terça-feira, fevereiro 15, 2011

Los Puentes de Königsberg


Era uma vez dois narradores. Era uma vez 6 meninas desaparecidas. Era uma vez Floro, Blasco, Polaco, suas bebedeiras e suas histórias. Era uma vez o desaparecimento da filha dos Gortari. Era uma vez Andrea e o filho dos Gortari, uma professora e um aluno. Era uma vez Laura, Floro e uma obra de teatro. Era uma vez a Señora Alvarado e sua filha desaparecida, Araceli. Era uma vez Alberta, Blasco e uma caixa de bonbons. Era uma vez Nicole, Lucas David e as Crônicas prussianas. Era uma vez 1944 e 1968. Era uma vez 1410 e 1583. Era uma vez Monterrey e Königsberg. Era uma vez sete pontes. Era uma vez a guerra. Era uma vez um rio. Era uma vez tudo ao mesmo tempo.


segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Lo cierto (Camila Moreno)




De tanta carne sin masticar
lluvia o rubí
se queda en sí, así no se puede dar

Lo que esta afuera es el final
yo no por ti
tu no por mi, por dentro rugirá

De tanta piedra que granizar
vino a caer
lo imposible de nuevo por no ver

Y si estamos despiertos
pa' cuando llegue la mitad
él le dirá todo lo cierto
su amor entero siempre llegará

domingo, fevereiro 13, 2011

Você pode ir na janela (Sérgio Guilherme Filho)


Se não vai...

não desvie a minha estrela
não desloque a linha reta

Você só me fez mudar
mas depois mudou de mim

Você quer me biografar
mas não quer saber do fim

Mas se vai...

Você pode ir na janela
Pra se ammorenar no sol
que não quer anoitecer

E ao chegar no meu jardim
mostro as flores que falei

Vai sem duvidar
Mas se ainda faz sentido, vem
Até se for bem no final
será mais lindo

Como a canção
que um dia fiz
pra te brindar

Foto: William Burrooughs de Richard Avedon

sábado, fevereiro 12, 2011

Ipseidade e sua dispersão



(...)
E sinto que a minha morte –
Minha dispersão total –
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.
(...)
Mário de Sá Carneiro

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Arte do chá (Paulo Leminski)



ainda ontem
convidei um amigo
para ficar em silêncio
comigo

ele veio
meio a esmo
praticamente não disse nada
e ficou por isso mesmo

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Los Puentes de Königsberg (de David Toscana)


Königsberg, continuó la maestra Andrea, es una de las ciudades más bellas del mundo, muy distinta a esta pocilga. Se sabe que allá vivió uno de los más sabios filósofos de la historia; también nació un escritor tan maravilloso que hizo hablar a un gato y nombró a los que no tenian nombre; en aquella ciudad los literatos armaron una tormenta, se enamoró el más intenso de los compositores románticos y un matemático hizo teología con el álgebra. (39)

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Aprendizado (Barulhos) de Ferreira Gullar


"Do mesmo modo que te abriste a alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.

Do mesmo modo
que da alegria foste
ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporize
toda ilusão

que a vida só consome
o que a alimenta"

domingo, fevereiro 06, 2011

Domingo (Mário de Andrade)


Missas de chegar tarde, em rendas,
e dos olhares acrobáticos...
tantos telégrafos sem fio!
Santa Cecília regorgita de corpos lavados
e de sacrilégios picturais...
mas Jesus Cristo nos desertos,
mas o sacerdote no "Confiteor"... Contrastar!
- Futilidade, civilização...


Hoje quem joga?... O Paulistano.
(...)

sábado, fevereiro 05, 2011

Encontros e despedidas ( PARA Dona Olimpia e Seu Emílio)


Se a metonímia do ser é o desejo, a metáfora da vida é uma viagem e nossos receios?

Aprendizado

(...)
"Agora porém
depois de
tudo
sei que
morro


sem ênfase"

FERREIRA GULLAR

Tristura (Mário de Andrade)


"Une rose dans les ténèbres" Mallarmé

Profundo. Imundo meu coração...

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Mais Feliz

Adriana Calcanhotto
Composição: Dé/ Bebel Gilberto/ Cazuza


O nosso amor não vai parar de rolar
De fugir e seguir como um rio
Como uma pedra que divide um rio
Me diga coisas bonitas
O nosso amor não vai olhar para trás
Desencantar, nem ser tema de livro
A vida inteira eu quis um verso simples
P'ra transformar o que eu digo
Rimas fáceis, calafrios
Fure o dedo, faz um pacto comigo
Num segundo teu no meu
Por um segundo mais feliz

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Vambora (Composição: Adriana Calcanhotto)

Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
Prá mudar a minha vida
Vem, vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva...
Ainda tem o seu perfume
Pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara?
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz...
Ainda tem o seu perfume
Pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara?
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas...

segunda-feira, janeiro 31, 2011

minha demissão subjetiva


"Vontade de me jogar fora"

Susceptível

Alienável

Insustentável leveza

Sonho cursos fluviais e portos distantes

Viagens insólitas

Vontade de comer corn dogs

Vontade de comer pretzels com você em NYC ou Tenesee

Vontade do nada

Vontade de me desintegrar em soluços

Sonho o último suspiro


Foto buscada no ggogle por pesquisa com palavras chave "metonímia do ser" (Acho que de domínio público)

domingo, janeiro 30, 2011

Detrás do rosto (Ferreira Gullar)


Pode você calcular quantas toneladas de luz
comporta
um simples roçar de mãos?
ou o doce penetrar
na mulher amorosa?


The science of sleep

-Why me?
- Because everyonelse is boring and you are different.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

A Página do Relâmpago Elétrico (Beto Guedes Composição: Beto Guedes e Ronaldo Bastos)




Abre a folha do livro
Que eu lhe dou para guardar
E desata o nó dos cinco sentidos
Para se soltar
Que nem o som clareia o céu nem é de manhã
E anda debaixo do chão
Mas avoa que nem asa de avião
Pra rolar e viver levando jeito
De seguir rolando
Que nem canção de amor no firmamento
Que alguém pegou no ar
E depois jogou no mar

Pra viver do outro lado da vida
E saber atravessar
Prosseguir viagem numa garrafa
Onde o mar levar
Que é a luz que vai tescer o motor da lenda
Cruzando o céu do sertão
E um cego canta até arrebentar
O sertão vai virar mar
O mar vai virar sertão
Não ter medo de nenhuma careta
Que pretende assustar
Encontrar o coração do planeta
E mandar parar
Pra dar um tempo de prestar atenção nas coisas
Fazer um minuto de paz
Um silêncio que ninguém esquece mais
Que nem ronco do trovão
Que eu lhe dou para guardar

A paixão é que nem cobra de vidro
E também pode quebrar
Faz o jogo e abre a folha do livro
Apresenta o ás
Pra renascer em cada pedaço que ficou
E o grande amor vai juntar
E é coisa que ninguém separa mais
Que nem ronco de trovão
Que eu lhe dou para guardar

também sobre a bebida em noites quentes com os amigos


Cerveja também rima com alegria, suco de melão e melancia. x -)

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Trenzin ( Ferreira Goulart)


Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade e noite a girar
Lá vai o trem sem destino
pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra
vai pela serra, vai pelo mar
Cantando pela serra ao luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar...


foto de Villa Lobos

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Cuadro por cuadro (Historias mínimas)


Cuadro por cuadro

Quando se trata de pensar e escolher uma cena favorita, e por conseguinte, um filme favorito, aflui na memória uma massa amorfa de cenas que não sei realmente distingui-las. Minha mente, acostumada com as imagens, praticamente não as saboreia, mas as absorve. Quero dizer, na era do espetáculo e da imagem, é muito difícil você desfrutar as imagens. No máximo, absorvemos elas sem muito prazer.

Então quando nos propomos a uma tarefa tão árdua vem primeiro, acho eu, títulos memoráveis, histórias favoritas e diretores consagrados. Fellini, Truffault, Kieslowski, ou os planos sequências de Andrei Tarkóvski, Win Wenders, Carlos Reigadas, aí as cenas começam a aparecer, no entanto, ainda como num daqueles sonhos cujo relato se torna impossível e incomunicável dado a quantidade de informação e a rapidez que as imagens lhe apareceram no sonho. Aí vc se volta para casa e, como um bom brasileiro aficionado pela cidade de São Paulo, se lembra de Person e dos planos de São Paulo S/A. Ou se lembra da criatividade de Glauber Rocha e a sua sofisticação precária na maneira de filmar o Eldorado. Ou se lembra dos requintes de Walter Sales e Fernando Meireles que, embora tenham muita técnica e recursos, às vezes lhes falta a cor da paixão em suas cenas. No entanto, os planos da já famosa galinha na abertura e final de Cidade de Deus nos fazem suspirar e achar que ainda há uma luz no fim do túnel.

Mas não queria ser bairrista, tampouco nacionalista, e me lembrei que o cinema argentino sempre me impressiona por suas cores, sua paixão e musicalidade. Um filme que não me sai da cabeça é o Histórias mínimas de Sorín. Assim, para não cair nas velhas cenas inesquecíveis que já se tornaram mais que previsíveis neste tipo de escolha onde Mastroiani e Anita Ekberg são repetidamente citados, ou um plano sequência de Orson Wells, no caso de a escolha ser mais intelectualizada, eu fico com qualquer cena deste filme de Sorín que me enche de emoção cada vez que o assisto.

Mas para não ser injusto na minha resposta e refinar com precisão as cenas, poderia escolher os planos que envolvem o personagem Don Justo, um octogenário, em sua busca por seu cachorro Malacara. Talvez a cena do aparente reencontro, talvez a primeira cena em que aparece Don Justo na beira da estrada entretendo a criançada. As cores azul e branca do céu da Patagônia austral de Sorín tem mais outras tantas cores. O amêndoa ou o laranja da sua terra e de seu horizonte se transformam em mais outros milhões de cores.


Inspirado num texto de Adriana Aizenberg na sessão Radar do jornal argentino Pagina 12


http://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/radar/17-6776-2011-01-26.html


terça-feira, janeiro 25, 2011

TRISTURA ( by Mario de Andrade)



Profundo. Imundo meu coração...

(...)

Minha alma corcunda como a avenida São João...

(...)

Paulicea, minha noiva... Há matrimônios asssim...

Ninguém os assistirá jamais!

(...)

E tivemos uma filha, uma só...

Batismos do snr. cura Bruma;

Água benta das garôas monótonas...

Registrei-a no cartório da Consolação...

Chamei-a Solitude das Plebes...

(...)



Foto de Aurélio Becherini

segunda-feira, janeiro 24, 2011

sair, tentar se distrair


Saímos para beber, fumar uns cigarros, conversar e fazer novas amizades. Mas a cerveja me caiu mal, tinha gosto de urina, sei lá, quando uma pessoa não esta bem não quer beber assim como as pessoas que não estão bem também bebem, se isso fizer algum sentido. É como dizer que a bebida tem que ver com a tristeza de uma maneira geral, faz sentido? Bem pra alguém como E. faz todo o sentido. (E. na ficção pode ser eu, pode ser vc, pode ser ela, pode ser todos nós)

sexta-feira, janeiro 21, 2011

El Astillero (1961 –Juan Carlos Onetti)



Personagens principais:

Larsen (ou Juntacadáveres)

Kunz

Gálvez

Jeremias Petrus

Angélica Inês Petrus

Dr. Diaz Grey

Enredo e impressões textuais

Num estaleiro fantasma, acerca da famosa cidade de Santa Maria, o protagonista Larsen se lança numa empresa que mais parece um jogo de ilusões. Já homem de meia idade, ele segue em busca de suas ambições materiais, simbólicas e de uma espécie de tesouro perdido, aceita gerenciar uma empresa em ruínas, em princípio almeja casar-se com a filha do dono do negócio e liquidar o patrimônio ou os escombros do que resta do antigo Puerto Astillero.

O narrador se divide em algumas vozes ou alguns tons, uma voz testemunha os eventos e possui uma onisciência relativa, se é que se pode chamá-la assim, ou melhor, possui uma narrativa um tanto subjetiva que às vezes chega a basear-se em depoimentos das próprias personagens. Há também um tom menos intervencionista, mais lírico, capaz de interpolar a narrativa em digressões cheias de figuras de linguajem e imagens poéticas sobre as personagens e suas histórias particulares que as caracterizam. Ou, por vezes, uma mescla destas duas vozes ou tons que predominam na narrativa, é o caso do capítulo “Santa Maria IV” – que conta um pouco a história de Angélica Inês – para caracterizá-la tanto fisicamente quanto psicologicamente - por meio da visão e impressões de Diaz Grey. Assim, ainda que lírico, o narrador é altamente manipulador.

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Para C.


Dona Olímpia

Milton NascimentoComposição: Toninho Horta e Ronaldo Bastos


Vai e não esquece de chorar
Vê se não esquece de mentir
Dizer até manhã
E não regressar mais
Vê se não esquece de sumir
É ficou assim, caiu no ar
É passou assim, não quer passar
Não pára de doer
E não vai parar mais
Nem de vez em quando vai sarar
Me xinga me deixa me cega
Mas vê se não esquece de voltar
Tentar compreender
Quase não falar mais
E nem ser preciso perdoar
Me xinga me deixa me cega
Mas vê

Foto de Luis López - Ouro Preto 2010

terça-feira, janeiro 18, 2011

O ponto cego do eu?


Não é solipsismo, tampouco hipertrofia da consciência... Espero que um dia vc me perdoe. Meu silêncio hoje tem muito significado, não é mais do mesmo, mais um clichê, lugar comum, sequer vontade de fazer literatura. Umas frases assim seriam imperdoáveis. Esse silêncio (que já virou discurso de si mesmo) tem de ver com minha vergonha, ao mesmo tempo, com um mal-estar profundo, não tem nada que ver com culpa cristã (acho). Um sentimento de nãO pertencer a parte alguma.

"Vontade de me jogar fora"

Assim como alguém que ao mesmo tempo que trai a todos também é traído por todos, ou melhor, menos, talvez, por você. Sei que te quero mas não tenho coragem de dizer tudo aquilo que eu omiti. Acho que isso tem de ver com minha famosa covardia. Isso não tem cura.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Trecho de o Mal estar da civilização. (Como isso pode ser possível?)

Around the fish (1926) - PAUL KLEE

A pista pode ser fornecida por uma das exigências ideais, tal como as denominamos, [2] da sociedade civilizada. Diz ela: ‘Amarás a teu próximo como a ti mesmo.’ Essa exigência, conhecida em todo o mundo, é, indubitavelmente, mais antiga que o cristianismo, que a apresenta como sua reivindicação mais gloriosa. No entanto, ela não é decerto excessivamente antiga; mesmo já em tempos históricos, ainda era estranha à humanidade. Se adotarmos uma atitude ingênua para com ela, como se a estivéssemos ouvindo pela primeira vez, não poderemos reprimir um sentimento de surpresa e perplexidade. Por que deveremos agir desse modo? Que bem isso nos trará? Acima de tudo, como conseguiremos agir desse modo? Como isso pode ser possível? Meu amor, para mim, é algo de valioso, que eu não devo jogar sem reflexão. A máxima me impõe deveres para cujo cumprimento devo estar preparado e disposto a efetuar sacrifícios. Se amo uma pessoa, ela tem de merecer meu amor de alguma maneira. (Não estou levando em consideração o uso que dela posso fazer, nem sua possível significação para mim como objeto sexual, uma vez que nenhum desses dois tipos de relacionamento entra em questão onde o preceito de amar seu próximo se acha em jogo.) Ela merecerá meu amor, se for de tal modo semelhante a mim, em aspectos importantes, que eu me possa amar nela; merecê-lo-á também, se for de tal modo mais perfeita do que eu, que nela eu possa amar meu ideal de meu próprio eu (self). Terei ainda de amá-la, se for o filho de meu amigo, já que o sofrimento que este sentiria se algum dano lhe ocorresse seria meu sofrimento também – eu teria de partilha-lo. Mas, se essa pessoa for um estranho para mim e não conseguir atrair-me por um de seus próprios valores, ou por qualquer significação que já possa ter adquirido para a minha vida emocional, me será muito difícil amá-la. Na verdade, eu estaria errado agindo assim, pois meu amor é valorizado por todos os meus como um sinal de minha preferência por eles, e seria injusto para com eles, colocar um estranho no mesmo plano em que eles estão. Se, no entanto, devo amá-lo (com esse amor universal) meramente porque ele também é um habitante da terra, assim como o são um inseto, uma minhoca ou uma serpente, receio então que só uma quantidade de meu amor caberá à sua parte – e não, em hipótese alguma, tanto quanto, pelo julgamento de minha razão, tenho o direito de reter para mim. Qual é o sentido de um preceito enunciado com tanta solenidade, se seu cumprimento não pode ser recomendado como razoável?


FREUD

http://www.espacoacademico.com.br/026/26tc_freud.htm

Para C.


¿Qué tienen los viajes que producen tanta alegría? Aun el más breve sugiere algo a modo de renovación, o de muerte. Diarios. Pizarnik.

Queria ter conhecido Havana, Cuba e todo México com vC.
Mas agora é tarde, é sempre tarde.
Quanta estupidez minha além da já famosa covardia.

O monstro foi encontrado pelas ruas da charmosíssima Havana, dizem que ele ainda aterroriza seus moradores.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Descartável ( Chico Alvim)


Vontade de me jogar fora

(fingidor, fingir dor, agora não tem como voltar atrás, desculpas não vão concertar nada, disse fulano, o outro respondeu com silêncio, não havia mais nada a fazer; no final quem mais sofreu foi a mulher)

Painting: Adam and Little Eve, 1921. (Paul Klee)

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Pablo and Andrea




show me where you keep all your secrets upstairs
night after night you sleep while they're setting off flares

someone came and took all the roses away
now you'll sit showing me tears if you want me to stay
cause down the street all the meters have run out of time
run out of time

I waited for you as the trees swayed out of time
in a crowded room I pick up your lonely stare
I'll cover for you like a slipcover covers a chair
but someone came and took all the roses away
it was only 5 minutes, it felt like it stretched into a day
someone came and took all the roses away

took all the roses away
took all the roses away

Blue line swinger


You, you won't talk about what we see when the lights are out
And I'm willing to hold your hand while you're lost,
while you're so full of doubt
Walk for miles, on your own loose ends, I'll find you there
I'll find you there

You, you walk up thin blue lines possible with reality
And I, I see through small red eyes,
glowing still at your uncertainty
Out of darkness you will come around, I know you will
I know you will
And I'll find you
And I'll find you there

(cena do filme Año Uña)

domingo, janeiro 09, 2011

If you see him say hello



"Eu matei minha saudade mas depois
veio outra"

segunda-feira, janeiro 03, 2011

se eu morrer amanhã


deixarei um par de pessoas tristes, uma saudade distante, uma falta do que poderia ter sido mas nao é e nunca foi, uma saudade do que nao fiz e nao conheci, uma dor e um vazio
morreria também minha covardia e meu desespero e tudo continuaria como sempre foi desde sempre.

O Rio

Ser como o rio que deflui
Silencioso dentro da noite.
Não temer as trevas da noite.
Se há estrelas nos céus, refletí-las.
E se os céus se pejam de nuvens,
Como o rio as nuvens são água,
Refleti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranquilas.

BANDEIRA

Sonho com Urubamba estes dias e com o Amazonas que nunca vi

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Peru


Fazer política é passar do sonhos às coisas, do abstrato ao concreto. A política é o trabalho efetivo do pensamento social: a política é a vida. Admitir uma quebra de continuidade entre a teoria e a prática, abandonar os realizadores a seus próprios esforços, ainda que concedendo-lhes uma cordial neutralidade, é renunciar à causa humana. A política é a própria trama da história.

A vida, a história, fazem-na os homens possuídos e iluminados por uma crença superior, por uma esperança sobre-humana; os demais constituem o coro anônimo do drama.

José Carlos Mariátegui

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Final de jogo


Ópios, Édens, analgésicos
não me calem essa dor.
Ela é tudo o que me sobra
sofrer vai ser
A minha última obra.

Paulo Leminski/ Itamar Assumpção

para mis viejas: Sra. Voltaren, Sra. Codeína, Sra. Risperidona.

terça-feira, novembro 30, 2010

Sobre o amor próprio (ou sobre o Pandemoniun)


"Nada é tão impetuoso quanto seus desejos, nada tão oculto quanto seus desígnios, nada tão prudente quanto a suas condutas; sua flexibilidade não se pode representar; suas transformações ultrapassam as das metamorfoses, e seus refinamentos, os da química. Não se pode sondar a sua profundidade, nem perfurar as trevas dos seus abismos(...) Muitas vezes ele é invisível a si mesmo, então concebe, alimenta e cria, sem o saber, um grande número de afeto e ódios, e os forma tão monstruosos que, ao trazê-los à luz, não os reconhece ou não pode resolver-se a confessá-los(...) Ele é todos os contrários: imperioso e obediente, sincero e dissimulado, misericordioso e cruel, tímido e audacioso(...) É inconstante, e além das mudanças que dependem de causas exteriores, há uma infinidade que nasce dele e de seu próprio fundo; ele é inconstante na inconstância, na leviandade, no amor, na novidade, na lassidão e na repugnância; é caprichoso(...) vive de tudo, vive de nada. Eis a pintura do amor prórpio, cuja vida inteira não é senão uma grande e longa agitação; o mar é a sua imagem sensível, e o amor próprio encontra no fluxo e refluxo de suas vagas contínuas uma fiel expressão da sucessão turbulenta de seus pensamentos e de seus eternos moviementos."
La Rochefoucauld
Photo by Alev Adil

segunda-feira, novembro 29, 2010

sobre o homem subterrâneo ( o narrador Brás Cubas)


"Satura tota nostra est"
Quintiliano

"Esquecemos facilmente nossas faltas quando só nós as conhecemos"
La Rochefoucauld

"Je suis moy-mesme la matière de mon livre"
Montaigne

" O mal começa com a consciência demasidamente aguda, pois o excesso de lucidez mata as ilusões indispensáveis a subsistência da vida, que só pode desenvolver-se num clima de inconsciência, a inconsciência da ação"
Augusto Meyer

Último trabalho do ano de 2010: Alguns aspectos das leituras de Bosi e Schwarz sobre Machado de Assis

sexta-feira, novembro 26, 2010

porque Murilo ( "pensar é escrever sem acessórios" Mallarmé)


O Professor Aguiar



"O professor diz que a função da filosofia é ortopédica, ajudando a restaurar o mundo deformado;"(...)


Deixo a horta-jardim, couves e bogaris caem de sono, a academia de gatos mia; canta no fundo um galo garnisé. O ar sobe ou desce? Dona Eufrásia acena-me um adeus repetido, ferroviário, diz que vai cair uma tempestade, ri muito; e cai mesmo; o céu e a terra trazem guarda-chuvas diferentes.


Murilo Mendes ( A Idade do Serrote)

quinta-feira, novembro 25, 2010

porque por trás de um "gênio" sempre há uma tradição


COMIGO ME DESAVIM




Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.


Com dor, da gente fugia,
Antes que esta assim crescesse:
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.
Que meio espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim?


F. Sá de Miranda

quarta-feira, novembro 24, 2010

Daguerreótipo - ou a imortalidade pode estar num par de sapatos


"No instante supremo, o homem, cada homem, fica entregue para sempre a seu gesto mais ínfimo e cotidiano".

Agamben

"Sim, a felicidade é um par de botas”

Matias Deodato de Castro e Melo

Foto: Boulevard du Temple em 1838 ( Daguerre da janela de seu estúdio, em horário de pico.)

http://machado.mec.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=166&Itemid=173

Sobre raisins e nuts, batismo de fogo, insônia, Machado e Rosa


El diablo sólo pide aquiescencia... nada de luchas ni conflictos.

Alchismes dice para Almenso que Alchido estaba Alnuts. (Almenso contestó que no, que Alchido era Alchevere)

Alchido dice que Alchismes era Alchingo de Alchistes y demasiado Almetiche.

Lejano del centro, aún intentando mantnerse de pie Alchelas decía que para explicar la teoria del espejo ni Freud , tampoco Lacan, sino, Machado, o sí uno quería despertarse de la pesadilla que aguantara Guimarães. Después firmó Alchomskies y se fue estudiar linguística.

Alborotado dijo que ya era tarde para estudiar pero Aldesespero dijo que no, a lo mejor, dijo que Alchelas tenía que parar de ser Alhuevas.





Foto de Antonin Artaud, a quem ainda não fui apresentado

terça-feira, novembro 23, 2010

Eu posso ir na janela?


Ando desassossegado por esses dias. Tudo me faz associar idéais. Uma cor, um par de tênis, um par de pernas, um perfume, tudo me faz lembrar você. Doze andares, meus demônios e pesadelos vão e voltam. Você fica. Você fica com outro e eu me arrependo de nunca ter ficado com ela (ele). Hoje, assisti um colóquio com seu professor favorito mas você ausentou-se, preferiu ficar com ela. No colóquio, falaram sobre tanta coisa, além de falarem sobre Winnicott, seu autor favorito, e eu pensava na primeira vez que você me falou sobre ele. Também no colóquio, um professor falou sobre o Onetti. Eu queria ser Onetti, no entanto, não consigo juntar quatro palavras pra lhe mandar um correio. Não consigo falar que quando eu presto atenção no cabelo de outras mulheres estou a fantasear os seus. Não consigo parar de pensar na sua pele, nesse gosto de fruta estrangeira e familiar que você tem. Não consigo elogiar o corte de cabelo de uma amiga com medo de parecer outra coisa porque tudo me excita. Não consigo ser eu mas sou outro que nunca gostou de ser estrangeiro. Mas afinal, toda mulher me é estrangeira? faz três meses que queria lhe perguntar isso, quando você não estivesse acompanhada, mas não tive coragem. Nunca tenho coragem (Lhe neguei três vezes e agora é tarde pra dizer sim, entra e fecha a porta. )Não consigo parar, não consigo parar de pensar. As pessoas me enfastiam. Os pessoas me aborrecem. El diablo sólo pide aquiescencia... nada de luchas ni conflictos. O diabo anda a me perseguir por esses dias. Me lembro da primeira noite em que você me disse me da pena. Não consigo viver eu mesmo. Todos os caminhos me levam a você mas é sempre tarde. E tudo me faz pensar... as conexões que eu faço nunca terminam bem, sempre caio na minha prórpia rede. Você só me fez mudar mas depois mudou de mim. Talvez uma viagem, talvez Sinaloa, talvez Buenos Aires, talvez Lisboa, talvez Santa Maria.

O retrato do artista quando moço é de Juan Carlos Onetti

Paixão por epígrafes




"El diablo sólo pide aquiescencia...
nada de luchas ni conflictos".
Aquiescencia.




Na foto David Toscana ( By Gailarde)

Armando me mandou isso sobre os Prunedas ( Duelo por Miguel Pruneda):

http://de10.com.mx/9978.html?awesm=fbshare.me_AXbn7

Me lembrei de que em Estación Tula também há este tipo de morte sugerida.

Gracias Armando Y Cassandra

segunda-feira, novembro 22, 2010

Entre uma coisa e outra venha o diabo e escolha

O ano da morte de Ricardo Reis

"Todos nós sofremos duma doença, duma doença básica, digamos assim, esta que é inseparável do que somos, se não seria mais exato dizermos que cada um de nós é a sua doença, por causa dela somos tão pouco, também por causa dela conseguimos ser tanto, entre uma coisa e outra venha o diabo e escolha, também se costuma dizer"...

Ricardo Reis (Segundo Saramago)

O Ano da morte de Saramago


Sobre a morte: "diferença entre ter estado e já não estar"

Assisti José e Pilar. Um filme que os leitores mais traumados com a literatura assim como os jornalistas mais despreparados deveriam ser obrigados a assistir, jajaja. Poético, cômico, trágico e mágico ao mesmo tempo.

Saramago só poderia ser companheiro de Pilar, tal qual Baltasar só poderia ter por companeira Blimunda.

domingo, novembro 21, 2010

Assim é


Ser sincero comigo mesmo, encontrar meu tom. Faz três dias que eu não como, semana que eu não escarro, Adão foi feito de barro, sobrinho me dá um cigarro. Faz três dias que eu lhe neguei três vezes. Como posso ser tão incoerente num tão curto espaço de tempo? Como negar uma das criaturas mais lindas que eu já conheci? Ignorância, fraqueza, covardia, ou seja, porque sou eu. Remoer a vergonha, indigna pois não se trata de um outro adversário,mas sobretudo, meu próprio medo que sempre me vence.Todos passarinhos choraram de pena gemida nos ninhos e o herói gelou de susto.


Foto: Iara Rennó (contra capade Macunaíma Ópera Tupi) By Bruno Nucci

quinta-feira, novembro 18, 2010

ya los extraño carnalitos


"A realidade quando incrível ou muito nova corta o desejo do fictício. (Tese a ser discutida.)"
ANA CRISTINA CESAR

quinta-feira, novembro 11, 2010

Para Auxilio Lacouture, Bolaño, Arguedas e todos os latinoamericanos



"Saber pensar o espaço para saber nele se organizar, para saber ali combater... Afinal nem toda região montanhosa arborizada é Sierra Maestra".

(Yves Lacoste, in A Geografia serve, antes de mais nada, para fazer a guerra)
Para quem ainda faz letras:
Podemos pensar e organizá-lo desde a sala de aula, no banheiro - como Auxilio - na Padaria, na biblioteca ou na Tapioca. Pois a literatura, quer queiram ou não, ainda é o lugar da utopia, da resistência, faz sentido?

quarta-feira, novembro 10, 2010

wanna be


"Queríamos, pobres de nosotros, pedir auxilio; pero no habia nadie para venir en nuestra ayuda"
PETRONIO




queria ser Jeanne

sábado, novembro 06, 2010

Dispersão


(...)
E sinto que a minha morte –
Minha dispersão total –
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.
(...)
Mário de Sá Carneiro

sexta-feira, novembro 05, 2010

Sobre ou sob? eis a questão Pessoa



A queda

(Mário de Sá-Carneiro)


Eu que sou o rei de toda esta incoerência,
Eu próprio turbilhão, anseio por fixá-la
E giro até partir... Mas tudo me resvala
Em bruma e sonolência,

Se acaso em minhas mãos fica um pedaço de ouro,
Volve-se logo falso... ao longe o arremesso...
Eu morro de desdém em frente dum tesouro,
Morro à míngua, de excesso.

Alteio-me na côr à força de quebranto,
Estendo os braços de alma — e nem um espasmo venço!...
Peneiro-me na sombra — em nada me condenso...
Agonias de luz eu vibro ainda entanto.

Não me pude vencer, mas posso-me esmagar,
— Vencer às vezes é o mesmo que tombar —
E como inda sou luz, num grande retrocesso,
Em raivas ideais ascendo até ao fim:
Olho do alto o gêlo, ao gêlo me arremesso...

* * *

Tombei...

E fico só esmagado sobre mim!...



Paris, 8 de maio de 1913

SÁ-CARNEIRO, Mário de. "A queda". In: Dispersão

Obra: Klee?

Ouro Preto


'Casamiento de negros'

Se ha formado un casamiento
todo cubierto de negros,
negros novios y padrinos
negros cuñados y suegros,
y el cura que los casó
era de los mismos negros.

Cuando empezaron la fiesta
pusieron un mantel negro
luego llegaron al postre
se sirvieron higos secos
y se fueron a acostar
debajo de un cielo negro.

Y allí están las dos cabezas
de la negra con el negro,
amanecieron con frío
tuvieron que prender fuego,
carbón trajo la negrita
carbón que también es negro.

Algo le duele a la negra
vino el médico del pueblo
recetó emplasto de barro
pero del barro más negro
que le dieron a la negra
zumo de maqui de cerro.

Ya se murió la negrita
que pena p´al pobre negro,
la echó dentro de un cajón
cajón pintado de negro,
no prendieron ni una vela
ay, qué velorio más negro.

Y ya partió la negrita
levitando para el cielo
Era un dia muy nublado
todo se veía negro
Y abrió la puerta San Pedro
que era de los mismos negros

(música recolhida e adaptada do folclore chileno por Violeta Parra, última estrofe de Polo Cabrera)

violão e voz Milton Nascimento

Grupo Tacuabé

y etc

Ouvir Clube Da Esquina 2

quarta-feira, novembro 03, 2010

Belo Horizonte, quanta história em tão pouco tempo



"De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro".

O Encontro Marcado FERNANDO SABINO

Ruas da cidade


(Lô Borges e Márcio Borges)

Guaicurus, Caetés, Goitacazes
Tubinambás, Aimorés
Todos no chão
Guajajaras, Tamoios, Tapuias
Todos Timbiras, Tupis
Todos no chão
A parede das ruas
Não devolveu
Os abismos que se rolou
Horizonte perdido no meio da selva
Cresceu o arraial
Arraial

Passa bonde, passa boiada
Passa trator, avião
Ruas e reis
Guajajaras, Tamoios, Tapuias
Tubinambás, Aimorés
Todos no chão
A cidade plantou no coração
Tantos nomes de quem morreu
Horizonte perdido no meio da selva
Cresceu o arraial
Arraial


"Então ouvia a chuva. Ouvir era uma absoluta atenção às coisas. Tudo ficava suspenso no vazio".

TEOLINDA GERSÃO