quinta-feira, julho 08, 2010

Foules


"Multidão, solidão: termos iguais e convertíveis para o poeta ativo e fecundo" BAUDELAIRE

Só se for a dois (By Cazuza)

Aos gurus da Índia
Aos judeus da Palestina
Aos índios da América Latina
E aos brancos da África do Sul
O mundo é azul
Qual é a cor do amor?
O meu sangue é negro, branco
Amarelo e vermelho

Aos pernambucanos
E aos cubanos de Miami
Aos americanos russos
Armando seus planos

Ao povo da China
E ao que a história ensina
Aos jogos, aos dados
Que inventaram a humanidade

As possibilidades de felicidade
São egoístas, meu amor
Viver a liberdade, amar de verdade
Só se for a dois
(Só a dois)

Aos filhos de Ghandi
Morrendo de fome
Aos filhos de Cristo
Cada vez mais ricos

O beijo do soldado em sua namorada
Seja pra onde for
Depois da grande noite
Vai esconder a cor das flores
E mostrar a dor
(A dor)

quarta-feira, julho 07, 2010

Sonhei mais uma vez com o diabo


"este abismo é o inferno, por nossos amigos povoado" BAUDELAIRE

El diablo en el ojo (BY Tindersticks)

I wouldn't shut your eyes just yet
I wouldn't turn the lights down yet
'Cos there's things you've gotta see here
There's things you've gotta believe of me

I wouldn't turn the sound down yet
Don't even touch the dials, not yet
'Cos there's things you've gotta hear here
There's things you've gotta believe of me

I wouldn't say a word just yet
Don't even open your mouth, not yet
'Cos there's things I've gotta say here
There's things you wanna hear from me

Foto de Manuel Álvarez Bravo

segunda-feira, julho 05, 2010

sobre la muerte

"Cuando se acerca el fin, ya no quedan imágenes del recuerdo; sólo quedan palabras".
El inmortal. BORGES

O conto pode ser lido em: http://www.apocatastasis.com/el-inmortal-jorge-luis-borges-carthapilus.php#axzz0sm20ildb

domingo, julho 04, 2010

Exílio


"Sê sempre morto em Eurídice"...
"Ó Senhor, dai a cada um sua própria morte"...
RILKE
"Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro". JUNG

Todos os Dedos da Mão

(...)
Estremece-se às vezes desde o chão,
Por se ter uma navalha no bolso:
por o sexo ser sumptuoso:
por causa dos buracos luminosos na camisa,
Tem-se medo do poder
da nudez,
A finura da carne: uma unhada
no coração:
o modo de fazer rodar o quarto:
o barulho que se ouve nos canos onde
a água vive - tudo
sob a ameaça de uma riqueza
brusca
em nós, Quando um raio se desencadeia
pela coluna vertebral
abaixo, O golpe entre as madeixas
frias, Toca-se na cama:
e nunca mais se dorme, Toca-se
onde os pulmões se cosem à boca para gritar,
Às vezes tem-se o dom de fincar os pés na paisagem
em massa, Um feixe
desenfeixa-se no avesso - estala
fora, Com que vozes se encontra a gente
quando
o pavor se faz música
ordem
exercício nominal?,
Arrancamo-nos a tudo como
se arranca a unha
a um dedo: ou o dedo à mão: ou à mão
ao gesto
amassando a terra como se penteia,
Pente que reabre a chaga e a alastra,
Que a aprofunda
como o sangue aprofunda a claridade
pequena
de um lenço, se o lenço
se molha na costura que sangra
perpetuamente, A coroa irrompe da cabeça
pelo ímpeto
da realeza animal, O choque de um astro
calcinaria tudo
- o ceptro que nos crava no mundo
o manto
o escudo
os anéis como nós de dedos,
Morre-se de alta tensão,
É o relâmpago de um troço avistado,
As voragens à força de janelas,
Ou é Deus que nos olha em cheio: dentro


Herberto Helder, A Cabeça Entre as Mãos


FOTO Edward Weston (1886–1958) – Tina on the Azotea 1924




lenguas

"En el aprendizaje de una lengua extranjera existe siempre un elemento irracional que hace que el aprendiz cultive la ilusión de que a través de esa lengua penetrará en una nueva región del ser."
También Berlín se olvida, Fabio Morábito

quinta-feira, julho 01, 2010

Estudos para uma bailadora andaluza




Dir-se-ia, quando aparece

dançando por siguiriyas,

que com a imagem do fogo

inteira se identifica.

Todos os gestos do fogo

que então possui dir-se-ia:

gestos das folhas do fogo,

de seu cabelo, sua língua;

gestos do corpo do fogo,

de sua carne em agonia,

carne de fogo, só nervos,

carne toda em carne viva.


Então, o caráter do fogo

nela também se adivinha:

mesmo gosto dos extremos,

de natureza faminta,

gosto de chegar ao fim

do que dele se aproxima,

gosto de chegar-se ao fim,

de atingir a própria cinza.


Porém a imagem do fogo

é num ponto desmentida:

que o fogo não é capaz

como ela é, nas siguiriyas,

de arrancar-se de si mesmo

numa primeira faísca,

nessa que, quando ela quer,

vem e acende-a fibra a fibra,

que somente ela é capaz

de acender-se estando fria,

de incendiar-se com nada,

de incendiar-se sozinha.


Subida ao dorso da dança

(vai carregada ou a carrega?)

é impossível se dizer

se é a cavaleira ou a égua.


Ela tem na sua dança

toda a energia retesa

e todo o nervo de quando

algum cavalo se encrespa.


Isto é: tanto a tensão

de quem vai montado em sela,

de quem monta um animal

e só a custo o debela,

como a tensão do animal

dominado sob a rédea,

que ressente ser mandado

e obedecendo protesta.


Então, como declarar

se ela é égua ou cavaleira:

há uma tal conformidade

entre o que é animal e é ela,

entre a parte que domina

e a parte que se rebela,

entre o que nela cavalga

e o que é cavalgado nela,

que o melhor será dizer

de ambas, cavaleira e égua,

que são de uma mesma coisa

e que um só nervo as inerva,

e que é impossível traçar

nenhuma linha fronteira

entre ela e a montaria:

ela é a égua e a cavaleira.


Quando está taconeando

a cabeça, atenta, inclina,

como se buscasse ouvir

alguma voz indistinta.


Há nessa atenção curvada

muito de telegrafista,

atento para não perder

a mensagem transmitida.


Mas o que faz duvidar

possa ser telegrafia

aquelas respostas que

suas pernas pronunciam

é que a mensagem de quem

lá do outro lado da linha

ela responde tão séria

nos passa despercebida.


Mas depois já não há dúvida:

é mesmo telegrafia:

mesmo que não se perceba

a mensagem recebida,

se vem de um ponto no fundo

do tablado ou de sua vida,

se a linguagem do diálogo

é em código ou ostensiva,

já não cabe duvidar:

deve ser telegrafia:

basta escutar a dicção

tão morse e tão desflorida,

linear, numa só corda,

em ponto e traço, concisa,

a dicção em preto e branco


Ela não pisa na terra

como quem a propicia

para que lhe seja leve

quando se enterre, num dia.


Ela a trata com a dura

e muscular energia

do camponês que cavando

sabe que a terra amacia.


Do camponês de quem tem

sotaque andaluz caipira

e o tornozelo robusto

que mais se planta que pisa.


Assim, em vez dessa ave

assexuada e mofina,

coisa a que parece sempre

aspirar a bailarina,

esta se quer uma árvore

firme na terra, nativa,

que não quer negar a terra

nem, como ave, fugi-la.


Árvore que estima a terra

de que se sabe família

e por isso trata a terra

com tanta dureza íntima.


Mais: que ao se saber da terra

não só na terra se afinca

pelos troncos dessas pernas

fortes, terrenas, maciças,

mas se orgulha de ser terra

e dela se reafirma,

batendo-a enquanto dança,

para vencer quem duvida.


Sua dança sempre acaba

igual como começa,

tal esses livros de iguais

coberta e contra-coberta:

com a mesma posição

como que talhada em pedra:

um momento está estátua,

desafiante, à espera.


Mas se essas duas estátuas

mesma atitude observam,

aquilo que desafiam

parece coisas diversas.


A primeira das estátuas

que ela é, quando começa,

parece desafiar

alguma presença interna

que no fundo dela própria,

fluindo, informe e sem regra,

por sua vez a desafia

a ver quem é que a modela.


Enquanto a estátua final,

por igual que ela pareça,

que ela é, quando um estilo

já impôs à íntima presa,

parece mais desafio

a quem está na assistência,

como para indagar quem

a mesma façanha tenta.


O livro de sua dança

capas iguais o encerram:

com a figura desafiante

de suas estátuas acesas.


Na sua dança se assiste

como ao processo da espiga:

verde, envolvida de palha;

madura, quase despida.


Parece que sua dança

ao ser dançada, à medida

que avança, a vai despojando

da folhagem que a vestia.


Não só da vegetação

de que ela dança vestida

(saias folhudas e crespas

do que no Brasil é chita)

mas também dessa outra flora

a que seus braços dão vida,

densa floresta de gestos

a que dão vida a agonia.


Na verdade, embora tudo

aquilo que ela leva em cima,

embora, de fato, sempre,

continui nela a vesti-la,

parece que vai perdendo

a opacidade que tinha

e, como a palha que seca,

vai aos poucos entreabrindo-a.


Ou então é que essa folhagem

vai ficando impercebida:

porque terminada a dança

embora a roupa persista,

a imagem que a memória

conservará em sua vista

é a espiga, nua e espigada,

rompente e esbelta, em espiga.


(MELO NETO, João Cabral de 1986, p. 127) Foto: "En el Covadonga" Pedro Meyer

sábado, junho 26, 2010

Alteridade?


"A única coisa que torna possível a identidade é a ausência de mudança, mas ninguém acredita de fato que se seja semelhante àquilo de que se lembra".
Gertrude Stein



Foto de Manuel Álverez Bravo (MEX)

quinta-feira, junho 24, 2010

"meu amor é um tigre de papel" Ana Cristina Cesar


BILHETE

"Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda"...

Mário Quintana





FOto de Manuel Álvarez Bravo (MEX)

terça-feira, junho 22, 2010

Adios?


FRAGA E SOMBRA

"A sombra azul da tarde nos confrange.
Baixa, severa, a luz crepuscular.
Um sino toca, e não saber quem tange
é como se este som nascesse do ar.

Música breve, noite longa. O alfanje
que sono e sonho ceifa devagar
mal se desenha, fino, ante a falange
das nuvens esquecidas de passar.

Os dois apenas, entre céu e terra,
sentimos o espetáculo do mundo,
feito de mar ausente e abstrata serra.

E calcamos em nós, sob o profundo
instinto de existir, outra mais pura
vontade de anular a criatura".

DRUMMOND

segunda-feira, junho 21, 2010

Juan Gris


"Ainda ontem
Convidei um amigo
Para ficar em silêncio comigo
Ele veio meio a esmo
praticamente não disse nada
e ficou por isso mesmo"
"Cerimônia do Chá" - Paulo Leminski

Sucede que me canso de ser hombre

Walking Around

"Sucede que me canso de ser hombre.
Sucede que entro en las sastrerías y en los cines
marchito, impenetrable, como un cisne de fieltro
Navegando en un agua de origen y ceniza.

El olor de las peluquerías me hace llorar a gritos.
Sólo quiero un descanso de piedras o de lana,
sólo quiero no ver establecimientos ni jardines,
ni mercaderías, ni anteojos, ni ascensores.

Sucede que me canso de mis pies y mis uñas
y mi pelo y mi sombra.
Sucede que me canso de ser hombre.

Sin embargo sería delicioso
asustar a un notario con un lirio cortado
o dar muerte a una monja con un golpe de oreja.
Sería bello
ir por las calles con un cuchillo verde
y dando gritos hasta morir de frío

No quiero seguir siendo raíz en las tinieblas,
vacilante, extendido, tiritando de sueño,
hacia abajo, en las tapias mojadas de la tierra,
absorbiendo y pensando, comiendo cada día.

No quiero para mí tantas desgracias.
No quiero continuar de raíz y de tumba,
de subterráneo solo, de bodega con muertos
ateridos, muriéndome de pena.

Por eso el día lunes arde como el petróleo
cuando me ve llegar con mi cara de cárcel,
y aúlla en su transcurso como una rueda herida,
y da pasos de sangre caliente hacia la noche.

Y me empuja a ciertos rincones, a ciertas casas húmedas,
a hospitales donde los huesos salen por la ventana,
a ciertas zapaterías con olor a vinagre,
a calles espantosas como grietas.

Hay pájaros de color de azufre y horribles intestinos
colgando de las puertas de las casas que odio,
hay dentaduras olvidadas en una cafetera,
hay espejos
que debieran haber llorado de vergüenza y espanto,
hay paraguas en todas partes, y venenos, y ombligos.
Yo paseo con calma, con ojos, con zapatos,
con furia, con olvido,
paso, cruzo oficinas y tiendas de ortopedia,
y patios donde hay ropas colgadas de un alambre:
calzoncillos, toallas y camisas que lloran
lentas lágrimas sucias."

PABLO NERUDA

domingo, junho 20, 2010

Book pipe and glasses - 1915 ( de Juan Gris)


"Qualquer pergunta me desvia de mim"
GERTRUDE STEIN

Ay Jalisco no te rajes ( Extraño mi chaparrita tapatía)


Ay Jalisco, Jalisco, Jalisco
tu tienes tu novia
que es Guadalajara.

Muchacha bonita
la perla mas rara
de todo Jalisco
es mi Guadalajara.

Y me gusta escuchar los mariachis
cantar con el alma sus lindas canciones.

Oir como suenan
esos guitarrones
y echarme un tequila
con los valentones.

Ay Jalisco no te rajes
me sale del alma
gritar con calor

Abrir todo el pecho
echar este grito
que lindo es Jalisco
palabra de honor.

La mujer es jalisco primero
lo mismo en los altos
que alla en la cañada.

Mujeres muy lindas
rechulas de cara
asi son las hembras
de Guadalara.

En Jalisco se quiere a la buena
porque es peligroso
querer a la mala.

Podria una morena echar
mucha bala
y bajo la luna
cantar en Chapala.

Ay Jalisco no te rajes
me sale del alma
gritar con calor

Abrir todo el pecho
echar este grito
que lindo es Jalisco
palabra de honor.

Ay Jalisco, Jalisco, Jalisco
tus hombres son machos
y son cumplidores

Valientes y ariscos y sostenedores
no admiten rivales en cosas de amores.

Es su orgullo un buen traje de charro
traer su pistola fajada en el cinto.

Con una guitarra echar mucho tipo
y a los que presumen quitarles el hijo.

Ay Jalisco no te rajes
me sale del alma
gritar con calor

Abrir todo el pecho
echar este grito
que lindo es Jalisco
palabra de honor.

sexta-feira, junho 18, 2010

Adeus?


“Nós buscamos outras realidades porque não sabemos como desfrutar da nossa; e saímos de dentro de nós mesmos pelo desejo de saber como é o nosso interior.” MONTAIGNE

domingo, junho 13, 2010

She don't use jelly (Flaming Lips)


I know a girl who thinks of ghosts
She'll make you breakfast
She'll make you toast
She don't use butter
She don't use cheese
She don't use jelly
Or any of these
She uses vaseline
Vaseline
Vaseline

I know a guy who goes to shows
When he's at home and he blows his nose
He don't use tissues or his sleeve
He don't use napkins or any of these
He uses magazines
Magazines
Magazines
Magazines
Magazines

I know a girl who reminds me of Cher
(Reminds me of Cher)
She's always changing
(She's always changing)
The color of her hair
(Color of her hair)
She don't use nothing
That you buy at the store
She likes her hair to be real orange
She uses tangerines
Tangerines
Tangerines
Tangerines
Tangerines
Tangerines

sábado, junho 12, 2010

Turn it on (BY Flaming Lips)


put your face up to the window
tell me all about your gables
it feels better when you in it
if your nervous use the pay phone

put your face where we can see it
put it on a show on cable
you can really show it all there
turn it on when you are able


(CHORUS)
turn it on
turn it on and all the way up
turn it on
in your houses when you wake up
turn it on
when you ain't got no relation
to all those other stations
turn it on


put your life into a bubble
we can pick you up on radar
"hit " a satelite with feeling
give the people what they paid for

terça-feira, junho 08, 2010

Ana Cristina Cesar lança sua isca


" Freud e eu brigamos muito"




Achei a figura no blog da Escrevedora
e a "roubei"

O verso é da Ana que me fisgou
O verso é de quem tem peito pra encarar a briga
O verso é de domínio público desde o século passado.
Viva Ana



http://aescrevedora.blogspot.com

Queria saber mais sobre o simbolismo no altar "Del Dia de Muertos"
Hallé una idea sucinta
http://mx.answers.yahoo.com/question/index?qid=20091028212432AAMkcd2

domingo, junho 06, 2010

Cicatrizes ( quem canta é Roberta Sá)

Amor
Amor que nunca cicatriza
Ao menos ameniza a dor
Que a vida não amenizou.

Que a vida a dor domina
Arrasa e arruína
Depois passa por cima a dor
Em busca de outro amor.

Acho que estou pedindo uma coisa normal
Felicidade é um bem natural.

Uma
Qualquer uma
Que pelo menos dure enquanto é carnaval
Apenas uma
Qualquer uma
Não faça bem mais que também não faça mal.

Meu coração precisa...

magnetic fields

http://www.youtube.com/watch?v=eo8vW_0H_Kg

sábado, junho 05, 2010

Afundar saudades loucas na arte de estudar ( O poema é da Alice Ruiz S.)


Es que me dá una flojera...
Pero leer es bueno
la neta es que me gustaría escrever más
todavia para escrever tienes que leer "quanto mais melhor"
Mas não sobra tempo pra nada
e SE eu morrer amanhã
aí fodeu

"tudo começa
do mesmo jeito
diferente

o que se quebra
pesa mais
do que o sonho leva

como se o dia
não passasse
dessa noite"


(do "Dois em Um)