pelos sonhos de liberdade.
Tateando numa noite qualquer retinta, percebo a vida breve e vislumbro suas metáforas, suas figuras de linguagem, num eterno pasmo pueril, sempre atento, porém é difícil estar sempre atento, tão fácil baixar a guarda nesses tempos de medos, violência, ignorância e preconceitos, tempos de cientificismo, de ciência em si, de técnicas despoetizadoras,  tempos de espetáculo e ruído, de ética do consumo, tempos do Capital como religião, tempos de trabalho alienado e urbanização alienante, tempos de urbanismo da alienação em nome da (i)lógica do mercado.
“Si el bien no existe, hay que inventarlo.” Caminho como muitos de minhas irmãs e irmãos, como meus pais, como meus mortos. Para onde? Não sei, não importa. O importante é tentar perceber melhor o presente, tentar enxergar melhor as coisas e seus fantasmas. Aproveitar a paisagem. Elaborar e amar até o fim. Projetar-se.

O entardecer parece sempre a parte mais bela e melancólica desta viagem.

(Alchelas )

terça-feira, janeiro 31, 2017

Ser su trovador:



entiendo a Calipso mientras la escucho tan lejos
entiendo las nubes 
percibo  el clima de  la vida breve
aunque me gustaría tocar Calipso como se tocan las nubes, 
como se toca el charango:
tocar su sonrisa y sus heridas 
además de escucharla me encanta saberla 

segunda-feira, dezembro 19, 2016

Triste de chuva:

(Imagem by Ronim)

Em minha solidão, triste de chuva, penso em Carlos Antonio López,  Francisco Solano, el Coronel Aureliano Buendía, el Comandante Fidel Castro, penso em Che Guevara. Penso em todas as Úrsulas, mães de nosso continente. Penso na solidão e na cumplicidade fraternal. Penso na cumplicidade e na solidão  da sororidade. Penso nos feminicídios. Penso na mãe África. Penso nos analfabetos de nossa América Latina. Penso no abismo incolor do nada e na espiral luminosa do possível. Penso na matéria da memória, em seu tempo  e em sua consciência. Penso na legitimação da violência e na legitimação da barbárie promovida pelo Estado. Penso no conservadorismo da indústria cultural e penso na reificação do ser humano provocada por essa mesma indústria. Penso nos filmes de ação norte-americanos e em débeis heróis inverossímeis, penso na épica distorcida e anacrônica de um mundo artificialmente maniqueísta. Penso nos vídeo games de hoje e no sadismo latente e patente desses jogos além do gozo também sádico de seus jogadores cultivado pelo comportamento de massas. Penso em Cem anos de solidão, penso nas Veias abertas da América Latina e também penso e rumino a Literatura, violência e melancolia. Penso em aprender a recontar essas histórias e outras tantas.   Penso na paixão dos suicidas e na paixão dos que lutam pela terra, na paixão dos que  lutam pela educação, dos que lutam por condições mais dignas de trabalho, penso nos que lutam por condições dignas e liberdade de se amarem. Penso no papel da mídia e de seus deformadores de opinião. Penso em ilusões e desejos. Penso em quem cozinha o banquete da vitória. Penso em Brecht. Penso: entre el deseo y la palabra, un puente insalvable. Penso no consumo no lugar da felicidade. Penso em Esperanza Araiza. Penso em Malinche. Penso em aproveitar melhor a caminhada, penso em mirar, beber e absorver a paisagem, suas cores, seus sabores e seus odores. Penso no Tempo. Penso na estética e na ética. Penso em escrever e ler todos os dias. Penso na competição que gera a falta de solidariedade. Penso nas ilhas de Cuba e do Haití. Penso em fantasias e ficções. Penso em Paula C. Penso em Beatriz,  Benjamin, penso nas crianças desamparadas nas ruas e penso nos órfãos. Penso nas chacinas de negros e pobres nas periferias. Penso em Buenos Aires e leio Alejandra Pizarnik. Penso no México, em meus bons amigos, carnalitos, régios, tapatíos, companheiros de aventuras e de leituras, penso no México todo tempo, em seus heróis e suas canções. Penso em meu pai e penso em minha irmã. Penso em escrever no ar e em recitar poemas. Penso em levantar defuntos e em salvar nossos mortos. Penso em Walter Benjamin. Penso em meus irmãos, penso nos vencidos, e nos que resistem às intempéries das ruas, sobretudo penso em nós, subalternos. Penso no acriançamento das palavras. Penso em  Remedios en la clepsidra secreta de las polillas. Penso em recordar Margarida suas histórias, sua dor e morte, penso em Antonio, Dona Francisca, Manoel e Dona Nazaré. Sinto e penso. Penso que há golpes tão fortes na vida. Penso: seria a solidão um artifício, uma invenção? 

sábado, novembro 26, 2016

El Comandante se fue


"Quando perguntei a um influente jornalista cubano se lá existe liberdade de imprensa, ele deu uma gargalhada e respondeu: "Claro que não". E completou, com naturalidade: "Liberdade de imprensa é apenas um eufemismo burguês. Só um idiota não é capaz de ver que a imprensa está sempre a serviço de que detém o poder. E aqui em Cuba quem detém o poder é o proletariado. Estamos todos os jornalistas cubanos, portanto, a serviço do proletariado".

A ilha - Fernado Moraes

terça-feira, novembro 22, 2016

Do tempo real ao imaginário




"O que é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém me perguntar eu o sei; se eu quiser explicá-lo a quem me fizer essa pergunta, já não saberei dizê-lo."
Sto. Agostinho 



"Que coisa mais veloz, mais fugitiva, e mais instável que o tempo? Tão instável, que nenhum poder, nem ainda o divino o pode parar."
Pde. Antonio Vieira

Tempo é plural e polissêmico, é movimento e mudança:
Tempo, estrutura de possibilidades
Tempo, tecido da vida
Tempo intuído porém nunca medido
Tempo preenchido por conteúdo e contado por meio de músicas e histórias