segunda-feira, outubro 13, 2008

Souvenir


"a usually small and relatively inexpensive article given, kept, or purchased as a reminder of a place visited, an occasion, etc.; memento".

Todos estavam mortos. Um passarinho ou uma flor, não importa, assim como todos indo mais um dia pro trabalho, mortos. Lembrou-se de que ela também estaria morta. Aquela dorzinha na têmpora, do lado esquerdo, uma dor tão banal, havia se tornado epitáfio, sentença de morte, condenação, etc. Encarava seu reflexo no espelho do ônibus, morta sem ao menos ter vivido, amou Douglas, conheceu a Índia e o México, mas isso não contava mais.

Lembrava-se também de Ulysses, da pergunta, você acredita em Deus, agora é que ela não acreditava mesmo. Sempre quis ter um filho, se chamaria Felipe ou Frederico, e se fosse menina o parceiro escolheria. E deus não fazia nenhum sentido numa vida sem sentido algum. Um passarinho ou uma flor, mortos, sem valor algum, sem valor nenhum, etc.

Não tinha mais nenhuma vontade em continuar, nenhum desejo, gostava de conversar com Silvia, talvez seu único desejo fosse ver Silvia, sua única vontade era encontar Silvia e lhe falar da sensação do diagnóstico, quando o médico lhe disse que morria, num tom protocolar, um hálito quente e agradável, pensou em Frederico ou Felipe, não iria mais conhecê-los e chorou.

"pero ellos ni siquiera saben
que mientras ruedan en su amarga arena
hay una pausa en la obra de la nada,
el tigre es un jardín que juega".


CORTÁZAR






sexta-feira, outubro 10, 2008

Brazil


Song by Xavier Cugat

Brazil, where hearts were entertaining June,
We stood beneath an amber moon
And softly murmured "someday soon."
We kissed and clung together,
Then, tomorrow was another day
The morning found me miles away
With still a million things to say;
Now, when twilight dims the sky above
Recalling thrills of our love,
There's one thing I'm certain of
Return I will to old Brazil.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Bleu


"Como a chuva de caju, que cai de repente no calor mais duro de novembro."

O menino olhou pra menina, você é a garota mais encantadora que já vi, a menina ficou encabulada, o menino, eu queria escrever um poema pra você, a menina achou que era um exagero, eles não se conhecem mas se divertem muito juntos, as risadas dela são engraçadíssimas, seu sorriso encanta, a menina, eu morro, o menino, eu napo

crise de superprodução (logocracia)


O grande problema dos escritores, de acordo com Benjamin, tal como dos intelectuais, é não se sentirem como membros de uma profissão, não possuem nenhum sentimento de classe, quando muito se sentem entre classes ou à margem delas. Assim como o esccritor de literatura light (cf. Jameson ou Adorno) acredita em sua autonomia e não percebe que sua escrita compactua com certos interesses, o escritor mais progressista é cerceado nos jornais, por exemplo, porque essas empresas pertencem ao capital.

O maior problema é que ao se imaginarem distintos e autonomos criam a fantasia da logocracia.

Quando Benjamin escreveu esse texto ele era dirigido aos escritores da esquerda burguesa, ou seja, os progressistas ou algo que o valha.

segunda-feira, outubro 06, 2008

as tardes cinzas


As tardes cinzas
às tardes cinzas

sexta-feira, outubro 03, 2008

Iluminuras?



Disse aos dois moleques que ali não era o lugar deles. Não deviam brincar num supermercado. Domingo, definitivamente, era dia de parque, bola, pega-pega. No entanto, sabia que os dois pediam, queriam comer, não estavam ali para brincadeiras.

Injustiça, paradoxo, chamem como queiram, o fato é que os dois homenzinhos diante de tantos produtos, tantas opções, não tinham como matar a fome. Não havia o essencial pra tirar dali qualquer coisa que os satisfizessem.

Todo mercado pressupõe troca, e os meninos não tinham o que trocar. O segurança ficou feliz em ter aprendido isso na aula de sociologia do supletivo que fazia à noite. Expulsou os meninos e os ameaçou por uma possível volta.

quarta-feira, outubro 01, 2008

LEndo (joie énivrant)


Museu e mausoléu
uma simples conhecidência fonética? Pergunta Adorno em espanhol ( verdadeira torre de babel). estou lendo um texto do Adorno chamado Museu Valéry- Proust. O autor reflete sobre visões diferentes dos autores sobre a arte no museu. o que para Valéry significa causa de luto para Proust, motivo de comtemplação.

também estou lendo Benjamin, em inglês, (heh) sobre Proust, memória involuntária e crítica ao snobbery

terça-feira, setembro 30, 2008

O Questionário

"Seminário:Preconceitos e estereótipos - Inverter a situação: questionário para heterossexuais

1. Que você pensa que causou a sua heterossexualidade?
2. Quando e como você decidiu que era heterossexual?
3. É possível que a heterossexualidade seja apenas uma fase que você possa superar?
4. É possível que a sua heterossexualidade derive de um medo neurótico em relação às pessoas do seu próprio sexo?
5. Se você nunca teve relações com uma pessoa do seu próprio sexo, não pode ser que o de que você precisa é um bom amante do seu próprio sexo?(...)
8.Por que você insiste em ostentar sua heterossexualidade? Por que você não pode ser simplesmente quem é e ficar numa boa?(...)
10. Parece haver muitos poucos heterossexuais felizes. Foram desenvolvidas técnicas que podem ajudá-lo a mudar. Você já considerou a possibilidade de fazer terapia de aversão?
11. Considerando a ameaça que constituem a fome e a superpopulação, a raça humana poderia sobreviver se todos fossem heterossexuais como você?"

Semanas depois de ter sido distribuída no jornal americano e na lista argentina, a nota não havia sido desmentida por ninguém. Mesmo que o questionário não seja verdadeiro, no entanto ele é bem sacado: afinal, vivemos fazendo perguntas semelhantes aos homossexuais, mas não nos sentimos bem quando são dirigidas a nós, heterossexuais.

por Renato Pompeu - renatopompeu@carosamigos.com.br

Mercy Tereza


Assisti o filme Nós que aqui estamos por vós esperamos. Obrigado pela dica moi belle.

"Numa guerra não se matam milhares de pessoas. Mata-se alguém que adora espaguete, outro que é gay, outro que tem uma namorada. Uma acumulação de pequenas memórias..." Christian Boltanski.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Pq a morte é vida, de uma certa maneira. "Et la mort, c'est la vie".

Poema de Natal

"Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente".


(obrigado Tereza)

quinta-feira, setembro 25, 2008

The truth is out there (New scientist)

Hollywood cut secret deals to promote smoking

  • 14:58 25 September 2008
  • NewScientist.com news service
  • Ewen Callaway


Tobacco companies paid stars like Al Jolson, Bob Hope and Clark Gable to promote smoking as part of secret advertising deals with movie studios, according to a new analysis of cigarette endorsement contracts between 1927 and 1951.The stars made thousands of dollars peddling cigarettes to consumers. But the analysis shows that major studios and tobacco companies reaped far bigger benefits.

In exchange for star testimonials of brands such as Lucky Strike, tobacco companies promoted movies in adverts worth millions of dollars, the documents show.

"The link between Hollywood and tobacco go back to the beginning of talking pictures,” says Stanton Glantz, director of the Center for Tobacco Control Research and Education at the University of California, San Francisco. "It was a way to thoroughly embed tobacco use in the social fabric."

Glantz and colleague Kristin Lum mined 246 documents, including cigarette endorsement contracts (made public as part of the tobacco industry legal settlement with state governments), contemporary news reports, and a collection of cigarette advertisements collected by Robert Jackler, a neurosurgeon at Stanford University.

"I was surprised that the amount of scholarship around [the advertisements] was very little," says Glantz.

'Sweet and soothing'

According to the documents, Hollywood and tobacco companies began their relationship in 1927, when an advertising firm brokered deals between two of its clients: American Tobacco and RCA. Other studios, including Paramount, MGM and Columbia, soon followed.

Between 1927 and 1951, major studios and tobacco companies partnered on at least 215 cigarette advertising campaigns, Glantz's team found.

Stars contract-bound to a single studio touted the benefits of brands like Lucky Strike and Camel in advertising agency written testimonials. "Folks, let me tell you, the good old flavour of Luckies is as sweet and soothing as the best 'Mammy' song ever written,” said Jazz Singer star Al Jolson in one such endorsement.

In exchange for the praise, Hollywood studios received free advertising for their movies.

For example, cigarette ads would mention specific movies and endorsements would be tied to their release dates. In some cases, tobacco companies sponsored radio programs featuring their pocketed Hollywood stars. American Tobacco, maker of Lucky Strikes, spent $2.3 million producing The Jack Benny Program.

The US Federal Trade Commission attempted to clamp down on the relationship beginning in 1929 on the grounds that advertiser-written endorsements misled consumers, but studios easily circumvented these rules through lobbying and carefully worded disclaimers.

Restricted access

Television, not government regulation, ended the formal relationship between studios and tobacco companies. More recently, product placements in movies have replaced overt Hollywood tobacco advertising, Jackler says.

Glantz has called on studios and the Motion Picture Association of America, which rates films, to remove smoking from youth films and restrict access to films with smoking. He estimates that such restrictions would cut youth smoking by 60% and keep cigarettes out of the hands of 200,000 youths each year.

The commercial relationship between tobacco companies and Hollywood undercuts objections to such limitations, he says.

"One of the excuses that comes out of the studios and Motion Picture Association [of America] and a lot of individuals who make movies, is smoking in the movies is an integral part of the art form itself," he says. "What this shows is that that’s not true."

Journal reference: Tobacco Control (DOI: 10.1136/tc.2008.025445)

Los amantes (Julio Cortázar - Narraciones y poemas)


LOS AMANTES

"¿Quién los ve andar por la ciudad
si están todos ciegos?
Ellos se toman de la mano: algo habla
entre sus dedos,
lenguas dulces

lamen la húmeda palma, corren por las falanges,
y arriba está la noche llena de ojos.

Son los amantes, su isla flota a la deriva
hacia muertes de césped, hacia puertos
que se abren entre sábanas.
Todo se desordena a través de ellos,
toda encuentra su cifra escamoteada;
pero ellos ni siquiera saben
que mientras ruedan en su amarga arena
hay una pausa en la obra de la nada,
el tigre es un jardín que juega.

Amanece en los carros de basura,
empiezan a salir los ciegos,
el ministerio abre sus puertas.
Los amantes rendidos se miran y se tocan
una vez más antes de oler el día.

Ya están vestidos, ya se van por la calle.
Y es sólo entonces
cuando están muertos, cuando están vestidos,
que la ciudad los recupera hipócrita
y les impone los deberes cotidianos."
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CORTÁZAR

quarta-feira, setembro 24, 2008

Torpe ( la vie est très jolie)


"-Por que você inventa essa história de de tolice, boba, boba?
-Porque depois pode ficar bonito, uê?"

La vie est belle

Uma corrente de prata abandonada no último degrau da escada. Será um objeto de furto ou descaso. Apanhá-la é ilícito.

O dedo mínimo, delgado e sinuoso do bibliotecário que aponta pro lado. ALgo congênito ou resultado de um esforço desmesurado em destacar-se.

Um bilhete deixado em seu armário. Sorte ou azar. Nele o nome e o telefone da pessoa que lhe espera o tempo que for necessário.

Professora mais cool da escola interpela: você é o Fernando. Será que você é o Fernando e não sabia ou ela só queria puxar papo.

A professora e aluna mais linda da escola lhe diz: tenho frio - e continuava a sentir frio. Porque você não a abraça. Também diz que é legal conversar com você e você diz o mesmo porque recíproco.

Et la mort c'est la mort

segunda-feira, setembro 22, 2008

Les Chansons d'amour


Esse filme fica cada vez mais bonito. Só não gosta quem é amargo. Ma belle me disse que o filme é lírico. (Lírico é passear com vc de mão dada)

sexta-feira, setembro 19, 2008

Vermelinha (para Dani com carinho)


A Daniela me disse umas coisas que mexem ou mexeram -para não ficar enfático demais - com meus miolos. Nos conhecemos há mais de 4 anos? Embora nunca nos conhecemos, como quase todo mundo. Ela sempre descobre algo sobre mim. Ela literalmente descobre coisas que nem eu mesmo sabia sobre a minha pessoa, meu intrínsico eu. heh. Embora, eu também descubra muito sobre ela que, contudo, talvez não tenha o mesmo efeito.

Ontem, conversávamos sobre a educação e a psicologia. Conversa vai, conversa vem, enfim asim, enfim assado. Relacionei tudo o que ela me falou com o texto do Horkerheimer e do Adorno, pois não tenho a mesma experiência que ela em ambos os campos. O texto trata de uma crítica a ciência e da defesa do materialismo histórico e da dialética, o nome do dito cujo é Dialética do esclarecimento ou Conceito de Iluminismo.

Bom, as pessoas dizem ( inclusive os especialistas) que Adorno é pessimista. Outros mais especialistas falam que a alcunha, o rótulo ou a ofensa é devido a dialética negativa que permeia a maioria dos seus textos. Pensei em escrever aqui pra deixar anotado que se tivesse de ser um especialista e criticar a Dani diria que ela é either pessimistic or she applies the negative dialetics.
É isso Dani e obrigado por me fazer pensar.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Para pensar sobre Cidade das letras


E para pensar sobre um romance
Esses dias acordei com a idéia de escrever uma ficção (romance) sobre Adorno que ainda não passou
Algo meio megalomaníaco do tipo O Dia em que Nietszche chorou
dei muita risada assim que acordei do sonho
É tão gostoso acordar com a própria gargalhada

"Desde que a linguagem entra na história, seus seus mestres são sacerdotes e feticeiros".
T.W. ADORNO e HORKHEIMER
"É a percepção imediata criativa, mais do que qualquer outra coisa, aquilo que faz o indivíduo sentir que a vida vale a pena ser vivida"
D.W. WINNICOTT in "Playing and reality"

Sobre o Rama (Cidade das letras) só dúvidas, a saber, a aculturação e a transculturação são duas das categorias sobre as quais ele mais constrói seus argumentos; como os estudos subalternos encaram esses conceitos?

sexta-feira, setembro 12, 2008

Maria Lúcia


Noite de show, andar pela Augusta sem compromisso. Hoje a noite ela era cliente. Desce a rua que ainda não está cheia, nas calçadas os caras das casas de show convidam aqueles que passam a entrar e tomar uma cervejinha. Ela acha engraçado embora ouça isso quase toda a noite.

Os seguranças do Estúdio são simpáticos. Entra, pede uma cerveja e um energético. A casa começa encher, são todos um pouco mais novos do que ela. Puxa conversa com os técnicos de som pra não se sentir observada. Numa conversa legitima, quer saber se Bill é cool ou um asshole, oferece a um dos rapazes aulas de inglês o outro lhe parece familiar, ela acha que o cara ja´passou pela mão dela. Conversam sobre bandas, música e livros.

A banda que abre o show é horrível tipo wanna be Bob Dylan. Mais cerveja pra suportar o som e a espera. Depois de mais ou menos quarenta minutos entra o Smog. Bill é alto, tem barriguinha e cabelos grisalhos, o batera é baixinho perto dele e faz o tipo latino. Ela acha o Bill meio parecido com Richard Gere e solta uma risada.

We are constantly on trial
It's a way to be free

Smog bem Smog, começa com a estranhíssima River guard e ela fica pensando na profundidade ou nonsense do refrão. Bill e seus melancólicos acordes é acompnhado por um baterista que chega entusiasmar a platéia, "very good drummer", e o rapaz acena em agradecimento. Mais Smog, mais cerveja, uma ida ao banheiro e bang: Blood flow, Bathysphere; entre as músicas ele não fala nada só agradece, bem burocrático ou tímido? Ela curtiu.

Na saída já é tarde, Maria Lúcia está satisfeita, mas é tarde. Sobe Augusta meio apressada. Os caras ainda oferecem cerveja. Entra numa travessa, na cabeça:

Happens on a side street maybe
Lion bites zebra neck

Uns playboys num accord mexem com ela. Ela mostra o dedo, eles tacam alguma coisa nela, descem do carro, chutando, xingando, batendo, mordendo, moendo. A ambulância chegou depois de uma hora que o lixeiro passou.

quinta-feira, setembro 11, 2008

Smog


Num bar na Augusta, Maria Lucia assistia o balcão, os presuntos, as fatias de queijo, os bifes e as lingüiças. Não estava com fome, só não tinha mesmo pra onde olhar. Pra matar o tempo lia os nomes das cachaças nas prateleiras, mas já sabia uma fileira inteira de cor, Santo Grau, Àgua da Bica, Ouro de Minas, Chico Mineiro, etc. Não trazia livros pro bar pra não chamar atenção dos estudantes que geralmente não tinham grana. Pra matar o tempo, às vezes, fazia origamis com guarda-napos, mexia no maço de cigarros, às vezes passava minutos contemplando o esmalte das unhas. Fazia o esquenta sempre no mesmo bar, se entupia de cafeína, coca, energético, café, não necessariamente na mesma ordem, entre as goladas havia uma pausa pra nicotina.

Não tinha interesse nenhum em fitar as pessoas nos olhos. Mais tarde, os mesmos que a olhavam seriam aqueles escrotos que pedem desconto depois de uma foda. Era assim sempre, não importava se ela fosse feia ou bonita, agradasse ou não, sempre choravam no preço.

A maior parte do tempo pensava no filho a outra parte gastava com literatura e música.
Happens on a side street, maybe
Happens on a main street, maybe

Lion bites zebra neck

Zebra stomps lion head

It's justice
Justice aversion
In a proper way, 'cause I don't today
And root for the underdog
No matter who they are

At the bank robber in the getaway car

It's justice Justice aversion
In a proper way, 'cause I don't today

I could stay up all night talking
About animal nature
And universe hesitant

And the grand ??

It happened on a side street, maybe

It happened on a main street, maybe

It's justice
Justice aversion
And root for the underdog

No matter who they are

At the bank robber in the getaway car


Ontem tirou a noite de folga pra ir assistir o show do Smog. Alí mesmo na Augusta, no Estúdio S.P. Deixou o filho na casa de uns amigos. Umas bichas, um casal, ela achava que elas eram bem intruídas, costumava deixar, na emergência, o filho com elas porque era uma boa influência. Gostava muito do Bill, não podia perder o concerto, era uma causa justa; tinha até aprendido inglês por causa das músicas do cara, lia por causa do cara.

De todas as canções gostava mais de Devotion, parecia que ele cantava e tinha escrito pra ela.

There are some terrible gossips in this town
There are some terrible gossips in this town
With jaws like vices
And eyes like drains

There are some little weasels in this town
Scampering around loose
With yellow teeth
And the beady eyes

We should set a standard amount of words
That I am to say to these
We should set a standard type of look
That you are to give to me
When you wanna leave

There are some terrible gossips in this town
With jaws like vices
And eyes like drains

I won't tell what they say about you
I won't flourish the shit
You are my dearest friend
And I will protect you
Until the end

With a will like vices
Complete as a drain




quarta-feira, setembro 10, 2008

Um romance que começa



Merina começou a ler aquela história num blog de um de seus conhecidos. A princípio o tal do Romance era curioso, depois, bacana, e ao mesmo tempo estranho, preocupante. Pensou em entregar o narrador e Ullysses às autoridades. Achou que seria melhor falar com o seu psicanilista primeiro, às vezes ela confiava em especialistas, era uma personagem complexa, digna de ficção, não era plana (cf. Candido, "A personagem de ficção"). Depois, resolveu ler o Romance de novo e achou o máximo. Tinha um narrador que a admirava e uma personagem que estava deslumbrada ou em completo estado de alumbramento por ela.

Nossa que coisa horrível vou começar de novo.

Tinha um narrador e uma personagem que a admiravam. Parecia um gostar sincero, autêntico, não podia ser literatura. Era uma declaração de amor, de carinho, pós moderna? Era apenas um pastiche literário, seria um fetiche também literário ou o narrador havia realmente fracassado?

Merina pensou em ligar pro fulano que ela acreditava ter escrito aquele relato e passar tudo a limpo. Foi então que ela mudou de idéia e resloveu convidá-lo junto com seus amigos pra ir à Liberdade, tomar um udon. Começava a fazer frio em São Paulo e Merina ao contrário de Ullysses adorava São Paulo.

Roance? V


Merina e Ullysses também queriam resistir, existir, prosseguir.

E entre um sarau, um metrô, um cinema, a amizade crescia. Ulysses começou a escrever poemas e até musicou um com ajuda de Davi.

Ullysses achava que o problema estava na Universidae. Era a universidade que dosmeticava a literatura. A faculdade de Letras, matadouro da literatura, desde muito tempo. A universidade traduzia, diluia, traía e mitigava paulatinamente até sua morte, qualquer literatura. Lá fora, ela vivia.

Ullysses tinha medo de Merina entrasse na faculdade e se desencantasse com a literatura. Acho que ele queria que ela desistisse (ou pensasse melhor) e fosse estudar antropologia, arquitetura, artes cênicas, sei lá. Gostava da idéia dos dois em campos diferentes do conhecimento, ou no mínimo, praticando diferentes formulações discursivas. Ele acreditava que por ela ser mais inteligente que ele não devia desperdiçar seu tempo matando a literatura, matando a poesia.

(Depois, Ullysses achou que daquela forma parecia uma espécie de pai autoritário para Merina - espelhava seus desejos nela? Pensou que seu pai era bom e decidiu que o melhor era ser sua mãe e respeitar sua escolha.)


Depois o narrador decidiu que o parágrafo acima era muito ruim, não era literatura mas era sincero, então resolveu deixar ele todo entre parênteses ecolocar um ponto final naquela história.