sexta-feira, janeiro 16, 2026

No Leer (2018) de Alejandro Zambra



Li e reli Entre Paréntesis (2006) de Roberto Bolaño e comecei a me entusiasmar com os ensaios, a crítica literária e as resenhas feitas por escritores. Num belo dia, depois de muitos romances e alguma poesia, me topei com meu sonho de consumo, a saber, No leer ( 2018) de Alejandro Zambra. Primeiro li em doses homeopáticas suas críticas, resenhas e crônicas. Fui na primeira leitura direto aos artigos que discerniam sobre Bolaño e depois devagar e intermitentemente continuei a leitura.

Agora, na sua releitura, vou desfrutando ainda mais a escrita, a nostalgia e o humor de Zambra. São, em resumo, artigos publicados em jornais e revistas compilados neste volume numa certa ordem temática que homenageiam a leitura mas que também defendem o direito a não ler - daí o título tão certeiro. Expondo sua ética e sua política como leitor, Zambra nos apresenta a fauna e a flora da literatura chilena e tantos outros autores pouco conhecidos pelo leitor brasileiro ao menos, como por exemplo Alejandro Rossi (Mex).

É difícil de fazer um resumo dessa miscelânea de ensaios aguda e cheia de humor e melancolia que o autor chileno produziu. Falar de cada um deles seria o caso, mas eu acabaria dando spoilers de textos tão originais. Nem sei se posso chamar isso de spoiler. Pois no final o  maior trunfo de Zambra não é o recorte que ele faz dos assuntos ou os temas em si. Mas seu maior segredo está em como ele ensaia esses temas. Talvez seguindo o estilo de uma de suas musas inspiradoras, a saber, Natalia Ginzburg.   

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