segunda-feira, setembro 07, 2026

3

 



Para Sartre a Literatura tem uma função social.


O autor não é alheio ao seu tempo. Situado, o autor a medida que vai produzindo sua obra nós leitores vamos vendo de que maneira ele está situado no mundo e como ele se relaciona com esse mundo. Mencionar e mostrar é mudar o mundo, a ideia de fundo da produção literária é mudar o mundo. O escritor é comprometido ou engajado.


sexta-feira, setembro 04, 2026

2

 

Quero escrever histórias e inventar algo novo. Quero escrever sobre livros que já li e que ainda não li. Quero roubar dos grandes mestres e das grandes mestras e saber disfarçar. Até aí tudo normal, mas o treino deve ser o essencial. Quero trabalhar com sinônimos e antônimos e elaborar metáforas e metonímias. Quero trabalhar com algumas figuras de linguagem e com mertiolate. Torturar e acariciar as palavras por trás da porta trancada. Quero, desejo e queimo. Ser Maurício, Clarice, Chico, João e Ana. Ser Alejandra e ser Roberto, ser Diogo e ser Bia, tudo ao mesmo tempo. Quero todos ao mesmo tempo. Um querer crônico.


terça-feira, junho 02, 2026

1

 e tenho dentro de mim

pássaros

que eu mesmo afugento


terça-feira, maio 26, 2026

lo que se escapa


 

Algo siempre nos escapa


Se nos escapa durante el día


Se escapa por la noche


como dijo Pizarnik

quarta-feira, maio 20, 2026

Hebras literarias

 


Casi siempre estoy mal en este mundo
Entonces me acuerdo de Flora

Vuelvo a Alejandra P.
Cohetes en el espacio
Exploran a Diana mientras yo leo su árbol

quinta-feira, maio 14, 2026

Chamado do vazio


 


enamorada do vento

abraçando sombras

Tarde da noite eu te escrevo. Queria escreverme em um de seus textos. E encontrar um lugar para mim.

sexta-feira, maio 08, 2026

Estimada Pizarnik




 Me encantaría poder escribir como Pizarnik. A veces me desespera no encontrar la palabra exacta para escribirle una carta. Pero, como dijo Alejandra en uno de sus versos: todo lo que se puede decir es mentira.

quinta-feira, maio 07, 2026

Palimpsesto


 


Convierte el objeto de tu angustia en una plática colectiva que no se acaba nunca. Trabaja ese objeto que viene cargado con significados de otros siglos. La hoja nunca está en blanco de verdad; está saturada de memorias

quarta-feira, maio 06, 2026

Creo en los fantasmas

 


Viajo entre fantasmas como la hija de los vientos
entre golpes de la vida tan fuertes

quarta-feira, janeiro 21, 2026

¿QUÉ QUEDA DE QUIENES SE VAN?



Soñando y leyendo sobre literatura, por curiosidad o morbo, me puse a buscar en internet y escribí en el principal buscador “poetas suicidas latinoamericanos”. La lista es impresionante. Son autoras y autores hechos de piedra y polen que pasearon por el abismo. Son autoras y autores que se distancian en el tiempo y en el espacio. Son autores y autoras cuyos versos quizá constituirán la memoria más recóndita de los hombres.

sexta-feira, janeiro 16, 2026

No Leer (2018) de Alejandro Zambra



Li e reli Entre Paréntesis (2006) de Roberto Bolaño e comecei a me entusiasmar com os ensaios, a crítica literária e as resenhas feitas por escritores. Num belo dia, depois de muitos romances e alguma poesia, me topei com meu sonho de consumo, a saber, No leer ( 2018) de Alejandro Zambra. Primeiro li em doses homeopáticas suas críticas, resenhas e crônicas. Fui na primeira leitura direto aos artigos que discerniam sobre Bolaño e depois devagar e intermitentemente continuei a leitura.

Agora, na sua releitura, vou desfrutando ainda mais a escrita, a nostalgia e o humor de Zambra. São, em resumo, artigos publicados em jornais e revistas compilados neste volume numa certa ordem temática que homenageiam a leitura mas que também defendem o direito a não ler - daí o título tão certeiro. Expondo sua ética e sua política como leitor, Zambra nos apresenta a fauna e a flora da literatura chilena e tantos outros autores pouco conhecidos pelo leitor brasileiro ao menos, como por exemplo Alejandro Rossi (Mex).

É difícil de fazer um resumo dessa miscelânea de ensaios aguda e cheia de humor e melancolia que o autor chileno produziu. Falar de cada um deles seria o caso, mas eu acabaria dando spoilers de textos tão originais. Nem sei se posso chamar isso de spoiler. Pois no final o  maior trunfo de Zambra não é o recorte que ele faz dos assuntos ou os temas em si. Mas seu maior segredo está em como ele ensaia esses temas. Talvez seguindo o estilo de uma de suas musas inspiradoras, a saber, Natalia Ginzburg.   

segunda-feira, janeiro 05, 2026

Carta a Roberto Bolaño



05/01/26


Estimado Roberto Bolaño:


Hoje comecei simbólica e oficialmente minha jornada ou odisseia literária em busca de algumas respostas sobre sua obra. Quero dizer que com umas ideias na cabeça,  um livro sobre conceitos de Bakhtin, uma caderneta embaixo do braço e uma caneta no bolso fui até a biblioteca Chácara do Castelo, a biblioteca do bairro, a fim de esclarecer, ou melhor, de me aprofundar no seus métodos de escrita e na sua criação de personagens. 

Passei um par de horas lá e apesar dos pernilongos e algumas distrações, a saber, o Livro das Citações de Eduardo Gianetti, consegui apreender algo sobre as teorias e hipóteses do filósofo e crítico russo sobre o romance polifônico. Acredito que seu pequeno romance Amuleto assim como Os Detetives Selvagens façam parte dessa categoria de romances e a teoria de Bakhtin assim como seus conceitos irão me auxiliar nessa aventura.

Fiquei com muita vontade de lhe escrever, tarefa que venho procrastinando há algum tempo desde o ano passado quando o candidato José Antonio Kast ganhou as eleições no Chile. Também tinha dúvidas se iria lhe escrever em espanhol ou português, então optei pelo mais fácil tendo em vista que de onde quer que você esteja suas garras e ganas de aprender coisas novas tenham se mantido.

A propósito sou brasileiro, tenho 50 anos, e há uns 20 anos, salvo engano, tenho tido um intermitente contato com seus textos. Alguns amigos e pessoas próximas até acreditam que sou especialista em sua obra pela quantidade de vezes que evoco seu nome e suas personagens ou seus enredos. Lhe escrevo pra saber como você está, pra lhe informar sobre a confusão e o atual estado das coisas do cone sul e desse mundão sem remédio e lhe deixar a par de que você ainda tem um público leitor fiel - às vezes se assemelhando a um cultismo - além de lhe manter informado sobre minhas dúvidas e minha pesquisa sobre seus textos, personagens e obra.


Espero que essas linhas não estejam lhe chateando, 


Alcides Ferreira 


sábado, outubro 11, 2025

Bendita sincronicidade!

Tudo é imparável, disse uma vez o grande Pepe Mujica numa conversa... Hoje fui visitar livrarias que não conhecia acompanhado por  Silvia, uma amiga de longa jornada. Na primeira parada, na Livraria Simples conheci a livreiros calorosos num espaço aconchegante e com um cafezinho acolhedor. 


 Tudo é imparável... Acabamos por conhecer o autor Fabián Restivo, autor de Conversas com Pepe Mujica, bendita sincronicidade!, também terminamos por conhecer um amigo de Fabián e o editor seu aqui no Brasil, o Tomaz, da editora Coragem. 


Também conhecemos o Toninho, o gato preto e anfitrião da livraria. 



Os livreiros da Livraria Simples são demais!  Eles têm um acervo sem comentários, muy chulo!


Depois, bendita sincronicidade, depois de uma chuva torrencial e alguns espetinhos, tudo é imparável, conheci a Livraria Na Nuvem, bem pertinho dali, ainda na Bela Vista. Conheci a encantadora de leitores Renata. Amém, Evoé, Axé, Saravá!

terça-feira, setembro 23, 2025

Mejor aprender a leer que aprender a morir


 

Mucho mejor
Y más importante La alfabetización
Que el arduo aprendizaje
De la Muerte
Aquélla te acompañará toda la vida
E incluso te proporcionará
Alegrías
Y una o dos desgracias ciertas Aprender a morir
En cambio
Aprender a mirar cara a cara
A la Pelona
Sólo te servirá durante un rato
El breve instante
De verdad y asco
Y después nunca más

Epílogo y Moraleja: Morir es más importante que leer, pero dura mucho menos. Podríase objetar que vivir es morir cada día. O que leer es aprender a morir, oblicuamente. Para finalizar, y como en tantas cosas, el ejemplo sigue siendo Stevenson. Leer es aprender a morir, pero también es aprender a ser feliz, a ser valiente.

( ROBERTO BOLAÑO)

quarta-feira, setembro 17, 2025

O Amuleto de Roberto Bolaño




 Entre poetas invisíveis ou consagrados, entre heróis públicos ou secretos Bolaño escreveu sobre aquilo que ele conhecia bem.

segunda-feira, setembro 15, 2025

Gente que se ausenta


 

Sonhei que havia esquecido de sonhar com minha mãe.

Sonhei com a Cidade do México.

Sonhei com Armando e Juan.

Sonhei com uma luta de gigantes.

Sonhei com detetives selvagens.

Sonhei que leitores de Borges eram perseguidos por alienígenas famintos.

Sonhei com livros que eram verdadeiros buracos negros.

Sonhei que ninguém morre no dia anterior.

Sonhei com a inexorabilidade do Tempo.

Sonhei com fantasmas terríveis.

Sonhei com meus demônios.

Sonhei com a biblioteca de Bolaño.

Ontem sonhei com os olhos de Borges.

Ontem sonhei com os joelhos de Frida Kahlo.

segunda-feira, setembro 08, 2025

Antes que seja tarde



Escrever para seguir sendo.

Escrever para seguir lendo.

Escrever sem medo nem esperança.

Escrever para entender.

Escrever para me aproximar.

Para aprender.

Para os ouvidos.

para os pés.

Escrever com os pés, as mãos e a boca.

Escrever por revolta.

Escrever até o fim.


domingo, agosto 24, 2025

Desassossego



Os poemas moram sempre no fundo das águas, disse um poeta. Nossa missão é resgatá-los, penso eu, mas numa época de tanta violência nossa poesia parece ainda mais inútil.  As vítimas viraram verdugos. E da violência da verdadeira violência ninguém pode escapar. Pelo menos não nós que vivemos no século XXI. Depois da Covid as coisas iriam mudar…

Então qual o lugar da poesia num mundo tão enfermo? Outro poeta equacionou que Literatura + doença = doença. Acho que talvez ele estivesse certo. O mundo continua vivo e não tem remédio. 


RESURRECCIÓN


La poesía entra en el sueño

como un buzo en un lago.

La poesía, más valiente que nadie,

entra y cae

a plomo

en un lago infinito como Loch Ness

o turbio e infausto como el lago Balatón.

Contempladla desde el fondo:

un buzo

inocente

envuelto en las plumas

de la voluntad.

La poesía entra en el sueño

como un buzo muerto

en el ojo de Dios.

RESSURREIÇÃO

A poesia entra no sonho
como um mergulhador num lago.
A poesia, mais valente que ninguém,
entra e cai
a prumo
num lago infinito como Loch Ness
ou turvo e funesto como o lago Balaton.
Contemplai-a desde o fundo:
um mergulhador
inocente
envolto nas penas
da vontade.
A poesia entra no sonho
como um mergulhador morto
no olho de Deus.

A arte e a poesia tão vilipendiadas hoje em dia não passam de analgésicos genéricos e baratos quando muito.


quarta-feira, junho 11, 2025

Amberes de Roberto Bolaño


 


Amberes, algures, alhures libros que se alejan, gente que se aleja. Lectura y escritura que se alejan. Cuando tener sentido no hacía la menor diferencia. Cuando la apuesta era arriesgar todo. O livro de Bolaño é uma coletânea de fragmentos que talvez não tenha realmente uma trama convencional. Ainda assim, não deixa de ser um texto coeso na busca por uma escrita. Palavras em busca de um sentido que cada leitor tem o direito de perceber à sua maneira.

terça-feira, junho 03, 2025

La loca de la casa (2003)

 



A Louca da Casa (2003), de Rosa Montero, é uma deliciosa mescla de ensaio e autobiografia. Nele, encontramos a escritora espanhola relendo seus autores favoritos e refletindo sobre o ato da escrita, misturando vida e livros até mesmo para registrar a passagem inexorável do tempo. Ela também ilustra passagens de sua vida com grande humor e uma coloquialidade que tornam o livro leve e erudito ao mesmo tempo. Lembrou-me muito a minha leitura de Irene Vallejo, O Infinito num Junco (2019), que li em 2020 — uma escrita fluida e carregada de leveza. São ensaios que nos fazem refletir sobre a arte da escrita e sobre seus produtores. A louca da casa é um livro crítico, tocante, alegre e essencial.