quarta-feira, janeiro 21, 2026

¿QUÉ QUEDA DE QUIENES SE VAN?



Soñando y leyendo sobre literatura, por curiosidad o morbo, me puse a buscar en internet y escribí en el principal buscador “poetas suicidas latinoamericanos”. La lista es impresionante. Son autoras y autores hechos de piedra y polen que pasearon por el abismo. Son autoras y autores que se distancian en el tiempo y en el espacio. Son autores y autoras cuyos versos quizá constituirán la memoria más recóndita de los hombres.

sexta-feira, janeiro 16, 2026

No Leer (2018) de Alejandro Zambra



Li e reli Entre Paréntesis (2006) de Roberto Bolaño e comecei a me entusiasmar com os ensaios, a crítica literária e as resenhas feitas por escritores. Num belo dia, depois de muitos romances e alguma poesia, me topei com meu sonho de consumo, a saber, No leer ( 2018) de Alejandro Zambra. Primeiro li em doses homeopáticas suas críticas, resenhas e crônicas. Fui na primeira leitura direto aos artigos que discerniam sobre Bolaño e depois devagar e intermitentemente continuei a leitura.

Agora, na sua releitura, vou desfrutando ainda mais a escrita, a nostalgia e o humor de Zambra. São, em resumo, artigos publicados em jornais e revistas compilados neste volume numa certa ordem temática que homenageiam a leitura mas que também defendem o direito a não ler - daí o título tão certeiro. Expondo sua ética e sua política como leitor, Zambra nos apresenta a fauna e a flora da literatura chilena e tantos outros autores pouco conhecidos pelo leitor brasileiro ao menos, como por exemplo Alejandro Rossi (Mex).

É difícil de fazer um resumo dessa miscelânea de ensaios aguda e cheia de humor e melancolia que o autor chileno produziu. Falar de cada um deles seria o caso, mas eu acabaria dando spoilers de textos tão originais. Nem sei se posso chamar isso de spoiler. Pois no final o  maior trunfo de Zambra não é o recorte que ele faz dos assuntos ou os temas em si. Mas seu maior segredo está em como ele ensaia esses temas. Talvez seguindo o estilo de uma de suas musas inspiradoras, a saber, Natalia Ginzburg.   

segunda-feira, janeiro 05, 2026

Carta a Roberto Bolaño



05/01/26


Estimado Roberto Bolaño:


Hoje comecei simbólica e oficialmente minha jornada ou odisseia literária em busca de algumas respostas sobre sua obra. Quero dizer que com umas ideias na cabeça,  um livro sobre conceitos de Bakhtin, uma caderneta embaixo do braço e uma caneta no bolso fui até a biblioteca Chácara do Castelo, a biblioteca do bairro, a fim de esclarecer, ou melhor, de me aprofundar no seus métodos de escrita e na sua criação de personagens. 

Passei um par de horas lá e apesar dos pernilongos e algumas distrações, a saber, o Livro das Citações de Eduardo Gianetti, consegui apreender algo sobre as teorias e hipóteses do filósofo e crítico russo sobre o romance polifônico. Acredito que seu pequeno romance Amuleto assim como Os Detetives Selvagens façam parte dessa categoria de romances e a teoria de Bakhtin assim como seus conceitos irão me auxiliar nessa aventura.

Fiquei com muita vontade de lhe escrever, tarefa que venho procrastinando há algum tempo desde o ano passado quando o candidato José Antonio Kast ganhou as eleições no Chile. Também tinha dúvidas se iria lhe escrever em espanhol ou português, então optei pelo mais fácil tendo em vista que de onde quer que você esteja suas garras e ganas de aprender coisas novas tenham se mantido.

A propósito sou brasileiro, tenho 50 anos, e há uns 20 anos, salvo engano, tenho tido um intermitente contato com seus textos. Alguns amigos e pessoas próximas até acreditam que sou especialista em sua obra pela quantidade de vezes que evoco seu nome e suas personagens ou seus enredos. Lhe escrevo pra saber como você está, pra lhe informar sobre a confusão e o atual estado das coisas do cone sul e desse mundão sem remédio e lhe deixar a par de que você ainda tem um público leitor fiel - às vezes se assemelhando a um cultismo - além de lhe manter informado sobre minhas dúvidas e minha pesquisa sobre seus textos, personagens e obra.


Espero que essas linhas não estejam lhe chateando, 


Alcides Ferreira