sábado, abril 26, 2008

Iluminuras de São Paulo


No negro chão sujo, um resto de homem se contorce. Está mijado, com frio, encolhido e geme. O resto de homem no negro chão sujo é negro. A noite é negra como a garrafa ao lado daquele farrapo. No terminal de ônibus, é o único que está parado, deitado. Transeuntes vêm, olham, passam, alguns dão risada, outros olham com repugnância. Uma mulher recolhe o lixo com pá e vassoura em punho. Indiferente a cena, aproxima-se daquele maltrapilho e quase toca seu nariz, com a vassoura, para que não haja mais sujeira no chão. Agora só há um esfarrapado no chão que continua negro mas agora está limpo. Escolho palavras, não para julgar, mas para absorver essa imagem que agora me pertence.

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