segunda-feira, novembro 05, 2018

São Paulo · 1984



Entre fragmentos, entre lamentos.
Entre el deseo y la palabra, um puente insalvable – penso em todos, inspirado principalmente por Pizarnik e Barthes.
O ser cuja essência é compreender é feito de carência e sede? É feito de falta? É ser faltante? 
Entre um chorinho e outro, lamentos bem menores que do Valongo.

sexta-feira, novembro 02, 2018

Seres





(para Elza Maia Costa de Oliveira)

históricos quanto maior se foi tornando a solidariedade 

entre mente e mãos

 seres da linguagem disse Lev V.

inacabados disse Paulo F.

faltantes disse Jaques L.

na noite sem fim

e  buscamos compreender dizem

na memória - humanos

terça-feira, outubro 30, 2018

As últimas semanas do mundo



O velho diabo no ponto de ônibus, noturno

Estrela distante

A moça que lê no café  Art poetique tão matutina

(às vezes se prefere a dúvida  `a resposta,  se prefere o som ao seu significado)

Quem nunca cantou embromation quando criança não teve infância

Há mais metafísica entre o céu e a terra do que sonha nossa vã psicanálise

quarta-feira, outubro 24, 2018

Seres mágicos


 Para Claudia R. Sarah V. & Monalisa - seres mágicos


Era uma daquelas manhãs que parecem suspensas no ar quando Alice abriu a janela de seu quarto. O sabiá sabiava, a moto passava, o ônibus brecava e um gato miava. O cachorro latiu. Foi aí que ela correu nua em direção ao banheiro e chuá no chuveiro. Então se deu conta que já não havia seres mágicos. Alice chorou, chuá, chuveiro e a cidade se inundou.

sábado, outubro 20, 2018

Amorous


el ruído de la calle me aburre tal cual el de la tele
hora de poner a C.P. a hacer su magia
(todavía hay seres mágicos)
pa' que vuelvan los agujeros
pa' que vuelvan a Jhony Carter y el cuarto de hora en 2 minutos
pa' que se escuche otras vez a Dylan Thomas and Dizzy
desde mi ventana: la última noche del mundo

desde Cambuci hacia Chapultepec
las luces más bonitas del mundo

terça-feira, outubro 16, 2018

lhe procuro nos algorítimos da memória inventada


seu gosto remonta amor
tudo tinha ruído
seus carinhos saboreados
minhas mãos torpes
& cigarrettes after sex: apocalypse
seu sonho velado
la última noche del mundo
minha madrugada insone
seu perfume
minhas dúvidas
seu castañeda
minhas dividas
suas gravuras e fotos na parede
minha melancolía
sua calcinha
seu café & seu brigadeiro
os filmes que não assisti ao seu lado
exercícios de memória fatiando lembranças aqui
meu fio da memória
(tudo que se pode dizer é mentira)

domingo, outubro 14, 2018

Onde se fala de gatos e de homens (Manuel António Pina)


"Os meus gatos dormem durante a maior parte do dia (e, obviamente, durante a noite toda). Suspeito que os gatos têm um segredo, que conhecem uma porta para um mundo coincidente e feliz, por onde só se passa sonhando. Um mundo criado como Deus terá criado o nosso humano mundo, à sua desmesurada imagem. Porque os que sonham são deuses criadores. Os gatos sonham dormindo, os homens sonham fazendo perguntas e procurando respostas.

Mas os meus gatos dormem e sonham porque não têm fome. Teriam, se precisassem de procurar comida, tempo para sonhar? Acontece talvez assim com os homens. Como se o espírito criador fosse, afinal, prisioneiro do estômago. Talvez, então, a mesquinhez de propósitos da nossa vida colectiva radique, como nos querem fazer crer, no défice, e talvez o cumprimento das normas do pacto de estabilidade seja o único sonho que nos é hoje permitido.

E, contudo, dir-se-ia (e isto é algo que escapa aos economistas) que é o sonho, mais do que a balança de pagamentos, que alimenta a vida, e que os povos, como os homens, precisam de mais do que de números. Os próprios números têm (os economistas não o sabem porque a sua ciência dos números é uma ciência de escravos) o poder desrazoável de, não apenas repetir, mas sonhar o mundo.

Há anos que somos governados por economistas e o resultado está à vista. Talvez seja chegada a altura de ser a política (e o sonho) a dirigir a economia e não a economia a dirigir a política. Jesus Cristo «não sabia nada de finanças, / nem consta que tivesse biblioteca», e o seu sonho, no entanto, continua a mover o mundo." (Manuel António Pina)

sábado, outubro 13, 2018

Samba para Ana Cristina Cesar (1983)

Como um samba canção de Ana C.

tantas fiz

tanto faz

taí, eu fiz tudo...






sexta-feira, outubro 12, 2018

Beleza pura



um menino que brinca
uma velinha a rezar
um sorriso nipônico
a pele negra

Passarão? (técnicas para afastar o sofrimento)

Sempre tive pena e inveja de passarinho. Pena pois poucos conseguem abrigos diante das chuvas, pensava eu na minha infantiligência. Inveja porque eles voam quando querem, ou melhor, flutuam no desafio do azul e outros se arremessam no buraco da escuridão. 

domingo, outubro 07, 2018

Semiologia I (para Barthes & Bolaño com afeto)

(pic. by Quint Buchholz)

Literatura, uma miragem
nós discípulos caminhamos 
mirando os textos e ao mesmo tempo nos afastando deles
de costas caminhamos
entrevendo as partes mais eróticas do texto
lá onde o vestuário se entreabre
em sua intermitência
quando a pele bruxuleia entre duas peças

tremula entre as calças e a malha
literatura
(des)viada
invertida
palco do jogo de palavras
teatro dos sentidos sem sentido
literatura, destino

(Alchistes Mirabismo)

domingo, setembro 23, 2018

Carlos e yo

Las platicas

las chelas
las citas accidentales

las  histriónicas historias
las  compartidas soledades


las novelas y los poemarios
las metáforas y metonimias

los regalos de la desmemoria, de la memoria y del olvido



domingo, setembro 09, 2018

Invasiones bárbaras



Los impérios
Las conquistas
Naciones de peregrinas lenguas
Abisales diferencias
Y el perverso derecho a decir solamente sí

segunda-feira, setembro 03, 2018

Alcira Soust Scaffo


"Ésta será una historia de terror. Será una historia policiaca, un relato de serie negra y de terror. Pero no lo parecerá. No lo parecerá porque soy yo la que lo cuenta. Soy yo la que habla y por eso no lo parecerá. Pero en el fondo en el fondo es la historia de un crimen atroz."


segunda-feira, agosto 13, 2018

crônica e a indesejável das gentes

Hoje percebi que envelheço. Sinto pelos olhos dos outros. Uma gentil garota na barraca da feira livre me desejou feliz dia dos pais. Eu que nunca tive vontade de ter filho sozinho e não sabia o que dizer. No final da transação lhe disse que não tinha filhos mas mesmo assim lhe agradecia. Me sinto meio pai lhe disse: por cuidar dos filhos dos outros; sou professor, também lhe disse.
Bem, como disse dona Canô, 'quem não morre envelhece'.

segunda-feira, julho 30, 2018

Poema


para Antonio Cicero

poema objeto

poema palavra e provérbio

canção e profecia

poema 

significado e significante

forma e conteúdo

indivisível indivisíveis 

talvez uma forma de conhecer o mundo

confundindo subjetividade com objetividade




domingo, julho 22, 2018

CAPÍTULO V



" 'Que importa o nome do autor na capa? Vamos nos transportar pela imaginação para daqui a três mil anos. Sabe-se lá quais livros de nossa época terão sobrevivido e quais autores ainda serão lembrados. Haverá livros que continuarão célebres, mas que serão considerados obras anônimas, como é para nós a epópeia de Gilgamesh; haverá autores cujo nome permanecerá célebre, mas dos quais não restará nenhuma obra, como é o caso de Sócrates; ou talvez todos os livros remanescentes sejam então atribuídos a um único e misterioso autor, como Homero'. " Carta de Marana ao seu Editor - Se um viajante numa noite de inverno, CALVINO.

quinta-feira, julho 19, 2018

Se una notte d'inverno



- Gosto de saber que existem livros que ainda poderei ler - ela diz, certa de que à força de seu desejo devem corresponder objetos existentes, concretos, mesmo que ainda desconhecidos. Como acompanhar o passo dessa mulher, que sempre lê outro livro além daquele que tem diante dos olhos, um livro que ainda não existe, mas que, dado que ela o deseja, não pode deixar de existir? - Se um viajante numa noite de inverno, 1979, CALVINO.

quarta-feira, julho 18, 2018

Pequeños milagros o simplemente diálogos accidentales




Hoy hice un amigo, pues. Leía en el camión un libro muy chingón. Luego un joven muchacho se sentó a mi lado. Primero, buscó quitar a su celular. Después sacó un libro. Yo apenas guardaba mi novela. Luego, después de un rato, es decir, antes de bajarme, empecé una plática con el jovencito, pues. Por azar, conocía el autor de su libro, una novela brasileña poco conocida quizás. Además había un chiste sobre el autor que tenía muchas ganas de platicarle, o sea, sobre el autor y sus influencias. Se lo dije

segunda-feira, julho 16, 2018

toda memória de mim ou toda memória de luna

renascida outra vez
numa casa de barro
talvez num campo de arroz
acolhedora cheia de histórias
valente
e dividida como todos nós


sábado, junho 30, 2018

Lectores a secas

(Graciela Iturbide)

- ¿Qué cosas de todas las que le han dicho sus lectores en torno a sus libros lo han comovido?

- Me comueven los lectores a secas, los que aun se atreven a leer el Dicionario Filosófico de Volatire, que es una de las obras más amenas y modernas que conozco. Me comueven los jóvenes de hierro que leen a Cortázar y a Parra, tal como los leí yo y como intento seguir leyéndolos. Me conmueven los jóvenes que se duermen con un libro debajo de la cabeza. Un libro es la mejor almohada que existe.

(R. Bolaño)

quarta-feira, junho 27, 2018

Da visita



abismo da saudade

abismos da solidão

abismos da memória

memórias num abismo e saudades abissais

repouso,

os olhos pedem abraços

e a pele um toque, um beijo


sábado, junho 23, 2018

como leitores


fugitivos
desertores

drifters
daydreamers 

trotamundos
vagamundos

lectores
readers
leitores

sobre as praias de nossa ignorância
e face ao mar
 el mar
¡El mar! con su baba y con su epilepsia.

sexta-feira, junho 22, 2018

assombrado


habitado por amigos e livros
e por faltas
habitado por canções 
e por fantasmas

habitado por desejos
e por abismos
habitado por filmes


habitado por imagens
e por monstros de papel


habitado por silêncios
e ruídos
habitado por Remédios Varo

(tudo que se pode dizer é mentira)

'cause you got the music in you


your lips 
my lips 
rhyme
with 
apocalypse

domingo, junho 17, 2018

one autumn's night 1985

Para Mario Papasquiaro (foto)

Uma vez:

te chamei pro cinema
vc me convidou pruma pizza
te ofereci uma caipirinha
vc me retribuiu com histórias
da Casa de Barro
estórias de móveis partidos
histórias de camas partidas
compartilhamos risadas
e a lua
e um par de cervejas
Vc me chamou pra dar uma volta na Roosevelt
me convidou pra subir
eu queria dançar
Vc me ofereceu chá, seu mais lindo Luar
Lunar lunares
Fiquei pro café da manhã.
Como um poema escrito num muro,
me fez tão bem

segunda-feira, junho 11, 2018

Casa de Barro

"La luz es solo luz en la memoria de la noche"...
(Alejandra Pizarnik)

(Ilustración Troche)




quarta-feira, junho 06, 2018

Sonhos musicais

(por Remedios Varo)

Você em mim ecoa
Minha cabeça trovoa
Lunar lunares
Tenho dislexia poética
Seletiva
Fora de órbita

domingo, maio 27, 2018

As mil tias Maria

(Manifestación - de Antonio Berni)
Tia Maria era uma daquelas pessoas que Cernuda chamava de "Una pausa de amor entre la fuga de las cosas". Foi nossa matriarca, Úrsula de Ubajara. Tia acolhedora, tia mãezinha, tia avó, da risada infantil, tia de brilho e brio no olhar, tia do abraço apertado, tia da consolação, tia das histórias, tia valente, corajosa e resistente.

segunda-feira, abril 30, 2018

¿Somos todos perros románticos?


(Imagem por Carl Friederich Claus)

"As ideias perturbam a regularidade da vida"

Para Susan Sontag



E a imagem não satisfaz, nossa necessidade demasiadamente humana, nossa necessidade de evadir, viajar, experimentar o que em sã consciência não experimentaríamos. Assim continuamos obrigados a condicionar as manifestações de nossos desejos (alguns dizem espirito) as circunstancias  mutáveis da vida. Talvez nossa única essência seja a de sujeitos constituídos pela falta. Uma falta o um desejo por vezes inominável. Somos cães românticos? Detetives e buscamos algo que está sempre mais além? Buscamos pistas falsas.

Crises

O fragmento e o inacabado também são formas de nossos acidentes diários. Nossas palavras à beira do abismo, nossas feridas e faltas formam nosso eu e formam o outro. 

domingo, fevereiro 18, 2018

Notas sobre o Domingo


Israel Barrón (ilustração)

para meus melhores amigos



Muitos se afligem neste dia. Dia sem trabalho pra muitos, que só veem sentido na vida trabalhando. Outros preenchem o dia consagrado com muito barulho, tampouco trabalham no dia do descanso. Talvez não suportem o rumor dos Outros, o rumor da saudade, o rumor da (invenção) da solidão, o rumor do silêncio, ou o rumor da cidade. Será que o rumor do silêncio amedronta mais que o mistério da morte?

domingo, janeiro 28, 2018

Sortilegios:

Para la enamorada del viento Alejandra Pizarnik

Quiero anochecer la casa del lenguaje

dominar el silencio

no tiene sentido

quiero anochecer echizante

no tiene destino

en un ir y venir

tengo miedo

sin destino

sin sentido

las palabras y las promesas


(todo lo que se puede decir es mentira)


por Alcides F.

terça-feira, novembro 28, 2017

Almost forgot...

Last night I dreamt about words, novels and poets and I could remember the words I was dreaming about and my confusion... dreaming about poems, and lyrics, and essays on decolonization, such a perfect day, such a perfect dream... wretched, basically the whole argument, plot or whatever was around, or about this word wretched, then I remembered that the night before I was reading my favorite argentinian poet: Alejandra Pizarnik, a writer who really got the meaning of lots of words and embraced herself on them, with them... the one in love with the wind, the one in love with the breeze...the one in love with the abyss... I guess I was dreaming in English like I did for the frst time when I was around my 30's... at that time was great...last time was awesome...

domingo, novembro 19, 2017

indefinido e infinito

"E il naufragar m'è dolce in questo mare"


sexta-feira, novembro 17, 2017

El baile de los dedos:



Para Alejandro e Ingrid
Unos trabajan con la música
Unos, con el lenguaje
Otros con las dos
El trabajo del contrabajo

En el baile de los dedos
Llano negro sin trastes
Trabajo con miradas, enamoramientos y sonidos

Los ojos negros, el pelo azabache en el metro
Desde Anhamgabaú hacia Jabaquara
El erotismo de la música
Y de los dedos
Los erotismos de los ojos
Con la pluma bailando sobre el papel

La pluma y el papel juegan
Tiñe la hoja en el baile de las manos
Una canción sabe a película
En el baile de la vida
(Hay una pareja compleja)

Sigue el baile
El bajo, la chava
En el baile de los dedos
Sobre un palco fretless
La chava sigue juiciosa
Las  manos, el dedo, los dedos y la herida
Hacen parte del concierto

domingo, setembro 03, 2017

Em busca de Cesárea Tinajero:



Tudo começa com os diários de Juan García Madero um jovem poeta órfão em busca de uma identidade, de uma escrita, de leituras e da iniciação no amor. Seu diário nos apresenta os Detetives selvagens, mexicanos perdidos no México, uma geração de amigos, poetas, escritores, pintores que nasciam do trauma de Tlateloco. 

quinta-feira, agosto 31, 2017

Desde Tucuruvi hacia Chapultepec


Para Antonio N. y Camila G. y Papasquiaro

Amistad y libros perdidos

desplazamientos, traslados, combinaciones
Poetas y sociedades secretas
viviendo bajo las cloacas de la más grande ciudad del mundo

Amistad y amores perdidos
amores desbocados
Bajo la Luna del DF
bajo el Sol de SP
añora, chupa, fuma y

Escribe.

sábado, agosto 26, 2017

(Todos los libros del mundo están esperando a que los lea)


O que é literatura? É texto, frase, narrativa, poesía e desvencilha-se do cotidiano. A literatura é criação de tempos e espaços outros. É diálogo, debate ou acolhimento entre seres distantes e separados pelo espaço e ás vezes pelo tempo.  Literatura é perturbação e aturdimento ou simplesmente fruição. A literatura pode ser sublimação e escatologia ao mesmo tempo. Literatura é processo. É discurso. Literaturas são antenas de várias épocas. Literatura é saber e ao mesmo tempo pensar contra si mesmo. Literatura é a história dos vencidos e a dos vencedores. Literatura é revolta porém também pode ser conciliação. É desvio e atalho, literatura é resignação. Literatura é uma narrativa da história das palavras em direção a solidão. É ilusão literatura. É mentira no seu mais alto nível. Literatura é mentira que se inventa para soporizar angústias, medicar feridas, organizar o caos. Literatura é o ato de dar sentido ao que não tem sentido. Literatura é desejo transcrito. É falta e recompensa. Literatura é algo que está sempre moribunda ou em perigo, no entanto nunca morre. Literatura é um conjunto de dúvidas diabólicas ou pode ser a dúvida mais certa. Literatura é negação. Literatura é e vice versa. É périplo periclitante. È uma odisseia ou travessia duvidosa e solitária. Literatura é travessia muitas vezes povoada de companhias presentes ou ausentes. Literatura é um enredo, um tecido de experiências e narrativas do outro em mim. Literatura é o que me faz perceber melhor o outro e o meu próprio eu.  

terça-feira, junho 20, 2017

"tudo que se pode imaginar é real"



porque a palavra sonho vem sendo maltratada ultimamente:
sonho, palavra maltratada
tal qual a ideia de beleza foi difamada neste torvelinho
nos sobram as belas canções de nossa Pátria Grande
que caminharão no espaço e no tempo
numa viagem até a solidão

quinta-feira, maio 25, 2017

Farrapos de ideias



Um dia uma grande mulher juntou essas duas palavras acima  pra escrever sobre os descasos, as mazelas e injustiças que então eram recorrentes em 1920 e que fluem até hoje em nossa sociedade. Gostaria de usar estas palavras suas pra juntar ideias e organizar saídas, ou pelo menos tentar entender e perceber o atual estado das coisas aqui no Brasil do golpe. Hoje também mostrei na escola onde trabalho pra um punhado de gente jovem que há grandes heróis brasileiros e nosso trabalho é ressuscitar e falar sobre eles nas escolas, fábricas, nos escritórios e no comércio, nos bares e campinhos, igrejas e bibliotecas, na tevê e nos cinemas, nos cafés e nos botecos. Salve mestra Antonieta de Barros.

terça-feira, maio 23, 2017

Desde el fin del mundo hasta el rio Bravo


Soy el recuerdo de mi madre
        el continente absurdo

Soy la lontananza
       la añoranza de la región más transparente

Soy las niñas y los niños en las calles
       los invisibles rucos y rucas callejer@s

Soy los que no tenían voz hasta ayer

Soy los que no sabían escribir hasta ayer

Soy los muertos olvidados
     
El desierto, los desiertos, los cerros, las selvas y los animales más débiles y feroces

Soy el más grande genocidio olvidado

Soy la sangre y sus huellas en la historia de los vencidos

Soy la madre de la poesia mexicana

Soy la ultima noche del mundo





terça-feira, maio 16, 2017

Yuyos ruines


O narrador propõe outros tipos de relações entre o eu e o outro nas quais​ a linguagem e o espaço tecem tramas inimagináveis, e onde quase tudo está conectado embora as conexões seguem muito além da razão e lógicas clássicas ou greco-romanas ou judaica-cristãs.
Ontem ouvia poemas, ou seja, os recitava mentalmente enquanto lia uma página de Los detectives salvajes. Em tempos de tanto ruído, foi interessante a experiência. Vou tentar novamente, desta vez por mais páginas e por mais tempo. Tive a impressão que meus olhos paravam atentamente em muitos substantivos.
Hoje assisti Paterson de novo e às vezes fechava os olhos para alguns diálogos já previstos e alguns poemas. Fiz isto para perceber outras imagens e outras cores, enfim, outros sons. Anotei algo sobre poemas e autores que devo ler.

domingo, maio 14, 2017

Punks poetas

La dificultad de leer está en la dificultad de establecer prioridades. Además, la necesidad de compartir fotos y lecturas en las redes sociales, o algo por el estilo, me desconecta de las lecturas y sus imágenes. Qué chingaderas!

sábado, maio 06, 2017

Festina Lente


"Entre as múltiplas virtudes de Chuang-Tsê estava a habilidade para desenhar. O rei pediu-lhe que desenhasse um caranguejo. Chuang-Tsê disse que para fazê-lo precisaria de cinco anos e uma casa com doze empregados. Passados cinco anos, não havia sequer começado o desenho. “Preciso de outros cinco anos”, disse Chuang-Tsê. O rei concordou. Ao completar-se o décimo ano, Chuang-Tsê pegou o pincel e num instante, com um único gesto, desenhou um caranguejo, o mais perfeito caranguejo que jamais se viu."
(Italo Calvino)

"Un giorno il re chiede a Chuang-Tzu – il più bravo pittore della Cina – il disegno di un granchio. Chuang-Tzu risponde: “Ho bisogno di cinque anni di tempo e di una villa con dodici servitori!”. Il re acconsente. Dopo cinque anni il re va nella villa per vedere l’opera di Chuang-Tzu, ma scopre che il disegno non è ancora cominciato. “Ho bisogno di altri cinque anni per finire il mio lavoro” dice Chuang-Tzu. E il re acconsente di nuovo. Dopo altri cinque anni torna nella villa per vedere se il disegno è pronto. Chuang-Tzu allora prende in mano un pennello e in un momento, con un solo gesto, disegna un granchio, il più perfetto granchio mai visto."

(Italo Calvino)

terça-feira, maio 02, 2017

Tudo que se pode dizer é mentira:



Cúmplices e culpados em versos tristes
Saudades que morrem ou são mortas
Mas então veem outras

Chega Maio e eu nunca estive À Sombra do Vulcão

Culpados e cúmplices, me entrego e nos entrego a outros versos, outras linhas, outras canções
Mas não ligo nada com coisa alguma, nem ponto A tampouco B
Escondendo minha tristeza pra cuidar da vida
E minha saudade, o amor à Flor de Cactos

sábado, abril 29, 2017

O real perturbado e contaminado pela ficção

"Nem tudo é ficção mas tudo pode ser lido como ficção. Ser borgeano é ter a capacidade de ler tudo como ficção e de acreditar no poder da  ficção. A ficção como uma teoria da leitura." (Piglia)

quinta-feira, abril 27, 2017

Baderna

Amanhã vai ter baderna? Diz um coração sem muita informação, sem esperança e colonizado. Um coração que mistura assuntos mas não bate mais, não se move e tampouco sente que faz parte dá massa.

segunda-feira, abril 24, 2017

Abandono e desmemoria




Nas florestas ou nas cidades onde Dallana e curimins morrem de espanto e gripe; Onde Mercedes e muitas outras mulheres resistem, sofrem e morrem... e seguem contando suas histórias e resitem e morrem...
Cuales son los límites de lo literario que articulan lo político y las narrativas que no siguen lo de la ilusión y el fetichismo del progreso. 
Cómo enlazar el poético, el estético y lo político?

sexta-feira, abril 21, 2017

Shuar

Nankints es un un mundo muy lejos en la Amazonia Andina

Tierra de vallentes mujeres y hombres que resistieron a los incas

Donde hoy se muere de espanto y gripe

segunda-feira, abril 17, 2017

Alegria, tempo e memória




(Foto: Anka Zhuravleva)

Seu Paulo, em seu universo racionalista, me diz que a vida é uma ilusão e que o mundo todo está encantado. Concordo em partes, talvez o mundo esteja coberto por mercadorias e fetiches, talvez a vida seja uma ilusão ou várias ilusões, ficções, narrativas que inventamos pra poder dar sentido a um mundo sem sentido. Embora acredite que seu Paulo tenha razão, em um ponto sou inflexível: o mundo, a natureza e seus sujeitos, ou seja, nós mesmos estamos desencantados. Há muito tempo não há magia tampouco deuses existem mais. Justamente por confiarmos tanto na razão e nos seus próceres, cientistas, filósofos e idólatras. Talvez a razão e o discurso hegemônico estejam ganhando corações e mentes há pelo menos uns 200 anos.

Me faço estas perguntas lendo uma filósofa que me tira da zona de conforto, que me faz pensar e me angustia e paro em frases como estas:
(...)
“A história do Ocidente é a da dominação violenta da natureza e de nossa natureza, é obscurecimento das feridas que lhe infligimos e dos sofrimentos a que nos submetemos”

(...)

“A natureza é sujeito e o sujeito uma outra natureza”

(...)

“Pela imaginação torna-se possível obter a harmonia, a reconciliação do desejo e da realidade, da felicidade e da razão de Eros e Logos”

(...)

Frases de Olgária Matos refletindo sobre políticas do desejo e refletindo sobre: “A preguiça como paixão política: luxo, calma e volúpia”

Portanto, se podemos preencher de subjetividade a vida de nossos gatos e cachorros, por exemplo, por que não preencher de subjetividade a vida de outros seres, outros animais, da fauna em geral e da flora? Por que não preencher de subjetividade a vida e o tempo das rochas, pedras, abismos e montanhas, rios e mares? Por que não colocar uma pitada de subjetividade na vida, fluxos e contrafluxos das cidades vivas e selvagens? Há muitos dias no dia disse o poeta que também escreveu que há muitas noites na noite. Por que não resistir a um discurso hegemônico do fetiche e das mercadorias e da reificação de nós mesmos?

(Se eu tiver muitas certezas ou não tiver várias perguntas isso é sinal de que eu não estou entendendo nada?)



@leiamulheres

sábado, abril 15, 2017

Yuyos ruines:


(Henri Carter's Photo)

O narrador propõe outros tipos de relações entre o eu e o outro nas quais​ a linguagem e o espaço tecem tramas inimagináveis, e onde quase tudo está conectado embora as conexões seguem muito além da razão e lógicas clássicas, isto é, greco-romanas ou judaica-cristãs.

domingo, março 05, 2017

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Running everywhere at such a speed

"A bee is never as busy as it seems; it's just that it can't buzz any slower." (Kin Hubbard)

sábado, fevereiro 04, 2017

Agoridade

Para Olgária Matos:

As nuvens e a garoa comovem esta  manhã. De longe escuto aos adestradores de desejos, não importa, vivemos num ruído continuo e intermitente, não importa, caminho, para onde? Não sei, não importa, o corpo foi feito pra movimentar-se, caminhar e sonhar novos e antigos espaços, o corpo foi feito para ser consumido pelos sonhos de liberdade.
Tateando numa noite qualquer retinta, percebo a vida breve e vislumbro suas metáforas, suas figuras de linguagem, num eterno pasmo pueril, sempre atento, porém é difícil estar sempre atento, tão fácil baixar a guarda nesses tempos de medos, violência, ignorância e preconceitos, tempos de cientificismo, de ciência em si, de técnicas despoetizadoras,  tempos de espetáculo e ruído, de ética do consumo, tempos do Capital como religião, tempos de trabalho alienado e urbanização alienante, tempos de urbanismo da alienação em nome da (i)lógica do mercado.
“Si el bien no existe, hay que inventarlo.” Caminho como muitos de minhas irmãs e irmãos, como meus pais, como meus mortos. Para onde? Não sei, não importa. O importante é tentar perceber melhor o presente, tentar enxergar melhor as coisas e seus fantasmas. Aproveitar a paisagem. Elaborar e amar até o fim. Projetar-se.

O entardecer parece sempre a parte mais bela e melancólica desta viagem.

(Alchelas )

terça-feira, janeiro 31, 2017

Ser su trovador:



entiendo a Calipso mientras la escucho tan lejos
entiendo las nubes 
percibo  el clima de  la vida breve
aunque me gustaría tocar Calipso como se tocan las nubes, 
como se toca el charango:
tocar su sonrisa y sus heridas 
además de escucharla me encanta saberla 

segunda-feira, dezembro 19, 2016

Triste de chuva:

(Imagem by Ronim)

Em minha solidão, triste de chuva, penso em Carlos Antonio López,  Francisco Solano, el Coronel Aureliano Buendía, el Comandante Fidel Castro, penso em Che Guevara. Penso em todas as Úrsulas, mães de nosso continente. Penso na solidão e na cumplicidade fraternal. Penso na cumplicidade e na solidão  da sororidade. Penso nos feminicídios. Penso na mãe África. Penso nos analfabetos de nossa América Latina. Penso no abismo incolor do nada e na espiral luminosa do possível. Penso na matéria da memória, em seu tempo  e em sua consciência. Penso na legitimação da violência e na legitimação da barbárie promovida pelo Estado. Penso no conservadorismo da indústria cultural e penso na reificação do ser humano provocada por essa mesma indústria. Penso nos filmes de ação norte-americanos e em débeis heróis inverossímeis, penso na épica distorcida e anacrônica de um mundo artificialmente maniqueísta. Penso nos vídeo games de hoje e no sadismo latente e patente desses jogos além do gozo também sádico de seus jogadores cultivado pelo comportamento de massas. Penso em Cem anos de solidão, penso nas Veias abertas da América Latina e também penso e rumino a Literatura, violência e melancolia. Penso em aprender a recontar essas histórias e outras tantas.   Penso na paixão dos suicidas e na paixão dos que lutam pela terra, na paixão dos que  lutam pela educação, dos que lutam por condições mais dignas de trabalho, penso nos que lutam por condições dignas e liberdade de se amarem. Penso no papel da mídia e de seus deformadores de opinião. Penso em ilusões e desejos. Penso em quem cozinha o banquete da vitória. Penso em Brecht. Penso: entre el deseo y la palabra, un puente insalvable. Penso no consumo no lugar da felicidade. Penso em Esperanza Araiza. Penso em Malinche. Penso em aproveitar melhor a caminhada, penso em mirar, beber e absorver a paisagem, suas cores, seus sabores e seus odores. Penso no Tempo. Penso na estética e na ética. Penso em escrever e ler todos os dias. Penso na competição que gera a falta de solidariedade. Penso nas ilhas de Cuba e do Haití. Penso em fantasias e ficções. Penso em Paula C. Penso em Beatriz,  Benjamin, penso nas crianças desamparadas nas ruas e penso nos órfãos. Penso nas chacinas de negros e pobres nas periferias. Penso em Buenos Aires e leio Alejandra Pizarnik. Penso no México, em meus bons amigos, carnalitos, régios, tapatíos, companheiros de aventuras e de leituras, penso no México todo tempo, em seus heróis e suas canções. Penso em meu pai e penso em minha irmã. Penso em escrever no ar e em recitar poemas. Penso em levantar defuntos e em salvar nossos mortos. Penso em Walter Benjamin. Penso em meus irmãos, penso nos vencidos, e nos que resistem às intempéries das ruas, sobretudo penso em nós, subalternos. Penso no acriançamento das palavras. Penso em  Remedios en la clepsidra secreta de las polillas. Penso em recordar Margarida suas histórias, sua dor e morte, penso em Antonio, Dona Francisca, Manoel e Dona Nazaré. Sinto e penso. Penso que há golpes tão fortes na vida. Penso: seria a solidão um artifício, uma invenção?