sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Cortázar

Sigo:
Numa realidade cheia de buracos
Usando uma linguagem encoberta de babas (del Diablo?)

domingo, fevereiro 03, 2013

Pizarnik


"...¿Y quién no tiene un amor?
¿Y quién no goza entre amapolas?..."
pois a noite será mais escura que as pálpebras de um cadáver... (descordando de P.)

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Feliz aniversário Senhora D



?muere alguien?



Escuridão, intimidade e solidão. Tudo começava no seu quarto. Tinha aquela vontade de aniquilação, você se lembra? Como na primeira vez, no primeiro surto. O sonho era o mesmo ou pelo menos era o que você me contava. Eu me sentia ridículo tal qual um piano de pernas pro ar. Na verdade, estava cansado de suas idéias principalmente da história das máscaras. Só eu sabia que suas cores preferidas eram o verde e o vermelho mas já não me fazia falta a exclusividade. Lembra? a América toda vermelha, idiota. Qualquer um podia decifrar esses seus sonhos, diriam AIDS, comunismo ou qualquer outra coisa, febre porcina, e você acreditaria, o que você busca é sentido pro absurdo da vida. Seu sonho era ser profeta. Mas aí apareceu a Francine e você achou que ela falava a mesma língua sua. Mas você nunca contou pra ela seus planos.

Um gato talvez salvasse sua pele, sua carne. Você gostava de gatos. Tínhamos um que por sua culpa tivemos que deixá-lo. Lembra do Bandeira? É a carne que sente seu imbecil. Mas agora vou contar pra Francine suas idéias: de entupir os bueiros da cidade com jornal picado só pra ver a merda subir, lembra? Todo mundo sabe que ela existe mas ninguém se importa pra onde ela vai, só você e os idiotas verdes. Vou contar aquela história de deserto, do seu medo, da sua impotência e também a história do umbigo do mundo. Você quer ir pra Cuzco com segundas intenções? Vai dar um fim nessa história toda lá? Seria genial, patético como você, sua última grande metáfora. Realmente, você... A máscara também é o rosto, faz sentido? Você quer dar o salto no escuro? Foi o Marcos quem te disse isso? O Marcos não sabe de nada. A mãe dele se matou como a sua, por causa do marido. Dá o salto logo... mas você tem medo, vai atrapalhar a vida cotidiana do seu pai? Então vai se perder no deserto e morrer de sede que é isso que você merece. Você não disse que todo mundo tinha medo do diabo? Acho que desse todo você nunca se excluiu.

Acho que você gostava de ouvir aquelas vozes.O surto era seu momento de lucidez, lembra? Sentia-se possuído, lembra? Jesus Cristo? Babaca! Você queria ser Rimbaud, né? O papo das cores que estupidez ( Sua grande teoria). Conta pra Francine que um dia você disse que o umbigo do mundo era em Cuzco e que o cu do mundo era o seu. Taí, a grande piada, ou metáfora como você preferir. Você não vira cinza, no fim você vira merda ou barro se preferir.

Vou guardar isso numa pasta e não vou mostrar pra ninguém, fica tranqüilo, fica só entre eu e você - desabafo. Angústia? Você não sabe nada de angústia.

"...e o que foi a vida? uma aventura obscena, de tão lúcida" Senhora D.

quarta-feira, janeiro 30, 2013

Mentiras

Angustia e tristeza tomam um considerável tempode sua vida. Tal qual a setralina e a olamzapina, juntas, fazem parte de seu dia a dia. Aliás, de onde vem a palavra angústia? Seria pura falta de vocabulário do narrador? Por que tristeza e não outra coisa?

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Sereníssimo

A linguagem é pura traição ou o problema são meus equivocos?
A vida não passa de uma sequência de mal entendidos? Ou são apenas minhas escolhas?
Sou um animal tão condicionado e incongruente ao mesmo tempo.
Tudo está perdido mas existem possibilidades ...

Legião Urbana - Sereníssima

terça-feira, janeiro 08, 2013

Imperfeições


feições deficientemente incríveis
aperfiçoadas pernas  vacilantes
e um crime delicado
braços e ombros tortos que não aguentam o peso do mundo
por que me deixaste só se sabia que eu não era deus?
defeitos?
todos temos defeitos.

sexta-feira, janeiro 04, 2013

Minha mulher e o meu nariz

- O que vc está fazendo? - perguntou minha mulher ao me ver demorar estranhamente diante do espelho.
- Nada - respondi -,só estou olhando aqui, dentro do meu nariz, esta narina. Quando aperto sinto uma dorzinha.
Minha mulher sorriu e disse:
-Pensei que estivesse olhando para que lado ele cai.
Virei-me para ela como um cachorro a quem tivessem pisado o rabo.
- Cai? O meu nariz?
E minha mulher respondeu, placidamente:
- Claro, querido. Repare bem: ele cai para a direita.

quarta-feira, janeiro 02, 2013

"A beleza será convulsiva ou não será"
BRETON

terça-feira, dezembro 25, 2012

ISRAEL

"Mas se o horror for constante, aí, então,não haverá esperança. Nenhuma. Tudo continuará igual."
GONÇALO M. TAVARES

sexta-feira, dezembro 21, 2012

"Só isso se guarda: o amor e as palavras." INÊS PEDROSA

terça-feira, dezembro 11, 2012

Deus é o silêncio.

quarta-feira, dezembro 05, 2012

TEORIA GERAL DO ESQUECIMENTO - JOSÉ EDUARDO AGUALUSA

"A  fraqueza, a vista que se esvai, isso faz com que tropece nas letras, enquanto leio. leio páginas tantas vezes lidas, mas elas são já outras. Erro, ao ler, e no erro, por vezes, encontro incríveis acertos. No erro me encontro muito." LUDOVICA

quinta-feira, novembro 29, 2012

A morte

A morte e sua continuidade e suas intermitências. A morte e suas nuances. Sempre a morte. Ontem, Wiliam. Hoje: Manuel. Sempre, margarida. Amar, beber, comer e morrer.

segunda-feira, novembro 26, 2012

EL MITO DE SÍSIFO

No hay sino un problema filosófico realmente serio: el suicidio.
ALBERT CAMUS

domingo, novembro 18, 2012

e la nave va ...

Entropias, distopias ... utopias...
Lucio Costa, Nina Lemos, Zafón, Rodrigo Naves, Gombrowicz, Bob Dylan,
Kind of Blue...
Como falar dos livros que não lemos, das músicas que não conhecemos?
Valéry, Leminsky, Bayard e Humberto Eco...

sábado, novembro 10, 2012

Tradução livre: "La vida breve", Juan Carlos Onetti

"Um sorriso sem jeito. E se descobre que a vida está feita, desde muitos anos atrás, de mal entendidos. Gertrudis, meu trabalho, minha amizade com Stein, a sensação que tenho de mim mesmo, mal entendidos. Fora isso, nada; de vez enquando algumas opurtunidades de esquecer, alguns prazeres, que chegam e passam envenenados. Talvez todo tipo de existência que eu possa  imaginar  transforma-se em um mal entendido. Talvez, pouco importa. Entretanto, sou esse homem pequeno e tímido, imutável, casado com a única mulher que consegui seduzir ou que me seduziu, incapaz, não ainda de ser outro, senão da mesma vontade de ser outro. O homenzinho que se magoa na medida em que a aflição se lhe impõe, homenzinho confundido numa legião de homenzinhos aos quais foi prometido o reino dos céus. Asceta, como zomba o Stein, pela impossibilidade de me apaixonar e não pelo acertado absurdo de uma convicção eventualmente mutilada. Esse, ser no taxi, inexistente, mera encarnação da idéia Juan María Brausen, símbolo bípede de um puritanismo barato feito de negativas - não ao alccol, não ao tabaco, um não equivalente para as mulheres -, ninguém, em realidade; um nome, três palavras, uma diminuta idéia construida mecanicamente por meu pai, sem oposições, para que suas negativas herdadas continuassem sacundindo suas cabecinhas vaidosas mesmo depois de sua morte. O pequeno homem e seus mal entendidos, certamente, como para todo o mundo. Talvez seja isso que uma pessoa vai aprendendo com os anos, insensívelmente, sem prestar atenção. Talvez nossos ossos saibam disso quando estamos decididos e desesperados, junto a altura de um muro que nos prende, tão fácil de saltar se fosse possível saltá-lo; quando estamos a um passo de aceitar que, definitivamente, o importante seja somente si próprio, porque isso é o unica coisa que nos foi indiscutivelmente confiada; quando vislumbramos que somente a própria salvação pode ser um imperativo moral, que somente nossa salvação é moral; quando logramos  respirar por um impensado resquicio de ar primordial que vibra e chama ao outro lado do muro, imaginar a satisfação, o desfeito e a soltura, talvez então nos pese, como um esqueleto de chumbo metido dentro dos nossos ossos, a convicção de que todo mal entendido é suportável até a morte, a não ser o que cheguemos a descobrir fora de nossas circunstâncias pessoais, fora das responsabilidades que podemos repudiar, atribuir, derivar."

quarta-feira, novembro 07, 2012

Percurso

Humildemente vaidoso
a vaidade de um asceta
o orgulho de um abstêmio

céus
lunares
um ou dois
me acompanham como pontos em fuga









Ancient Sound, Abstract on Black
1925 (Paul Klee)

terça-feira, novembro 06, 2012

Exercício de tradução livre ( Excertos de "A la espera de la oscuridad" de Alejandra Pizarnik)

A espera da escuridão

Sem olhos para recordar angústias de outrora
Sem lábios para colher o sumo das violências
Perdidas num canto  gelado dos  campanários
Sem mãos para dizer nunca
Sem mãos para presentear mariposas
Aos meninos mortos


Leitura, década de 1990 Antônio Hélio Cabral