ecos de acontecimentos
meandros
liames
enleios
enredos
errantes palavras
brincando pra valéry
descordenando artesanias
descartando razões
(... "escrever um poema após Auschwitz é um ato bárbaro, e isso corrói até mesmo o conhecimento de por que hoje se tornou impossível escrever poemas".)
sexta-feira, novembro 30, 2018
domingo, novembro 25, 2018
sexta-feira, novembro 23, 2018
terça-feira, novembro 20, 2018
promessas (de felicidade)
pequenas epifanias
sem exagero na dose
desejo
(sem inflacionar a tal felicidade - que chamamos assim tão descuidadamente)
cabeça segue trovoando, acredita?
Lunar:
lunares
pra qualquer parte
ou pra Marte?
Sabia que a Lua se afasta da gente quase 2 cm por ano? Sabia que provavelmente um dia ela será engolida pelo Sol?
segunda-feira, novembro 19, 2018
FLT
Falta:
lemos para nos alcoilizarmos
assistimos a novela para esquecer
bebemos para pensar outros mundos
sexo para esquecer que morremos
poesia para contestar
e politicamos para esquecer de nós mesmos.
quarta-feira, novembro 14, 2018
O livro da escada e a esperança (Liber Scale Machometi)
Tinha me esquecido como se
chama a esperança, quero dizer, um inseto verde, um pouco parecido com o grilo
e provavelmente sul americano.
Ontem à noite antes de dormir as luzes já estavam todas apagadas
menos a tela do computador, talvez foi esta sorte que atraiu a esperança pro
meu quarto.
Estava Tom Zé no spotfy e
a esperança entrou pela janela do meu quarto, em minha vida, e se repousou sobre
a bandeira tricolor mexicana. Enquanto isso noutra parte do mundo alguém
encontrava mais uma tradução do Livro da escada de Maomé.
sábado, novembro 10, 2018
The philosophy of composition
Dénouement: unnecessaurus, my students say. Well, I'd rather think about my favorite readings, my favorite authors, reread them then mix them up with some other texts and images from my mind. Then voilà! Bricolage is the answer, pastiche is the alternative to cope with more than 40.000 years of story telling. I told my students, they thought it was cool. It seems evident, it is not too hard to master. Of corns my horns!
segunda-feira, novembro 05, 2018
Conversa com Clarice L. e Silvia C. e Sarah V.
(Contra os medalhões - em favor dos seres mágicos)
Foi minha mãe que disse que a própria fé, que a fé pode ser um grande
susto, pode significar cair no abismo.
Foi minha mãe que disse que a mais premente necessidade de um ser humano
era tornar-se um ser humano.
Foi minha mãe que disse que nós não fomos feitos senão para o pequeno
silêncio, não para o silêncio astral.
Foi minha mãe que disse que as pessoas felizes eram menos sensíveis à dor humana.
Foi minha mãe que disse que temos disfarçado com pequeno
medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa.
Foi minha mãe que disse que falar do que realmente
importa é considerado uma gafe.
Foi minha mãe que disse que se deve viver apesar de.
São Paulo · 1984
Entre fragmentos, entre lamentos.
Entre el deseo y la palabra, um puente insalvable – penso em todos, inspirado principalmente por Pizarnik e Barthes.
O ser cuja essência é compreender é feito de carência e sede? É feito de falta? É ser faltante?
Entre um chorinho e outro, lamentos bem menores que do Valongo.
sexta-feira, novembro 02, 2018
Seres
(para Elza Maia Costa de Oliveira)
históricos quanto maior se foi tornando a solidariedade
entre mente e mãos
seres da linguagem disse Lev V.
inacabados disse Paulo F.
faltantes disse Jaques L.
na noite sem fim
e buscamos compreender dizem
na memória - humanos
terça-feira, outubro 30, 2018
As últimas semanas do mundo
O velho diabo no ponto de ônibus, noturno
Estrela distante
A moça que lê no café Art poetique tão matutina
(às vezes se prefere a dúvida `a resposta, se prefere o som ao seu significado)
Quem nunca cantou embromation quando criança não teve infância
Há mais metafísica entre o céu e a terra do que sonha nossa vã psicanálise
quarta-feira, outubro 24, 2018
Seres mágicos
Para Claudia R. Sarah V. & Monalisa - seres mágicos
Era uma daquelas manhãs que parecem suspensas no ar quando Alice abriu a janela de seu quarto. O sabiá sabiava, a moto passava, o ônibus brecava e um gato miava. O cachorro latiu. Foi aí que ela correu nua em direção ao banheiro e chuá no chuveiro. Então se deu conta que já não havia seres mágicos. Alice chorou, chuá, chuveiro e a cidade se inundou.
sábado, outubro 20, 2018
Amorous
el ruído de la calle me aburre tal cual el de la tele
hora de poner a C.P. a hacer su magia
(todavía hay seres mágicos)
pa' que vuelvan los agujeros
pa' que vuelvan a Jhony Carter y el cuarto de hora en 2 minutos
pa' que se escuche otras vez a Dylan Thomas and Dizzy
desde mi ventana: la última noche del mundo
desde Cambuci hacia Chapultepec
las luces más bonitas del mundo
terça-feira, outubro 16, 2018
lhe procuro nos algorítimos da memória inventada
seu gosto remonta amor
tudo tinha ruído
seus carinhos saboreados
minhas mãos torpes
& cigarrettes after sex: apocalypse
seu sonho velado
la última noche del mundo
minha madrugada insone
seu perfume
minhas dúvidas
seu castañeda
minhas dividas
suas gravuras e fotos na parede
minha melancolía
sua calcinha
seu café & seu brigadeiro
os filmes que não assisti ao seu lado
exercícios de memória fatiando lembranças aqui
meu fio da memória
(tudo que se pode dizer é mentira)
domingo, outubro 14, 2018
Onde se fala de gatos e de homens (Manuel António Pina)
"Os meus gatos dormem durante a maior parte do dia (e, obviamente, durante a noite toda). Suspeito que os gatos têm um segredo, que conhecem uma porta para um mundo coincidente e feliz, por onde só se passa sonhando. Um mundo criado como Deus terá criado o nosso humano mundo, à sua desmesurada imagem. Porque os que sonham são deuses criadores. Os gatos sonham dormindo, os homens sonham fazendo perguntas e procurando respostas.
Mas os meus gatos dormem e sonham porque não têm fome. Teriam, se precisassem de procurar comida, tempo para sonhar? Acontece talvez assim com os homens. Como se o espírito criador fosse, afinal, prisioneiro do estômago. Talvez, então, a mesquinhez de propósitos da nossa vida colectiva radique, como nos querem fazer crer, no défice, e talvez o cumprimento das normas do pacto de estabilidade seja o único sonho que nos é hoje permitido.
E, contudo, dir-se-ia (e isto é algo que escapa aos economistas) que é o sonho, mais do que a balança de pagamentos, que alimenta a vida, e que os povos, como os homens, precisam de mais do que de números. Os próprios números têm (os economistas não o sabem porque a sua ciência dos números é uma ciência de escravos) o poder desrazoável de, não apenas repetir, mas sonhar o mundo.
Há anos que somos governados por economistas e o resultado está à vista. Talvez seja chegada a altura de ser a política (e o sonho) a dirigir a economia e não a economia a dirigir a política. Jesus Cristo «não sabia nada de finanças, / nem consta que tivesse biblioteca», e o seu sonho, no entanto, continua a mover o mundo." (Manuel António Pina)
sábado, outubro 13, 2018
sexta-feira, outubro 12, 2018
Passarão? (técnicas para afastar o sofrimento)
Sempre tive pena e inveja de passarinho. Pena pois poucos conseguem abrigos diante das chuvas, pensava eu na minha infantiligência. Inveja porque eles voam quando querem, ou melhor, flutuam no desafio do azul e outros se arremessam no buraco da escuridão.
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