segunda-feira, abril 24, 2017

Abandono e desmemoria




Nas florestas ou nas cidades onde Dallana e curimins morrem de espanto e gripe; Onde Mercedes e muitas outras mulheres resistem, sofrem e morrem... e seguem contando suas histórias e resitem e morrem...
Cuales son los límites de lo literario que articulan lo político y las narrativas que no siguen lo de la ilusión y el fetichismo del progreso. 
Cómo enlazar el poético, el estético y lo político?

sexta-feira, abril 21, 2017

Shuar

Nankints es un un mundo muy lejos en la Amazonia Andina

Tierra de vallentes mujeres y hombres que resistieron a los incas

Donde hoy se muere de espanto y gripe

segunda-feira, abril 17, 2017

Alegria, tempo e memória




(Foto: Anka Zhuravleva)

Seu Paulo, em seu universo racionalista, me diz que a vida é uma ilusão e que o mundo todo está encantado. Concordo em partes, talvez o mundo esteja coberto por mercadorias e fetiches, talvez a vida seja uma ilusão ou várias ilusões, ficções, narrativas que inventamos pra poder dar sentido a um mundo sem sentido. Embora acredite que seu Paulo tenha razão, em um ponto sou inflexível: o mundo, a natureza e seus sujeitos, ou seja, nós mesmos estamos desencantados. Há muito tempo não há magia tampouco deuses existem mais. Justamente por confiarmos tanto na razão e nos seus próceres, cientistas, filósofos e idólatras. Talvez a razão e o discurso hegemônico estejam ganhando corações e mentes há pelo menos uns 200 anos.

Me faço estas perguntas lendo uma filósofa que me tira da zona de conforto, que me faz pensar e me angustia e paro em frases como estas:
(...)
“A história do Ocidente é a da dominação violenta da natureza e de nossa natureza, é obscurecimento das feridas que lhe infligimos e dos sofrimentos a que nos submetemos”

(...)

“A natureza é sujeito e o sujeito uma outra natureza”

(...)

“Pela imaginação torna-se possível obter a harmonia, a reconciliação do desejo e da realidade, da felicidade e da razão de Eros e Logos”

(...)

Frases de Olgária Matos refletindo sobre políticas do desejo e refletindo sobre: “A preguiça como paixão política: luxo, calma e volúpia”

Portanto, se podemos preencher de subjetividade a vida de nossos gatos e cachorros, por exemplo, por que não preencher de subjetividade a vida de outros seres, outros animais, da fauna em geral e da flora? Por que não preencher de subjetividade a vida e o tempo das rochas, pedras, abismos e montanhas, rios e mares? Por que não colocar uma pitada de subjetividade na vida, fluxos e contrafluxos das cidades vivas e selvagens? Há muitos dias no dia disse o poeta que também escreveu que há muitas noites na noite. Por que não resistir a um discurso hegemônico do fetiche e das mercadorias e da reificação de nós mesmos?

(Se eu tiver muitas certezas ou não tiver várias perguntas isso é sinal de que eu não estou entendendo nada?)



@leiamulheres

sábado, abril 15, 2017

Yuyos ruines:


(Henri Carter's Photo)

O narrador propõe outros tipos de relações entre o eu e o outro nas quais​ a linguagem e o espaço tecem tramas inimagináveis, e onde quase tudo está conectado embora as conexões seguem muito além da razão e lógicas clássicas, isto é, greco-romanas ou judaica-cristãs.

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Running everywhere at such a speed

"A bee is never as busy as it seems; it's just that it can't buzz any slower." (Kin Hubbard)

sábado, fevereiro 04, 2017

Agoridade

Para Olgária Matos:

As nuvens e a garoa comovem esta  manhã. De longe escuto aos adestradores de desejos, não importa, vivemos num ruído continuo e intermitente, não importa, caminho, para onde? Não sei, não importa, o corpo foi feito pra movimentar-se, caminhar e sonhar novos e antigos espaços, o corpo foi feito para ser consumido pelos sonhos de liberdade.
Tateando numa noite qualquer retinta, percebo a vida breve e vislumbro suas metáforas, suas figuras de linguagem, num eterno pasmo pueril, sempre atento, porém é difícil estar sempre atento, tão fácil baixar a guarda nesses tempos de medos, violência, ignorância e preconceitos, tempos de cientificismo, de ciência em si, de técnicas despoetizadoras,  tempos de espetáculo e ruído, de ética do consumo, tempos do Capital como religião, tempos de trabalho alienado e urbanização alienante, tempos de urbanismo da alienação em nome da (i)lógica do mercado.
“Si el bien no existe, hay que inventarlo.” Caminho como muitos de minhas irmãs e irmãos, como meus pais, como meus mortos. Para onde? Não sei, não importa. O importante é tentar perceber melhor o presente, tentar enxergar melhor as coisas e seus fantasmas. Aproveitar a paisagem. Elaborar e amar até o fim. Projetar-se.

O entardecer parece sempre a parte mais bela e melancólica desta viagem.

(Alchelas )

terça-feira, janeiro 31, 2017

Ser su trovador:



entiendo a Calipso mientras la escucho tan lejos
entiendo las nubes 
percibo  el clima de  la vida breve
aunque me gustaría tocar Calipso como se tocan las nubes, 
como se toca el charango:
tocar su sonrisa y sus heridas 
además de escucharla me encanta saberla 

segunda-feira, dezembro 19, 2016

Triste de chuva:

(Imagem by Ronim)

Em minha solidão, triste de chuva, penso em Carlos Antonio López,  Francisco Solano, el Coronel Aureliano Buendía, el Comandante Fidel Castro, penso em Che Guevara. Penso em todas as Úrsulas, mães de nosso continente. Penso na solidão e na cumplicidade fraternal. Penso na cumplicidade e na solidão  da sororidade. Penso nos feminicídios. Penso na mãe África. Penso nos analfabetos de nossa América Latina. Penso no abismo incolor do nada e na espiral luminosa do possível. Penso na matéria da memória, em seu tempo  e em sua consciência. Penso na legitimação da violência e na legitimação da barbárie promovida pelo Estado. Penso no conservadorismo da indústria cultural e penso na reificação do ser humano provocada por essa mesma indústria. Penso nos filmes de ação norte-americanos e em débeis heróis inverossímeis, penso na épica distorcida e anacrônica de um mundo artificialmente maniqueísta. Penso nos vídeo games de hoje e no sadismo latente e patente desses jogos além do gozo também sádico de seus jogadores cultivado pelo comportamento de massas. Penso em Cem anos de solidão, penso nas Veias abertas da América Latina e também penso e rumino a Literatura, violência e melancolia. Penso em aprender a recontar essas histórias e outras tantas.   Penso na paixão dos suicidas e na paixão dos que lutam pela terra, na paixão dos que  lutam pela educação, dos que lutam por condições mais dignas de trabalho, penso nos que lutam por condições dignas e liberdade de se amarem. Penso no papel da mídia e de seus deformadores de opinião. Penso em ilusões e desejos. Penso em quem cozinha o banquete da vitória. Penso em Brecht. Penso: entre el deseo y la palabra, un puente insalvable. Penso no consumo no lugar da felicidade. Penso em Esperanza Araiza. Penso em Malinche. Penso em aproveitar melhor a caminhada, penso em mirar, beber e absorver a paisagem, suas cores, seus sabores e seus odores. Penso no Tempo. Penso na estética e na ética. Penso em escrever e ler todos os dias. Penso na competição que gera a falta de solidariedade. Penso nas ilhas de Cuba e do Haití. Penso em fantasias e ficções. Penso em Paula C. Penso em Beatriz,  Benjamin, penso nas crianças desamparadas nas ruas e penso nos órfãos. Penso nas chacinas de negros e pobres nas periferias. Penso em Buenos Aires e leio Alejandra Pizarnik. Penso no México, em meus bons amigos, carnalitos, régios, tapatíos, companheiros de aventuras e de leituras, penso no México todo tempo, em seus heróis e suas canções. Penso em meu pai e penso em minha irmã. Penso em escrever no ar e em recitar poemas. Penso em levantar defuntos e em salvar nossos mortos. Penso em Walter Benjamin. Penso em meus irmãos, penso nos vencidos, e nos que resistem às intempéries das ruas, sobretudo penso em nós, subalternos. Penso no acriançamento das palavras. Penso em  Remedios en la clepsidra secreta de las polillas. Penso em recordar Margarida suas histórias, sua dor e morte, penso em Antonio, Dona Francisca, Manoel e Dona Nazaré. Sinto e penso. Penso que há golpes tão fortes na vida. Penso: seria a solidão um artifício, uma invenção? 

sábado, novembro 26, 2016

El Comandante se fue


"Quando perguntei a um influente jornalista cubano se lá existe liberdade de imprensa, ele deu uma gargalhada e respondeu: "Claro que não". E completou, com naturalidade: "Liberdade de imprensa é apenas um eufemismo burguês. Só um idiota não é capaz de ver que a imprensa está sempre a serviço de que detém o poder. E aqui em Cuba quem detém o poder é o proletariado. Estamos todos os jornalistas cubanos, portanto, a serviço do proletariado".

A ilha - Fernado Moraes

terça-feira, novembro 22, 2016

Do tempo real ao imaginário




"O que é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém me perguntar eu o sei; se eu quiser explicá-lo a quem me fizer essa pergunta, já não saberei dizê-lo."
Sto. Agostinho 



"Que coisa mais veloz, mais fugitiva, e mais instável que o tempo? Tão instável, que nenhum poder, nem ainda o divino o pode parar."
Pde. Antonio Vieira

Tempo é plural e polissêmico, é movimento e mudança:
Tempo, estrutura de possibilidades
Tempo, tecido da vida
Tempo intuído porém nunca medido
Tempo preenchido por conteúdo e contado por meio de músicas e histórias 




domingo, novembro 20, 2016

Coronel Aureliano Buendía



El coronel Aureliano Buendía peleaba por Remédios
peleaba por orgullo
peleaba por la soledad
peleaba contra la soledad
peleaba con presagios
peleaba y seguía escribiendo
peleba y escrebía poemas inspirados en Remédios


quinta-feira, novembro 17, 2016

Sonhando com Calvino



Por que ler os clássicos?

Porque ler os clássicos é melhor que não lê-los.

(Da revista Beleléu, R.J.)

terça-feira, novembro 08, 2016

Entre o desejo e a palavra, mil fragmentos.






Tempo... quanto tempo, pois é... quanto tempo... Tomar de volta nosso tempo! Se o tempo é o tecido de nossas vidas, o que fazemos com ele? Ou ele é tecido de nossas vidas e compositor de destinos ao mesmo tempo?
Tomar nosso tempo com os amores e com as dores.
Tomar nosso tempo com os silêncios e ruídos da cidade, de nosso caos meridional. Andar e se perder para conhecer a organização do caos, para perceber a cidade e suas ruas, seus prédios e sua periferia.
Tomar o tempo com os pés, com os olhos, com a pele e as papilas.
Tomar o tempo com as imagens e metáforas da cidade.
Tomar o tempo com as ilusões e alucinações da cidade.
Tomar nosso tempo inaugurando novos sujeitos.
Tomar nosso tempo ouvindo e imaginando transformações.
Tomar nosso tempo suportando o tempo vazio.
Tomar nosso tempo através dos pés.
Tomar nosso tempo pelo meio da ação e da intervenção. Redimir e revolucionar.
Vivências subjetivas e objetivas.
Tomar o tempo subjetivo e social.
Acima de tudo perceber o tempo e viver a experiência temporal. Sem idealização, talvez.

Redenção e revolução, coletiva e subjetiva? Ou perdemos a experiência mas ganhamos velocidade. Tudo mais limpo e prático. Sem tempo pra mim e sem tempo pra vocês? Sem tempo pra nós?

Tomar o tempo e ouvir uma música sonhada pelo vento, sonhada nas ruas e vielas, escrever uma poesia que diga o indizível.

segunda-feira, novembro 07, 2016

3 de enero [1959]



"He dejado el psicoanálisis. No sé por cuánto tiempo. Estoy muy mal. No sé si neurótica, no me importa. Me siento muy pequeña, muy niña. Y me van abandonando todos. Absolutamente todos. Mi soledad, ahora, está hecha de quimeras amorosas, de alucinaciones... Sueño con una infancia que no tuve, y me reveo feliz ―yo, que jamás lo fui―. Cuando salgo de estos ensueños estoy anulada para la realidad externa y actual. Jamás hubo tanta distancia entre mi sueño y mi acción. No salgo, no llamo a nadie. Cumplo una extraña penitencia. Y me duele funestamente el corazón. Tanta soledad. Tanto deseo. Y la familia rondándome, pesándome con su horrible carga de problemas cotidianos. Pero no los veo. Es como si no existieran. Siento, cuando se me acercan, una aproximación de sombras fastidiosas. En verdad, casi todos los seres me fastidian. Quiero llorar. Lo hago. Lloro porque no hay seres mágicos. Mi ser no tiembla ante ningún nombre ni ninguna mirada. Todo es pobre y sin sentido. No digamos que yo soy culpable de ello. No hablemos de culpables.

He pensado en la locura. He llorado rogando al cielo que me permitan enloquecer. No salir nunca de los ensueños. Ésta es mi imagen del paraíso. Por lo demás, no escribo casi nada.



Hay sin embargo, un anhelo de equilibrio. Un anhelo de hacer algo con mi soledad. Una soledad orgullosa, industriosa y fuerte. Es decir: estudiar, escribir y distraerme. Todo esto sola. Indiferente a todo y a todos."

(Alejandra Pizarnik)

Benjamin


Minhas asas estão prontas para o vôo,

Se pudesse, eu retrocederia.

Se ficasse no tempo vivo,

Eu teria menos sorte.

(Gerhard Scholem, Saudação do Anjo)


Mein Flügel ist zum bereit de Schwung,

ich kehrte gern zurück,

denn blieb ich auch lebendige Zeit,

wenig de hätte de ich Glück.

(Gerhard Scholem, ‘VOM DE GRUSS ANGELUS ')

domingo, novembro 06, 2016

Entre fragmentos, entre lamentos.



Entre el deseo y la palabra, um puente insalvable – penso em todos, inspirado principalmente por Pizarnik e Barthes.
O ser cuja essência é compreender é feito de carência e sede? É feito de falta? É ser faltante?
Entre um chorinho e outro, lamentos bem menores que do Valongo.


sexta-feira, novembro 04, 2016

La máquina de la memoria:



Talvez seja difícil escrever sobre o ocorrido na minha língua materna. Talvez esse seja o motivo do título. Fazendo meu caminho de volta pra casa estava pensando no que ocorreu hoje e quando sentei pra escrever sobre os fatos me sai o título em espanhol e juro que também pensei em escrever em inglês pois afinal já havia treinado pela tarde contar essa história sem inibições mas questões na língua ‘global’ que não é a minha materna. Enfim contar ou não contar eis a questão.
Questões não me faltam nesses dias e hoje não foi diferente. Havia saído de uma aula, caminhava até a escola onde normalmente dou aulas de Inglês e fui almoçar pelo caminho onde almoço de costume nesse dia. Fica perto de um grande terminal de ônibus da região. Logo, pelas redondezas há muitos botecos escuros e restaurantes de comida barata. Almoço num desses lugares simples de refeições fartas e preço razoável. Havia pedido algo e já começava a comer a pequena salada de entrada quando vi um senhor negro, maltrapilho e sujo entrar cambaleante pelo salão.
Ele pediu algo no balcão, eu achei que era pinga ou qualquer coisa alcoólica e forte pra beber, que foi negado e logo ele voltou em minha direção. Esse homem parou ao meu lado e me pediu algo que eu imaginava que fosse comida, mas não sei se eu não queria dar minha pequena salada, ou achava absurdo alguém passando fome pedir uma salada de alface com tomate, ou achei que aquele tipo não estivesse com fome, ou realmente não entendia o que pedia. O fato é que eu fiz com que ele repetisse três vezes de uma maneira esdrúxula seu pedido por comida. Em seguida chegou o rapaz das mesas e lhe perguntou mais uma vez o que ele queria e ele disse que lhe traria uma salada num pão.
Enquanto o empregado de mesa buscava seu humilde lanche ele passou pelas minhas costas em direção a mesa de duas mulheres que apenas terminavam seu almoço. Insistentemente e de maneira abrupta, com tom de voz alto, e locução alterada pelo tempo ou pelo álcool começou a pedir os pedaços de carnes que restavam nos pratos das comensais. Uma das clientes se irritou porque enquanto pedia ele quase tocava seu prato que ela ainda tentava comer. Enquanto a outra amiga lhe entregava o pedaço de carne. A mulher um pouco desconcertada mas ao mesmo tempo calma dizia que lhe entregaria um pedaço mas pedia que ele esperasse o garçom que também lhe entregaria algo. Por fim ela também cedeu um pedaço mínimo de seu almoço ao  agressivo senhor pedinte.
Eu confesso que fiquei mal, tive dó e ao mesmo tempo raiva daquele homem. No final o garçom lhe entregou seu parco lanche e  pediu que ele se retirasse. Eu como bom hipócrita fui conferir se o hostil mendigo havia pedido mesmo o que eu achava que houvera. Sim.

Talvez não se possa esperar de alguém que vive, ou sobrevive, ou resiste nas ruas, às intempéries, à sorte e ao léu um pouco de boas maneiras. Gentileza talvez seja somente pra quem tem o que comer ou um lugar razoavelmente seguro pra dormir. 

quinta-feira, novembro 03, 2016

Para Luis Villar



Sampa de gente
Sampa de imagens
Sampa de memórias e de histórias
São tantas cores e dores numa só cidade
No maior organizado caos meridional
Sampa dos pesadelos e sonhos do dia a dia

(Foto by Paula Kz)


quinta-feira, outubro 27, 2016

Variações de um mesmo tema



Preciso enxergar como as crianças

preciso sentir como as mulheres sentem

e ler como um poeta

por que há tanta gente dormindo na rua?

por que tanto pedinte chorando?

por que as pessoas fingem não vê-los?

eles 'moram' na rua mesmo? por que?

sexta-feira, outubro 21, 2016

somos o universo e um grão de areia




a gente é tudo,
a gente é emoção, desespero, sensibilidade, angústia e ódio e o alienígena sem remédio
também somos aquele que está  inspecionado pela medicação, domesticado pela família, dominado pelos amigos, vigilado pela sociedade
somos resignados
somos tudo isso e talvez muito mais