poetas em transe
poesia em trânsito
e as horas
e os abismos
e os orfãos do desastre
poetas em transe
poesia em trânsito
e as horas
e os abismos
e os orfãos do desastre
Escribe sobre las viudas las abandonadas,
las viejas, las inválidas, las locas.
Detrás de las Grandes Guerras y los Grandes Negocios
que conmueven al mundo están ellas.
Viviendo al día, pidiendo dinero prestado,
estudiando las pequeñas manchas rojas
de nuestras ciudades
de nuestros deportes
de nuestras canciones.
ROBERTO BOLAÑO
tenho andado tanto
diabo querendo ser santo
Tinha uma frase interessante ou um enredo na mente pra começar a escrever um conto. Mas me esqueci talvez por causa do trânsito, talvez por causa do celular e da plataforma de música, ou talvez seja porque a ideia não era tão boa assim.
agora sei que o coração
é um cão de rua
Acho que me perdi depois de ler esses dois versos de Ana Martins Marques. Ou talvez a culpa foi da cidade que eu via através da janela do ônibus. Ou talvez fosse o céu dessa cidade e suas nuvens baixas. Talvez a culpa fosse de todos os poetas que já li. Ou melhor, talvez a culpa fosse de Padilha, Amalfitano e de Roberto Bolaño.
—Tal vez sea mi borrachera pero esta noche huele a algo raro.
—Cada noche tiene un olor diferente, querido amigo, de lo contrario sería insoportable.
Creo que debería meterse en la cama.
—Pero el olor de esta noche es especial, es como si algo se estuviera moviendo por las
calles, algo impreciso, que conozco, pero que no consigo recordar qué es.
—Váyase a la cama. Duerma. Apacigüe su espíritu.
—El olor me seguirá hasta allí.
(Monsieur Pain - Roberto Bolaño)
Adoro a noite
e também a antena da UNIP
adoro o latido singular no horizonte
e também a antena da Gazeta
adoro o ruidoso silêncio noturno da cidade
também adoro Marte reluzente
e adoro a Lua cheia e a minguante
mas sobretudo a cidade cintilante
(Alchelas)
“O mundo aparente é um tropel de percepções transtornadas”
Borges - Examen de metáforas
Nó geológico
a pegadinha de Deus
o umbigo de Adão
a idade da Terra
Deus espreita nos intervalos
(diante da idade da Terra os homens foram “criados” ontem)
Alchelas Mirabismo
“En 1857, una discordia preocupaba a los hombres. El Génesis atribuía seis días —seis días hebreos inequívocos, de ocaso a ocaso— a la creación divina del mundo; los paleontólogos impiadosamente exigían enormes acumulaciones de tiempo.” Borges - La creación y P. H. Gosse
Soul
máquina desejante
produzo
máquina de sentir
meu modo de ser não me traduz
as paixões tristes têm seu lugar
lugar de sentir
libero minhas associações
meu descompasso contingente
La lluvia derramaba
la madrugada
verso tras verso
el aburrimiento nublado de este domingo
se oye a los perros y a los coches
desde mi cama
(Alchelas)
Juntémonos en tu casa el sábado.
Sí: tiremos cualquier cosa a las brasas-
auque sea un hombre:
sí: volvámonos caníbales
eso da prestigio y fama
eso hace que uno deje un trazo
como hace el caracol sobre la tierra
si es que la Tierra es algo.
No todos podemos ser próceres piadosos.
Juntémonos en tu casa el sábado.
Sí: fumemos bastante; fumemos de todo;
fumémonos el todo: hasta que nos de cáncer
el cáncer sí que es Creacionista
ahora mismo está haciendo que se pudra
la rosa en este problema.
ÁNGEL ESCOBAR
Enovelo de palavras. Música de improviso Fluxo cheio de sons, signos e sentidos. Orgia de palavras. Exercício de vida sem planejamento. Fluxo de vida animalesca, vegetal, mineral vibrante e continua ao mesmo tempo. Palavra truculentamente viva.
Se a protagonista do seu romance favorito perambula pela cidade onde vive isso quer dizer muita coisa. Talvez os signos da cidade descrevam a personalidade dela ou seus anseios e ambições, por exemplo. Dizem que nada está por acaso em uma narrativa bem escrita.
Preciso me ocupar sobre este assunto nos próximos meses pois fui convidado a falar sobre o tema. Sei por onde começar mas ainda não sei o que ler para desenvolver melhor o assunto e aceito sugestões. Vou falar sobre um romance curto do autor chileno Roberto Bolaño que se passa na Cidade do México. Amuleto, esse é o nome do romance, conta de maneira pouco convencional a história de Auxilio Lacouture, uma uruguaia emigrada que vive no DF, uma personagem de certa forma transformada em lenda viva por suas experiências e suas andanças.
O fato de haver uma pessoa na vida real na qual a protagonista foi inspirada deve interferir na minha leitura e nas configurações e representações da cidade no texto?
das coisas que deixei pelo caminho
dos versos que me morderam
da prosa que me mata
Serotonina e dopamina
substantivos conhecidos
desde meus vinte poucos anos,
que desgraça ser gauche na vida.
No dna meus fantasmas:
meus ancestrais me acolhem,
me assustam de tempos em tempos,
meus amigos, meus livros e palavras essenciais me possuem.
Melancolias e mercadorias me espreitam,
ecos de meus poetas favoritos.
Veja como são as coisas.
para Tanussi Cardoso
o corpo:
canta e anda
dorme e sacode
fuma e bebe
fornica e morre
eis o corpo ou o cadáver?
a mente:
ansiedades e vulgaridades
avoada e concentrada
melancólica e preguiçosa
obcecada e generosa
eis a mente ou a loucura?
a alma:
magoadamente cristã
à toa e atéia
as frestas e diques
de escuros e claros
eis a alma ou o inferno?